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Pouco mais de seis meses haviam se passado desde que a família Ji havia se mudado para a mansão imponente que outrora pertencera aos Choi, família que teve um trágico fim tempos atrás, mas que tinha sido abandonada após relatos nada favoráveis de parte dos funcionários da casa, em especial do mordomo Kim, este que sempre relatava gemidos de dor sendo ouvidos da porta do Choi mais novo e sempre encontrava sangue seco nos lençóis. Por mais que os mesmos fossem trocados todos os dias, as insistentes manchas ainda apareciam, e aquilo não parecia surpreender nem um pouco o jovem dono do cômodo, o que apenas servia para instigar mais ainda a curiosidade do mordomo.

O mesmo havia sido a primeira vítima de Chanhee que, ainda em vida, marcou ao ferro quente a fatídica data no dedo do senhor Kim. Aquilo o apavorou quando acordou de seu sono e o deixou curioso, o que aconteceria naquela data marcada tão cruelmente em si? Ele não teve muita chance de reagir à resposta de seus questionamentos, teve seu fim de forma rápida, sem oportunidade de pestanejar ou suplicar por sua vida. Rápido como era em serviço, rápido se foi para onde quer que as almas fossem.

Anos depois, Chanhee teve seu trágico fim também. Mas sua alma era inquieta, sentia a necessidade de vaguear por aí e de repetir o ato que, em vida, havia virado algo que saciava os desejos do Choi. Por isso, ao invés se seguir para seu julgamento e, muito provavelmente, pegar seu passe livre para a tortura eterna no Hades, ele optou por se alojar em sua antiga casa e fazer o que mais gostava de fazer, causar a dor.

Voltando aos Ji, a família era simples, eufóricos pela repentina mudança de vida e status após a promoção do pai para um alto cargo em sua empresa. Os primeiros meses na mansão seguiam como qualquer mês comum, nada diferente do normal e, aos poucos, eles já haviam se acostumado a sua nova vida, ao seu novo lar.

Menos um deles. Ji Changmin. O garoto se sentia incomodado ali, se sentia observado. E sempre que deitava sua cabeça e sentia o fofo do colchão sob si, era como se entrasse em um estado de dor e tortura temporário.

Ele não sabia se aquela dor, se o pavor que sentia era real ou apenas fruto de um pesadelo. Mas ele se retorcia em agonia, a dor latente queimando por todo seu corpo. Ele sentia como se sua pele fosse rasgada vagarosamente, sentia o ardor e o sangue escorrendo. E não podia fazer nada, não conseguia reagir. Era como se estivesse paralisado, apenas assistindo e sentindo sua tortura particular.

O que surpreendia o Ji era que, quando acordava, não havia uma marca sequer em seu corpo, mas o sangue estava ali manchando os impecáveis lençóis de linho. E a dor ainda persistia em si, uma dor infindável.

Changmin sempre fazia de tudo para esconder os forros sujos, sempre os levando para a lavanderia onde ele mesmo lavava. Ele mesmo passara a trocar seus lençóis e estava tão apavorado com a ideia de alguém entrar em seu quarto que agora vivia recluso ali. Sem compania, mas sentia que não estava só.

Os funcionários e moradores da redondeza comentavam pesarosos sobre o mais novo dos Ji, dizendo que o mesmo teve o azar de adquirir a "maldição" do Choi mais novo que, em vida, era o proprietário daquele quarto. Diziam que o pobre garoto logo se afundaria em uma loucura sem fim e que teria seu último suspiro da mesma maneira que Chanhee, como um assassino, um impuro.

A mãe do garoto estava preocupada e tentava de tudo para acalçar seu filho e tirá-lo dali, enchia o marido de pedidos para que se mudassem novamente, para que fossem para o mais longe possível.

Mas o que a pobre senhora Ji não sabia, era que seu amado marido havia sido corrompido pelo espírito do Choi, que agora usava o corpo do mais velho e sua influência para saber mais sobre Changmin. O garoto que torturava e sentia uma pequena atração.

O tempo foi passando e o mais novo se afundou em um sentimento tenebroso, não dormia e se recusava a manter contato com outros. Enquanto isso, Chanhee o observava e o torturava, fazendo uso posteriormente de suas lágrimas para curar cada ferimento causado em seu novo amante. Ele espalhava as lágrimas em cada ferida causada por si e deixava breves selares ali.

When October 31st arrives... - KyuNyu!¡Des histoires addictives. Découvrez maintenant