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❝ O encontro inesperado, as situações inusitadas, o que não foi combinado, mas tinha que acontecer. ❞
Ruben Alves

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A introdução
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Onde estão as chaves? Onde estão as chaves?

Banheiro? Não, eu já tinha olhado. Cozinha? Não...

Tentei manter os olhos longe do meu relógio de pulso. Se eu olhasse, os ponteiros só apontariam o óbvio: Estou atrasada.

Tentei manter a calma, principalmente depois de esbarrar os braços nervosos na Torre Eiffel de decoração, quase a derrubando.

Olhei em minha bolsa de novo, e me repreendi mentalmente. Claro que estava lá. Não tem como achar nada nesse buraco sem fundo.

Girei o chaveiro uma vez na ponta de meus dedos e me preparei para começar a correr para o carro quando um barulho alto me fez parar e olhar para a porta, de onde uma série de xingamentos saiam.

Claro que os xingamentos não vinham da porta e sim do gigante de 24 anos, tão desastrado quanto eu, parado perto dela.

"Não ria." Meu irmão resmungou, esfregando o ponto da testa que ele tinha metido na madeira.

Apertei os lábios, me esforçando para não deixar uma risadinha escapar. "Estamos atrasados".

"Você tá atrasada" Ele retrucou, voltando a andar para dentro do meu quarto, se jogando na cama. "Tive minha cota de sermões ontem, hoje os holofotes são todo seus. Aproveite"

Fiquei tentada a devolver a provocação, mas eu estava mesmo atrasada. Me limitei em suspirar meu descontentamento enquanto saia do quarto. "Tira esse pé preto da minha cama, Trevor", eu gritei das escadas.

"Não!" Foi a única resposta que recebi da criatura irritante que compartilhara do mesmo útero que eu.

Balancei a cabeça em negativa, tentando não tropeçar nos degraus.

Aposto que meu pai estaria me ligando nos próximos 15 minutos se eu não desse nenhum sinal de vida, coisa que eu vou fazer assim que chegar no carro. Prefiro eu mesma avisar do meu atraso do que ele vir me procurar por isso.

Dei graças a Deus pelo elevador estar funcionando pela primeira vez no mês. Irônico que num prédio de luxo ele estivesse sempre em manutenção. Fui batucando meu pé no chão do 8º até o térreo, cantarolando Eye of the Tiger.

"Bom dia, senhor Davies", cumprimentei, assim que pisei fora da caixa de metal. O homem de cabeça branca levou um pequeno susto, fechando a revista rapidamente.

"Hm... Bom dia, é, Candice"

Ignorei o fato de ele ter falado meu nome errado. Também ignorei a revista da playboy com uma capa bem
explícita que ele tentava esconder com o ante-braço. Simplesmente lhe sorri e continuei andando. O porteiro do próximo turno era mais atencioso... eu acho.

Pesquei meu celular na bolsa assim que meu traseiro encontrou o banco do carro. Conectando o bluetooth com o carro, liguei para meu pai.

Rezei para o humor dele estar bom o suficiente para ele não me atender com muita grosseria. Não é que ele fosse sempre rude... É só que atrasos despertavam o pior dele, assim como o tipo de reunião que ele está nesse momento. E que eu deveria estar também.

"Alô?"

"Candace! Onde você está?!", sua voz trovejante quase estourou as janelas do carro. Sem bom humor, então.
"Oi pai, tudo bem aí?" Eu me fiz de boba. Um de meus muitos talentos, tenho que dizer.
"Tudo bem o cacete!", voltou a berrar. "Ou você aparece aqui em 15 minutos ou você aparece em 15."

Que longa lista de opções... "To passando pela ponte. Juro que vou furar o máximo de sinais que eu puder por você". Falei, já sabendo que isso despertaria o lado super protetor dele.

E de fato, lá estava: "Não, não.", ele suspirou profundamente. Eu podia quase visualizar ele apertando a ponte do nariz com o indicador e o polegar. "Dirija devagar e com cuidado. Vou falar que você pegou um engarrafamento".

"Obrigadinha", cantarolei. E agora eu podia visualizar ele revirando os olhos. Previsível, eu diria.

"Tchau, filha"
"Tchau, pai. Já to chegando"
"Tá bom" Ele suspirou de novo. Que droga. Não era para eu ter demorado tanto para sair de casa.

Eu tinha acordado mais cedo só por causa disso, mas acabei voltando a dormir depois de fazer xixi. Que burrice... Se eu tivesse feito xixi e lavado meu rosto estaria de pé proativamente antes. Nem café eu tomei.

Batuco os dedos no volante enquanto esperava o carro da frente se mover. Será que tinha uma barrinha de cereais na minha bolsa? Larguei o votante e catei minha bolsa no banco do passageiro.

Eu tinha certeza que tinha deixado uma aqui ontem. Comprei 5 no mercado semana passada. Ainda continuava entretida com a bolsa/buraco negro quando um barulho de estilhaço me fez pular no acento.

Olhei pelo pára-brisa e pelo retrovisor frontal como primeiros instintos, mas me levou apenas alguns segundos para perceber que o problema era no retrovisor lateral.

"Você só pode estar de brincadeira com a minha cara", eu resmunguei, saindo do carro.

Uma moto estava parada alguns metros à frente, um homem de capacete pegando no chão o retrovisor que fez o favor de arrancar.

Minha raiva era tanta, que fiz questão de ignorar os ombros robustos do motoqueiros, assim como os olhos azuis que pareciam brilhar preocupados.

Por que esse homem tinha que subir a viseira do capacete mesmo? Ah, claro, para eu ver a cara do sujeito que arrancou uma parte do meu carro. E simples assim eu já tinha pedido o interesse. Mas será que a boca seria tão boa quantos os olhos... Candace! Me repreendo mentalmente. Retrovisor. Quebrado. Espelho. Chão. Reunião. Pai.

Droga! Eu me atrasaria ainda mais.

"Moça, eu sinto muito... Um cara me fechou e eu acabei esbarrando no seu carro"

Esbarrando? Tá mais para colidindo fortemente. Meu sangue fervia com o nervoso, principalmente por causa do atraso. Só que eu sabia que isso era inteiramente minha culpa. Se eu tivesse saído mais cedo de casa, já poderia estar na reunião.

Também tenho certeza que o cara não arrancou meu retrovisor por querer. Não vejo porque eu teria o direito de descontar minha raiva nele se sei que não fez de propósito.

"Eu to muito atrasada para uma reunião agora. Me passa seu número que eu te ligo mais tarde" falei, me inclinando para dentro do carro para catar meu celular.

Ele rapidamente me proferiu mais um pedido de desculpas, que eu, mais uma vez, tentei não notar. Até a voz do homem era sensual, pelo o amor de Deus.

Depois de escrever seu número rapidamente na minha agenda, me devolveu meu telefone e voltou para sua moto.

Entrei em meu carro e voltei a dirigir, o trânsito agora parado por minha causa.

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⏰ Last updated: Jun 22, 2025 ⏰

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