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𝕃𝕆𝕌𝕀𝕊𝔼
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Observo novamente os detalhes de mamãe antes de continuar, seus cabelos curtos e amassados pelo sono davam a ela um ar mais jovial do que o de costume.
-Levará este quadro ao ateliê ou ficará em casa?
Seu tom de crítica me incomoda, muito dos meus quadros pintados ficavam comigo, aqueles com maior significado, para ela era perca de tempo e de tinta, continuo pintando e demoro a responder .
-Levarei ao ateliê - suspiro e me levanto - está na linha de pedidos dos clientes, esperarei apenas secar
Seus olhos não fogem da leitura e ela apenas solta um grunhido positivo. Saio da sala para pegar um pouco de café, derramo o líquido pelos meus lábios e me sinto um pouco aquecida . A manhã fria de Curitiba me faz lembrar um dos motivos pelo qual odeio este lugar.
Solto a xícara e vou me arrumar, boto o uniforme e ao me olhar no espelho os pequenos olhos azuis me observam. Me viro para o quadro e aproximo desenhando com a ponta dos dedos os finos traços ali pintados, os olhos suplicantes por ajuda torna a minha aura cinza como o céu naquela manhã.As lágrimas queimam meu rosto e escorregam com facilidade.
-Te amo pequena Lily, eu ainda irei te encontrar , isso é uma promessa
Limpo as lágrimas e pego minha mochila , com passos rápidos atravesso a sala dando um curto adeus a mamãe antes de fechar a porta.
O caminho até a faculdade não era longo, mas meu maior problema era passar por aquela floresta maldita. Se eu fosse pelo outro caminho demoraria mais meia hora para chegar a faculdade, aquilo me atrasaria.
Adentro o Bosque Portugal e sinto um frio na espinha, minhas costas queimam como se alguém me observasse, acelero os passos apenas querendo sair dali, escuto o som de galhos se quebrando e começo a correr, parecia que se aproximava cada vez mais, sinto minha asma começar a atacar mas eu não posso parar.
Avisto o fim do bosque e dou um tiro com a pernas , assim que passo o portão as sensações somem, me viro para trás e não há nada além das árvores e pequenas flores. Será que estou ficando maluca? Me questiono antes de ser puxada por Alek.
-Bom dia, senhorita - seu sorriso esnobe me irrita - o que acha de sairmos essa tarde ?
Retiro com certa agressividade meu braço de suas mãos, alinho minha roupas e coloco as mechas caídas atrás da orelha
-Estou ocupada hoje - digo secamente - preciso trabalhar
Sem demais explicações adentro a escola, os olhares de dó me corroem, respiro fundo antes de ir até meu armário e retirar os livros necessários para as seguintes aulas torturante.
Escuto chamarem meu nome e dou um pequeno sorriso ao ver Anna, ela franze a testa ao ver minha situação e cruza os braços
-Foi pela floresta de novo ?
Apenas aceno que sim e ela suspira , seus braços me envolvem e eu deito em seu ombro.
-Ela está num lugar melhor Lo - ela se separa e me dá as mãos - venha, vamos para a aula
- O corpo ainda não foi encontrado, não sabemos se ela morreu
Anna não me responde , apenas faz um sim com a cabeça e me leva para a sala. Nos sentamos em dupla e o professor inicia a aula de pintura oriental, assim que noto o slide sendo ligado solto um gemido, odiava aula teórica .
Pego o caderno vermelho e observo as várias figuras de Lily, pego uma página em branco e começo a desenhá-la entre gerberas, seu olhar vivo e sorriso amoroso que eu talvez nunca mais visse , uma mão aparece e puxa meu caderno, olho para Diana com um olhar mortal e ela sorri, os olhos castanhos me olham com certo divertimento.
-Aceite Louise, ela morreu
Minha visão fica turva e eu sinto algo me preencher, meu coração acelera e sinto que eu não tenho mais controle sobre minhas ações, levanto e acerto seu nariz com um soco , uma fina linha vermelha escorre dele e eu recobro a consciência, a olho assustada.
-Desculpa , eu não queria ....
-Louise e Diana, vocês são mulheres adultas , não sabem ter um simples diálogo ?- o professor abre a porta da sala - infelizmente regras são regras, preciso que se retirem e vão para a coordenadora
Ainda em choque obedeço o professor e saio de sala, eu não estava com paciência naquele momento para levar um sermão , retiro meu celular e ponho meus fones de ouvido, vou para meu pequeno santuário , uma pequena porta abaixo das escadas, ninguém mais usava aquele lugar. Adentro e o cheiro de mofo preenche minhas narinas , acendo a luz e me sento no pequeno sofá , eu precisava limpar aquele lugar urgentemente.
Desbloqueio o telefone e coloco no aleatório, sorrio com a música que soa em meus ouvidos , Don't Matter / Derik, não havia música que representasse melhor meus sentimentos naquele momento, fecho os olhos relaxando o corpo e cantarolando em voz baixa.
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Sob a fina névoa
FantasyOs pequenos pés pisavam com cuidado as folhas secas, o cheiro pútrido do lugar deveria afastar qualquer criança, mas não a loira. Em suas minúscula mãos estão sua mísera lupa, que custava no máximo 2 reais, a lente mais distorcia do que aumentava a...
