Mave Gale. Pode-se a descrever como o próprio mal. A derivação de encrenca. Se você acha que conhece alguém ruim multiplique isso por cem e você provavelmente terá uma Mave Gale.
•Braços cruzados? Confere.
•Mascando chiclete com a boca aberta? Confere.
•Unhas com esmalte preto descascado? Confere.
•Vocabulário extenso para ofensas? Confere.
Há cinco minutos eu estava fazendo uma lista mental para ter certeza que o professor Evans tinha realmente colocado Mave como minha parceira de pesquisa.
-E aí, boneco de porcelana. - Ela se sentou ao meu lado jogando seus cabelos degradê para trás com um sorriso cínico.
-E aí, Mave. - Eu disse sem muita animação.
O professor Evans levou mais de meia hora para explicar o que ele queria no trabalho e nesses trinta minutos eu bolava um arsenal de argumentos do porque um trabalho com Mave Gale não tinha a menor probabilidade de acontecer. Quando o sinal bateu todos os alunos saíram da sala como se fossem um bando de touros selvagens, juntei todo o meu material e fui até a mesa do professor com a minha folha rabiscada.
O professor Evans era alto e barrigudo, usava sempre os mesmos tons de terno bege e uma gravata amarela sem graça, tinha um sorriso cheio e uma maleta que carregava como se fosse um brinquedo novo. Ele era o mais legal de todos os professores do ensino médio e amava tanto a geografia que nos fazia decorar uma dezena de músicas sobre temas geográficos todo ano e por incrível que pareça funcionava mesmo, desde o quinto ano nunca me esqueci das bacias hidroelétricas de Contmiddle.
-Nem pense nisso, senhor Krynt. Sei exatamente o que quer com esse papel rabiscado. -Ele olhou para mim abaixando o olhar até o papel que eu tinha em mãos.
-Mas, senhor...
-Quantas vezes eu vou ter que pedir que melhore essa letra, Dan? Sinceramente, nem um arqueólogo é capaz de desvendar isso. Queira me desculpar, mas, está na hora de ir embora. Te vejo semana que vem e não esqueça da pesquisa sobre o sistema feudal. - Ele deu uma piscadela e saiu pela porta me deixando parado feito um bobo.
Antes de sair da sala olhei para a minha mesa e vi Mave na mesa ao lado espionando a janela e rindo de alguma coisa que acontecia lá embaixo do lado de fora da escola. Quem a via assim não imaginaria o quão conturbada ela é, Mave é tão inteligente quanto má e ardiosa. Aproveitei que ela estava distraída e sai o mais rápido que pude da sala.
Passei na cantina para pegar o meu almoço e de longe pude ver Ivy sentada perto do balcão da cafeteria com um copo enorme de café expresso. Ivy é a minha melhor amiga. Ela é a pessoa mais fascinante que eu conheço. Não sei bem quando a conheci, pelo que sei somos amigos desde pequenos mas não sei ao certo como isso aconteceu, só sei que aconteceu.
-Já te disse que esse tanto de cafeína dá pra acordar uns cinquenta defuntos fácil? - Ela fez uma careta antes de dar risada e eu sentei ao seu lado pegando seus blocos de anotações.
-Hoje não Danizinho. Eu estou atrasada com os trabalhos da Morgana Traiçoeira e eu preciso muito mesmo de no mínimo um sete. - Reviro os olhos e pego seu copo de café tomando um gole.
Notas importantes para entender Ivy Meltti: Ela inventa nomes e codinomes para todos e não, nossa professora de matemática não se chama Morgana Traiçoeira. Coitada da senhora Filt.
Pergunto a Ivy como foi o fim de semana na casa dos avós e ela abre um sorriso torto quando conta que sua prima chata, codinomeada como Chinelo de Cristal, caiu do telhado quando tentou escapar do avó de Ivy.
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Mave Gale e a Origem do Mal
FantasyDanilo Krynt é um menino de 17 anos como qualquer outro. Sua vida é pacata desde que se entende por gente e não faz força para mudar isso, pelo menos, ele não precisou porque a revira volta de sua vida aconteceu assim que Mave Gale se sentou ao seu...
