Depois de uma briga de crianças, Mabi é obrigada a passar parte da infância e adolescência trancada em uma escola para crianças "especiais" .
Alguma coisa acontece durante a viagem até o colégio e a menina perde a memória. Depois de muitos anos, Ma...
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Noites de lua cheia sempre foram as preferidas de Selene, uma bruxa adorável que morava em uma pequena vila no sul de Crisca. O vento uivando, o frescor da primavera e a paz incondicional era o que a fazia feliz. Nessas noites em especial, ela se dedicava ao ritual de purificação, levando consigo apenas um cajado para ajudar na subida até o alto da grande colina, sua varinha mágica feita do galho de um carvalho e as ovelhas que pastoreava.
Quando finalmente chegava até o topo, ela deixava que as ovelhas fossem pastar livremente enquanto ela simplesmente se sentava ao pé de uma árvore, tirava as botas e sentindo a terra embaixo de seus pés agradecia a mãe natureza por ter lhe proporcionado o necessário para sobreviver ao último mês. Uma vez no mês. Sempre após a meia noite. Era sagrado e nada a impedia de ir.
Às quatro e trinta e sete, ela se levantava e se punha a dançar descalça uma cantiga que ela mesma entoava. Seu vestido de tecido leve se movia gentilmente no ritmo da dança e de sua varinha emanava uma luz que a circulava como uma fita colorida. Ela só parava quando a árvore, a única árvore naquela colina, se enchia de flores.
Mas em uma determinada noite, durante o ritual, ela ouviu um ruído desconhecido que a fez interromper a dança para procurar quem a observava na calada da noite, sem imaginar que a profecia começava a se cumprir.
— Quem me observa? – Selene perguntou iluminando o máximo que podia a sua volta.
Quando da escuridão surgiu um homem de cabelos negros e revoltos como noite de tempestade, olhos cor de oceano e pele tão gélida como o inverno, fazendo brotar em sua alma sentimentos que ela desconhecia e que agora a assustava.
— Me perdoe por tamanha ousadia, mas não resisti aos seus encantos desde que a vi pela primeira vez há algumas estações – ele pediu tentando se explicar enquanto a olhava ainda de longe, temendo espantar aquela que lhe fazia se sentir vivo novamente.
Serena não sabia o que fazer ou dizer. Estava perdidamente apaixonada por aquele homem e mesmo não conhecendo ainda sua linhagem, ela já sabia que qualquer relação entre eles seria proibido.
— Você está em terras proibidas. O que faz em nossas terras? – Ela perguntou se forçando a ser firme com ele quando finalmente a sensatez lhe voltou à cabeça.
— Me perdoe por isso também, mas quando te encontrei procurava por meu avô que sumiu há alguns anos nessa floresta sem deixar pistas do seu paradeiro. Ainda tenho esperança de que ele possa ainda estar por aí, talvez tenha fugido para viver aventuras.
— Que tipo de aventuras?
— Dizem que ele se encantou por uma bruxa. Podem ser apenas boatos, mas boatos ou não, eu o procuro.
— E como sabia que eu estaria aqui hoje?
A pergunta dela era a abertura da qual ele precisava para se declarar.
— Por tantas noites, desde aquela em que a vi dançar e cantarolar tendo apenas a lua, ele e as ovelhas como plateia, que ele a esperava naquela colina, escondido nas trevas, acreditando que um dia teria coragem suficiente para dizer o quanto a amava sem mesmo conhece—lá.
Selene riu quando aquele homem de tão bela aparência terminou de se declarar. Um riso doce e alegre que rapidamente se transformou em fel.
— Exijo a verdade!
Ela bradou erguendo sua varinha e o arremessando contra a árvore que o prendeu com seus galhos.
— Essa é a verdade. Juro por toda eternidade que já vivi. Você é o ar que eu ainda respiro, o motivo dos meus sorrisos. Você é tudo com que sonhei.
Selene permaneceu em silêncio, encarando aqueles olhos que pareciam esconder séculos de segredos.
Naquela noite, ela ainda não sabia quem ele era.
Mas o destino já sabia exatamente quem os dois seriam um para o outro.