CAPÍTULO I - Reencontro inesperado

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Após uma longa viagem em meio ao deserto de Dallagorn, a pequena garota freia seu camelo bruscamente e se anima com o que acabava de avistar adiante. Depois de alguns segundos paralisada, ela respira fundo, desce do animal com dificuldade devido a sua estatura, pisa nas areias com sua bota que afunda levemente nas dunas do deserto e começa a caminhar em direção à aquela imagem que à deixava animada. O fim do deserto estava próximo, suas botas não mais afundavam nas areias e pequenos vestígios de grama apareciam em meio ao chão daquele local. Ao caminhar mais alguns metros, o mato já tomava conta de tudo ao seu redor e mais à frente, várias cabanas danificadas que pareciam não estar sendo habitadas há anos. Então a garota se aproximou pensando estar sozinha naquele local, mas antes de encostar nos velhos panos de um dos barracos, um som vindo de seu interior à alertou. A pequena garota imediatamente se deitou em meio ao mato alto e observou um grande ser sair de dentro daquela cabana. Um Reptiliano passou pela porta, levantou seus braços parecendo se espreguiçar e bocejou em voz alta, caminhando para longe.

- Pelos meus cálculos, eu estou na comunidade deles. Só preciso achar aquele pergaminho e ir embora. - A garota pensou enquanto vasculhava sua bolsa.

Ela então tirou um pequeno frasco com um liquido azul de sua bolsa e o bebeu, fazendo uma careta após ingerir aquele líquido. Segundos se passaram e sua mão começou a desaparecer, em seguida seu braço e suas pernas e momentos depois a garota havia desaparecido completamente, apenas suas pegadas apareciam em meio ao mato.

- Eu nunca vou me acostumar com isso. - A garota pensou enquanto estava invisível.

Sem tempo a perder, ela entrou na cabana em que o Reptiliano saiu e vasculhou o lugar procurando aquele pergaminho que ela tanto queria, mas sem sucesso.

- Merda! Ele não vai estar em qualquer lugar... Preciso encontrar um lugar que pareça ser protegido por aqui. - Ela pensou.

Caminhando em meio a comunidade dos Reptilianos, a garota notou que a maioria dos seres estavam em seu horário de descanso e se animou por ter acertado o horário exato em que planejava chegar no local. Caminhando mais um pouco, ela viu uma grande construção de madeira que parecia ser muito bem protegida.

- Tenho certeza que ele tá aqui! - Pensou a garota.

Após averiguar aquele grande forte de madeira, ela pensou na maneira mais fácil e rápida de adentrar no local:

- Sei que é errado, mas não tenho tempo. A poção de intangibilidade é a maneira mais rápida de entrar aqui... Mas usar duas poções ao mesmo tempo pode causar efeitos colaterais inimagináveis.

A garota então encostou suas costas no muro daquela construção, respirou fundo, baixou sua cabeça preocupada e colocou uma de suas mão dentro da sua bolsa, procurando a poção de intangibilidade. Depois de tomá-la e colocar o frasco dentro de sua bolsa novamente, ela estendeu sua mão em direção à construção e se aproximou até metade de seu corpo atravessar a parede do forte, e com um sorriso no rosto invisível, a garota passou pelo muro e enfim entrou no interior da construção.

O lugar era pequeno, parecia haver apenas um cômodo e a escuridão tomava conta de tudo, apenas o meio da sala era iluminado, dando destaque a uma pequena mesa desgastada. O pergaminho estava lá, em cima da mesa, era só pegá-lo e ir embora, mas nem tudo são flores. A garota se aproximou com toda sua inocência e sem ver, pisou em uma das armadilhas colocadas no piso daquele local, disparando um alarme tão alto que acordou toda a comunidade dos Reptilianos, e como já não bastasse isso, o efeito de invisibilidade acabou e ela reapareceu em meio aquela sala escura que acabou se iluminando por inteira e uma grande porta se abriu em uma de suas paredes, revelando dúzias de Reptilianos armados com adagas e espadas, famintos por sangue.

- Eles não vão conseguir me tocar, eu posso simplesmente correr até despistá-los, mas acho quase impossível... Logo o efeito de intangibilidade vai passar e eu tô ferrada. - A garota pensou enquanto caminhava para trás.

- Foi um engano! Eu não deveria estar aqui! Me desculpem! - Ela gritou para o Reptilianos que pareciam não ligar para nada do que ela dizia.

Os seres raivosos apenas caminhavam sem parar em sua direção e quando tudo parecia estar perdido, uma voz ao fundo gritou em tom de autoridade:

- PAREM! Deixem-a em paz.

Os reptilianos se viraram para a mulher de armadura e a questionaram sobre sua identidade:

- Afinal, quem é você?

- Eu sou a Tenente Edda de Evarok. Essa garota é uma foragida do reino e tenho o total direito de retornar com ela para ser julgada perante as leis do sul! - Edda gritou se aproximando dos reptilianos.

A Tenente sabia exatamente quem era o líder daquela comunidade, olhou diretamente em seus olhos em meio a todos os reptilianos e sussurrou:

- Vai mesmo querer desafiar a poderosa Evarok?

O líder dos reptilianos baixou a cabeça e deu um passo para trás, fazendo com que todos se afastassem da garota.

- Fizeram uma boa escolha. - Edda disse enquanto se aproximava da intrusa.

- Edda?! Quanto tempo... - A garota sussurrou parecendo a conhecer há anos.

- O que você tá fazendo aqui, Khara. Você quase morreu. - Edda sussurrou brava.

Sem tempo a perder, a Tenente tentou pegar no braço de Khara, mas sua mão atravessou, deixando-a surpresa.

- Eu usei uma poção... - Khara disse se explicando.

- Esse pessoal de Avalonia inventa cada coisa. - Edda disse revirando seus olhos. - Venha, me siga e não olhe para eles.

As duas então caminharam para fora da comunidade e chegaram perto do Deserto de Dallagorn, onde o camelo de Khara estava e então Edda parou na frente de Khara e perguntou:

- E aí, o que você tava aprontando na comunidade dos reptilianos do sudeste?

Khara apenas passou por dentro de Edda com sua intangibilidade e disse enquanto caminhava em direção ao seu camelo:

- Eu só queria um artefato deles... É pro meu trabalho, sabe.

- Você ainda trabalha no mercado negro de Avalonia? Khara, você tá perdida. - Edda disse esboçando um pequeno sorriso.

Khara baixou a cabeça enquanto colocava sua bolsa em seu camelo e paralisou por alguns segundos.

- Ei, eu só tava brincando... Você pode fazer... o que quiser da sua vida. - Edda disse se aproximando de Khara, pensando tê-la magoado.

Edda ainda se aproximava de Khara quando a viu caindo no chão, já sem consciência, e sem saber o que fazer, a Tenente correu em direção a Khara a segurando em seus braços.

- Tá bom, Khara, você já brincou demais hoje... Khara?! Droga! - Edda gritou sem saber o que fazer. - Passos longos, você consegue nos levar até Evarok?

O camelo apenas as observava sem entender.

- Vou entender como um sim. - Edda disse colocando Khara ainda sem consciência no camelo. - Que droga, Khara, o que eu vou dizer pra Constance quando chegar em Evarok?
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Continua...

Hondengard: A ascensão de KlauthHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora