12 de janeiro de 2028. Esse foi o dia exato em que os homens tiveram certeza.
Antes disso, no dia 06 de agosto de 2027, a NASA recebia informações coletadas pela sonda New Horizons no Cinturão de Kuiper que, ainda que não o soubessem de imediato, mudariam para sempre os rumos da agência norte-americana. "O que faremos agora? Vamos tornar pública a informação?", era a maior dúvida entre os membros da alta cúpula da agência, mesmo muito antes da constatação que demorou meses. Quando as milhares de imagens chegaram na primeira vez passaram por correções, filtros e ajustes que deixavam tudo mais vistoso ao "respeitável público".
A coisa começou mudar quando Frank, estagiário fuçador querendo mostrar serviço, insistiu em fazer combinações diferentes das recém chegadas imagens de um corpo celeste de 240 km de diâmetro orbitando o Sol a uma distância de quase 7.000.000.000 km. Muitos testes foram feitos até que uma das combinações chamou sua atenção. A combinação de imagens gerava uma significativa nitidez em um ponto específico do corpo celeste que parecia ser uma instalação móvel parecida com o modelo que, não muitos anos antes, a NASA desenvolveu para tentar enviar para Marte. Frank, achando curioso que a formação rochosa tivesse ficado daquele jeito naturalmente, mostrou a imagem a um colega, que mostrou para outro e assim por diante até chegar em um dos seus superiores, George – que no caso sou eu. Eu olhei as imagens e, sem dar indicativos, levei ao restante da administração com pressa. Só precisei fazer isso.
"Quem diabos levou uma instalação móvel pra lá se não fomos nós?", essa era a pergunta que valia o desvio da rota. Perguntas mais desconfortáveis começaram a surgir com a decisão inusitada de alterar a rota da New Horizon para olhar de perto o corpo celeste denominado inicialmente de 2027 LY, a essa altura apelidado de Uninvited. A sonda voltou até cerca de 8.000 km de Uninvited e começou seu trabalho. Com as imagens novas, uma primeira certeza: de fato, havia uma instalação por lá, com aspecto semelhante ao projeto da NASA, mas, sem dúvida alguma, enviada por outra agência muito mais avançada, pois a própria NASA ainda não havia lançado com sucesso nem mesmo para Marte. Aquilo bastou para que membros da administração contatassem o presidente.
Logo de início, a sonda já detectava sinais que eram enviados da instalação. A questão era saber quem estava recebendo os sinais – até então indecifráveis. O orgulho atrasou que as informações fossem passadas também para os demais países que sabem muito mais do que revelam – dentre eles, a Alemanha, a Rússia e o Japão. O orgulho daria lugar à insegurança muito antes do que eles imaginavam.
12de janeiro de 2028 chegou. Com todas as agências de olho, a sonda simplesmenteparou de enviar sinais e desapareceu. A partir daí, as maiores potênciasmundiais, em uma secreta parceria, tentaram de tudo, mas foi inútil. Havia algolá fora, algo perto, e estava de olho neles todos. Nenhuma daquelas naçõespodia entender o que estava acontecendo de verdade. Os sumérios, esses sim, senão tivessem desaparecido, tinham informações necessárias tanto para entender oproblema. Talvez os acadianos também, mas os sumérios, sem dúvida. Se ao menosa humanidade tivesse acesso àqueles escritos enterrados nas ruínas de Uruk,cidade também enterrada, as coisas seriam diferentes. Bem, eu tenho algumasinformações privilegiadas.
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Os Ocultos Emergirão
Science FictionFinalmente, a sonda New Horizon enviou informações à NASA sobre o Cinturão de Kuiper. Em pouco tempo, o presidente precisou ser contactado, com uma única certeza: as coisas por aqui não seriam mais as mesmas.
