MEU NOME É JAMES, mas podem me chamar de Jim. Não que alguém me chame assim além dos meus pais, porque, na verdade, não tenho amigos. O motivo?
Sou gay e ninguém quer se "tornar gay também", por isso nem andam comigo.
Mas não estou nem aí. Eles que vão para...opa, desculpem, quase falei um palavrão agora. Não que eu fale normalmente, claro.
Que mais vocês precisam saber de mim... Ah, sim, tenho 25 anos e faço faculdade de medicina. Meu sonho sempre foi salvar vidas, e nas poucas vezes que tive a chance de fazer isso, fiz muito bem. Moro sozinho, pois a faculdade é meio longe da casa onde morava com meus pais então juntei dinheiro trabalhando de garçom (ainda trabalho nisso) e aluguei um apartamento. Tenho planos de comprar ele ni futuro, quando eu já for médico, SE ME CONTRATAREM, claro. Não que eu não confie em mim,muito pelo contrário. Como já disse,sou gay, e digamos que as pessoas conseguem descobrir isso sem eu falei (o que eu não sei como acontece, já que "não dou na vista") e a homofobia é um negócio muito triste no mundo. Tenho um gato de estimação chamado Nick, e o nome é porque eu acho um nome bacana. Apesar do meu nome, sou brasileiro. Minha mãe conseguiu convencer o moço do cartório que James é um nome ótimo, argumentando que eu seria chamado de "James Bond" no futuro (o que não aconteceu) e ele registrou. Moro no Rio de Janeiro e faço faculdade na UFRJ.
Bom, chega de falar de mim.
Hoje acordei seis da manhã e fui tomar banho. Depois, me arrumei e fiz meu café-da-manhã. Após tomá-lo, peguei minha mochila já arrumada e fui para a faculdade, que é de manhã.
Não sei por quê, mas sinto que hoje será um dia bom.
Tomara que eu esteja certo.
Chegando na faculdade, que é bem perto de onde moro então posso ir a pé, fui para minha sala, que já estava aberta e praticamente vazia. Claro que estaria, eu cheguei sete horas lá, e a aula só começa às oito. Não sei onde eu estava com a cabeça na verdade quando resolvi sair antes das sete de casa. Ah, sim, como sempre, eu não chequei a hora. Me sentei em meu lugar e fiquei estudando para uma prova que teria em breve.
A sala foi enchendo após alguns minutos, o que para mim não importava muito, já que sento sozinho. Quer dizer, sentava.
Até que um garoto apareceu e parou na frente da minha classe.
- Olá- Eu disse, gentilmente. Vi que era muito bonito: tinha cabelos pretos e olhos verdes. Era magro e parecia não ser brasileiro, pela sua etnia. Fiquei me perguntando então se ele falava português, pois ele demorou a responder também.
-Oi. - Ele disse e sorriu. - Posso sentar ao seu lado? É que a sala já está cheia...
- Claro, fique à vontade. - Deixo até você me dar um beijo, pensei. James, não começa.
- Meu nome é Noah. - Ele disse gentilmente e sorriu, e percebi que não foi um sorriso qualquer. Foi aquele sorriso. Não estava nem acreditando que o garoto também é gay.
- Meu nome é James, mas pode me chamar de Jim. Desculpe, você é novo por aqui?
- Fui transferido da noite.
- Ah, entendi.
- Por que você é o único que está sentado sozinho? -Disse e apontou para alguns trios clandestinos na sala.
- Ah, ninguém vai muito com a minha cara.
- Eu deveria pensar melhor sobre me sentar com você?
- Só se não quer jogar no mesmo time que eu. - Provoquei, e ele sorriu.
- Ah,então é por isso.
- Sim.
- Desculpa perguntar, é que o pessoal da noite é mais mente aberta.
- Tudo bem. Realmente é estranho. Mas juro que não sou uma pessoa ruim.
-Eu acredito.
-Desculpa perguntar, mas você é brasileiro?
-Sim, só sou de origem americana. Você também não tem origem daqui, tem?
-Tenho, é só que a mjnha mãe gostava muito do James Bond e resolveu que meu nome seria James. Não sei como ela não botou o "Bond" também, acho que não deixaram no cartório. - Ele riu.
-Tem quantos anos?
-25, e você?
- Também.
-Que coincidência.
- Talvez seja destino. - Provocou, e eu senti um arrepio no corpo inteiro. Abaixei a cabeça e sorri, sem graça.
O professor chegou e começou a aula.
Noah fazia todas as cadeiras que eu estava fazendo, então rapidamente ficamos amigos.
Depois da aula, fomos almoçar juntos. Parecia que a gente se conhecia há um tempão.
-Sabe onde tem ração para gato em promoção? - Perguntei para ele. - Estou gastando muito com a ração do meu.
- Ah, você tem gato?
- Tenho.
- Qual o nome?
- Nick.
- Por causa do Nick Jonas?
- Não, é só porque eu acho esse nome legal mesmo.
- Olha, perto da minha casa tem uma agropecuária e eles estão fazendo uma promoção. Se quiser, eu te levo lá.
- Ok.- Sorri.
-Eu tenho uma cadelinha. Se chama Mia. Ela é uma pestinha. A essa hora mesmo ela deve estar achando um jeito de rasgar o sofá.
-Ah, disso eu não tenho o que reclamar do Nick. Ele é um anjo, só come e dorme. - Ri e ele também.
- Você é ativo? - Me afoguei com suco nesse momento.
- Oi? - Claro que pensei que ele estava falando na cama.
- Digo, ai, desculpa, você trabalha?
- Ah, esse ativo. - Disse, recuperando minha dignidade que caiu no chão e dando um sorriso. - Sim, trabalho.
- Desculpa, por um minuto esqueci que você também é...
- Tudo bem. Acontece. - Rimos. - Trabalho de garçom aqui perto.
- Ah, entendi.
- E você, trabalha?
- Sou vendedor de uma loja.
- Ah.
- Você ainda está vermelho. - Ele disse e riu. - Não queria te constranger.
- Não, imagina, eu que pensei bobagem. E estou vermelho por causa do afogamento na verdade.
- Ah. Está tudo bem?
- Sim, obrigado por perguntar.
- Talvez sejamos colegas quando formos médicos.
- É,talvez. - Sorri, mas eu não queria só isso dele. Quer dizer, não que eu já estivesse apaixonado, afinal só conheço ele há um dia, é só que...pensei que fôssemos amigos.
- Além de amigos, claro. - Ele corrigiu, e eu suspirei aliviado sem perceber. - Calma, não pretendo ficar longe de você.
- É o que todos fazem.
- Todos os colegas héteros e preconceituosos fazem.
- Hm...
- Talvez sejamos até namorados um dia. A não ser que namore, claro.
Ele está se oferecendo?
- Ah, não, não namoro. Talvez, mas a gente acabou de se conhecer.
- Calma,eu quis dizer no futuro Jim. -Ele riu.
- Você é tão bonitinho que pensei qur tivesse namorado.
- Ah, obrigado pelo elogio. Mas não, não tenho.
Terminamos de almoçar.
- É muito longe sua casa?
-Mais ou menos...
- É que eu não quero me atrasar para o trabalho.
- Deixa que eu compro a ração para você e te entrego.
- Ok, vou te dar o dinheiro. - Peguei o dinheiro e dei para ele.
- Amanhã eu te entrego, pode ser?
- Claro. Obrigado, de verdade.
- Que isso,não é nada. Eu vou indo para o meu trabalho.
- Tudo bem, eu também vou para o meu.
- Até, então. - Disse, timidamente, com as mãos nos bolsos do casaco.
- Até, Noah. - Sorri.
Ele foi, mas logo voltou correndo.
- Aqui. - Me deu um papel com um número. - Meu número de celular, caso você queira falar comigo. - Eu dei um sorriso de orelha a orelha e ele sorriu de volta.
- Te mando um "oi" quando eu chegar em casa.
- Ok. Até. - Foi e fui para o meu trabalho.
Coloquei meu uniforme preto e o avental branco e começei a trabalhar.
- Cuidado para não espantar os clientes com a sua viadagem. - Alan, meu colega, disse, para já começar bem a tarde.
O ignorei e continuei meu trabalho.
- Olá. Querem fazer seus pedidos? - Perguntei gentilmente a um casal é entreguei-lhes o cardápio.
Eles pediram, eu anotei os pedidos e levei para a chef, que é a única que vai com a minha cara dos funcionários desse restaurante.
- Não liga para o Alan. - Catarina, a chef, disse.
- Eu nem dou bola mais. Ele não vai estragar meu dia.
-Exatamente. Assim que se fala, James Bond.
- Fala isso na frente da minha mãe e ela vai querer casar com você.
- Ah, verdade, por isso seu nome é James né? Tinha até esquecido. - Nós dois rimos.
- Até daqui a pouco. - Disse quando parei de rir e voltei ao meu trabalho.
Onze da noite fui para casa. Chegando lá, meu gato estava dormindo (Como sempre) no sofá. Deixei ele lá e fui preparar algo para comer. Mandei o "oi" para Noah. Jantei e depois dei ração para o gato.
Quando Noah respondeu, eu estava sentado no sofá vendo televisão.
"Oi Jim.
Consegui um preço especial na ração do seu gato."
"Eu: Que ótimo. Obrigado, de verdade."
"Noah: O que você vai fazer sexta à noite?"
" Eu: Trabalho até às onze."
"Noah: Ah, entendi."
"Eu: Mas sábado estou de folga."
"Noah: Sábado Eu trabalho..."
"Eu: Ah..."
"Noah: Mas pela tarde eu posso. Que tal você vir aqui tomar uma cerveja?"
"Eu: Ah, claro. Mas eu não sei onde você mora."
"Noah: Vou te passar o endereço.
(Mandou o endereço)
Você toma cerveja né? Eu me sentiria um idiota se te convidasse para beber, sendo que você nem bebê."
"Eu: Bebo,sim. Pouco, mas bebo. Só não prometo que ficarei bêbado a ponto de cantar músicas nada a ver com você."
"Noah: Não tenho essa intenção. Também não bebo muito. Só o necessário."
"Eu: Para que?"
"Noah: Para relaxar."
"Eu: Você não é o tipo de gay que bebe para ficar com outro garoto, né?"
"Noah: Não, não se preocupe. Já passei dessa fase. Você é?"
"Eu: Não. Faço isso sóbrio mesmo."
"Noah: (Risos).
Podíamos estudar juntos para a prova que vai ter semana que vem."
"Eu: Ah, claro."
Estudar?
"Noah: Brincadeira, só queria ver o que diria (risos). Estou te convidando para vir aqui para relaxar."
"Eu: Entendi."
"Noah: Nossa,minha cadelinha está rasgando a capa do sofá aqui, até daqui a pouco."
"Eu:Até."
Nick veio para o meu colo.
- Oi Nick! Dormiu muito hoje? - Perguntei, alisando seu pelo.
-Miau.
Um pouco depois fui estudar para a prova. Vi umas vídeoaulas, o que me ajudou muito.
Depois fiquei deitado pensando no dia de hoje. Noah parece ser um cara legal. Não que eu tenha me apaixonado à primeira vista, claro que não. E ele gosta de animais, então não deve ser uma pessoa ruim. Sempre pensei que, se a pessoa gosta ou tem um bichinho de estimação, má pessoa ela não deve ser. Posso quebrar a cara com esse pensamento? Claro que posso. Mas prefiro pensar assim a achar que o ser humano não tem mais jeito.
E aliás, ele é bem simpático. Quando lembro que ele me perguntou se sou ativo, fico vermelho. Claro que eu pensaria que seria qualquer coisa, menos trabalho. Mas ele perguntou numa inocência que me fez ficar com vergonha de ter pensado besteira. Apesar de eu achar que foi, de certa forma, uma indireta, por que não é possível que ele seja tão inocente assim.
Acabei dormindo pensando nisso tudo e acordei cinco da manhã. Fui ver meu celular, tinham algumas (várias) mensagens de Noah.
"Noah: Oi, desculpa a demora.
A Mia rasgou toda a capa do sofá. É o sofá.
(Mandou foto)
Mas não consigo ficar irritado com essa pestinha.
Então, qual seu signo?"
Eu respondi.
" Eu: Bom dia.
Nossa,que estrago hein?
Por que não compra um brinquedo para a Mia,sei lá, um isso, por exemplo? Assim ela se distrai e não assassina o seu sofá.
Sou escorpiano, e você?"
Para minha surpresa, logo meu celular tocou. Era ele quem tinha respondido. Acorda cedo o garoto.
"Noah: Nossa, acordou cedo hein?
Bom dia.
Talvez seja uma boa ideia. Vou comprar um isso ou um bichinho de pelúcia, já que ela gosta de rasgar coisas, acho que a segunda opção é mais adequada. Vai fazer uma sujeira danada aqui em casa, mas, desde que não seja do meu sofá, maravilha.
Sou pisciano."
Eu ri com suas mensagens e respondi.
"Eu: E como você está, apesar do assassinato do seu sofá?"
" Noah: Bem,e você?"
" Eu: Bem,apesar de ter dormido pouco."
" Noah:Dá uma dormida. Ainda dá tempo."
"Eu:Tenho umas coisas para fazer antes de ir para a fácil, então nem dá.
Noah, talvez eu me atrase. Caso isso aconteça, avisa o professor pra mim que já vou chegar?"
" Noah: Claro, fica tranquilo."
Fui colocar uma roupa para lavar e depois dei uma varrida no apartamento. Arrumei minha cama e fui preparar o café. Para minha sorte, a máquina terminou de lavar a roupa a tempo e estendi na sacada. Espero que não bagunça nada, como Da última vez, e não deixem uma carta me ameaçando de morte por trazer garotos para o meu apartamento. Sim,isso aconteceu MAIS DE UMA VEZ, e Eu NÃO INCÔMODO quando trago algum crush para o apart.
É só porque " É um local de família e Eu vou influenciar os filhos dos vizinhos q serem gays e blá blá blá."
Aff, tenho que aguentar cada coisa.
Tomei meu café com pão rapidamente e fui tomar banho. Depois me arrumei e saí de casa correndo para chegar na faculdade a tempo. Eram 7:50.
Mas CLAAAARO que tinha que aparecer alguém para me incomodar, e CLAAAARO que é uma das vizinhas de sempre, a senhora Amélia.
-Vai ficar chegando tarde até quando? Atrapalha nosso sono com seus barulhos!
- Bom dia senhora Amélia. Eu chego tarde porque trabalho até tarde. É tento fazer o mínimo de barulho possível.
- É,mas não conseguiu. Você e o seu namoradinho.
- O que? Não trouxe ninguém para o meu apartamento ontem. Foi outro vizinho.
- O único vizinho viado aqui é você.
Coitada,não sabe de nada.
- Vai nessa que vai quebrar a cara. Podemos conversar sobre os vizinhos viados depois?Estou atrasado para a minha aula na faculdade.
- Ah, então você faz faculdade.
- Sim, talvez a senhora até precise dos meus serviços algum dia, então, com licença- Entrei no elevador.
Saindo do prédio,corri o mais rápido que pude,mas quando cheguei na faculdade a aula já tinha começado. Bati na porta,que estava aberta.
- Com licença professor, desculpe o atraso. Posso entrar?
- Claro James. Noah já havia me avisado que podia se atrasar um pouco. - Os professores, diferentemente dos alunos,me adoram.
Bem, diferentemente dos alunos, exceto Noah.
- Obrigado. - Entrei e sentei-me ao lado de Noah. - Bom dia.
- Bom dia. Você correu? Está ofegante.
- Sim, tive que correr. Se minha vizinha não tivesse me parado na frente do meu apartamento dava tempo. Depois te conto.
No intervalo de uma aula e outra, contei o que houve para Noah.
- Te ameaçam de morte?
- Não é sério. Pelo menos nunca me agrediram diretamente.
- Melhor não falarmos disso, não tenho provas. Enfim,minha vizinha acha que sou o ú ido morador gay daquele prédio. Pelas minhas contas,só no meu andar,tem mais dois.
- Como sabe?
- Os barulhos deles à noite com seus namorados me confirmaram. Só que, Claro,para meus vizinhos preconceituosos, eu sou o único gay daquele prédio.
- Por que cismaram com você?
- Os outros são meio ricos,eu não.
- Ah, entendi. Tem Certeza de que não está correndo perigo? Se estiver,pode falar,eu te ajudo.
- Não,não estou. Eles só bagunçam minhas coisas e deixam umas cartinhas intimidadoras, não tenho medo.
- No meu prédio às vezes me falam umas coisas também.
- Tipo o que?
- Que sou uma má influência para as crianças.
- Ah,normal né. As pessoas acham que só porque elas veem um gay vão ser gays também.
A aula começou e prestamos atenção.
Depois da aula, fomos almoçar.
- Ah, já ia me esquecendo. - Pegou uma sacola na sua mochila. - A ração do seu gato.
- Ah,obrigado. - Sorri e peguei a sacola.
- Deixei seu troco aí dentro.
- Obrigado,mas podia ficar com o troco.
- Imagina. Não é fácil arcar com as despesas quando se mora sozinho.
- Como sabe que moro sozinho?
- Ah, eu meio que adivinhei, pois você não falou nos seus pais. Eu também moro sozinho, meus pais me escurraçaram de casa.
- Nossa, sinto muito.
- Imagine,não é nada.
- E o seu sofá? Vai fazer o quê com ele?
- Vou ter que comprar outro. Mas por enquanto vou colocar uma capa para disfarçar os rasgões.
Às vezes tem alguns em promoção naquela loja que tem aqui perto da faculdade.
- Sou péssimo em pechinchar.
- Eu vou com você e te ajudo. Não querendo me tava e,mas eu me tornei o mestre dos descontos nesses anos que estive morando aqui.
- Pode ser então. Eu te aviso daí quando eu for.
- Tá bom. - Sorri.
Um pouco depois fomos para os nossos trabalhos.
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Jim & Noah
RomanceJames é um universitário de 25 anos que é um pouco(totalmente) discriminado pelos colegas de medicina por ser gay. Mas ele nem liga, seu sonho é salvar vidas e ele irá realizá-lo. Um dia, um novo aluno é transferido para sua turma, e seu nome é Noah...
