O carro parou. A música de minha autoria continuava a tocar na rádio local. Deprimente. Música deprimente, situação deprimente, psicológico deprimente. Talvez não devesse ter ficado por mais tempo na cidade vizinha tentando resolver aquele maldito problema que nem eu mesma tinha criado, mas os usados são os ingênuos. Saio e reparo que o automóvel ficou atolado. Deprimente. Como uma pessoa consciente, começo a chutar a placa de trás do carro. Não dava mais. Tudo errado. Está tudo dando errado. Uma porta abre. Uma senhora caminha até mim perguntando se eu preciso de ajuda. Me viro rapidamente para dizer que a mesma não precisa se preocupar, pois pretendo vegetar em meu carro até a minha morte vir. Mas paro. Caralho.
"Não se preoc- Sra. Miller?" Não, não, não, não, não... Logo a mãe do meu ex?
Ela nem espera. Me dá aquele abraço acolhedor que eu amava, mas agora me parece um pouco estranho, e, como sempre, começa a tagarelar, dessa vez sobre como é bom me ver, mesmo que nessa situação, tudo isso ao mesmo tempo que me arrasta em direção a Casa De Natal Dos Millers. Não posso entrar aqui, definitivamente não posso. Tento intervir dizendo que não quero incomodar e que preciso ir rapidamente para casa, o que não adianta, dizendo que é bobagem ela abre a porta de casa e me deparo com o Sr. Miller sentado naquela velha cadeira, que eu o ajudei a fazer, de frente para a lareira. O velho rabugento com um coração de ouro pergunta quem era a doida que estava quebrando o próprio carro, com vergonha e, no fundo, me sentindo feliz, digo que fui eu. Ele se vira para mim em uma velocidade indescritível e com os olhos arregalados, corre e eu recebo seu abraço urso, que me tira do chão e me gira no ar. Dou uma gargalhada. Faz tempo que não faço isso.
Tagarelas como sempre, os Millers me levam até a cozinha e me empurraram para me sentar no banquinho que sempre ficava. Sra. Miller se senta na minha frente, enquanto seu marido nos servia chá, também conhecido por mim como o melhor chá vermelho do mundo. Não sei do que é feito, mas é perfeito. Chega no assunto em que eles dizem que eu posso passar a noite no quarto de seu filho, meu ex. Tento os impedir, digo que realmente preciso me apressar e não quero os atrapalhar, muito menos o Carter. Carter. Pensar nele é algo, falar seu nome em voz alta é outra. Algo sobe até minha garganta, a vontade de chorar aparece novamente. "Bobagem" diz Sra. Miller novamente. Como eu nunca reparei que ela ama essa palavra? Ela diz que ele não chegará hoje, tem um show com sua banda hoje e chegará só amanhã a noite, e já que terminamos de uma forma amigável, não teria problema eu passar a noite em seu quarto. Amigável? Bom, ele escondeu algo bem grande deles. Enquanto tomo o chá vermelho, tentando não chorar por tudo, subo as escadas da casa em direção ao quarto que não é tocado por mim desde aquele dia. A porta principal é aberta, todos viramos para ver inutilmente, já que não é possível se avistar quem chegou do degrau que estamos. Sra. Miller diz que vai ver quem chegou'mas pede para que eu siga em frente e use e abuse do quarto que um dia eu usufruiu. Sorriu, mas com o peito apertado e as lágrimas fictícias nos olhos, afinal não deve existir mais água no meu corpo. "Não, mãe! O show foi ontem." Não, não, não, não, não! Meus pés descem as escadas correndo sem ao menos me perguntarem se deviam. Pois é, lá estava ele com os olhos arregalados de surpresa e dor. "Dylan?". "Amelia?"
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Textos de uma Escritora Iludida
RandomAlgumas das histórias que vem na minha cabeça
