Afeto
O tédio toma posse desse lugar
e eu o percebo nitidamente ao olhar para o teto
Olhe para esses quadros sem graça
você se parece com eles
quando fica imóvel ao celular
Que diabos ainda faço por aqui?
Próximo
se torna distante
longe
vira inexistente
Que diabos você ainda faz por aqui?
Procuro entender
porque se tornou
tão diferente de mim.
A única coisa poética que
Muitas vezes me machucou
Outra parte tatuou e o
Resultado final foi a dor.
Nulo
Tempo gasto
verso intocável
Porquê ainda escrevo?
Se nada que eu faça
lhe causa feito.
Em pele de cordeiro
Com poucas palavras
eles manipulam os fracos
Os ignorantes caem fácil
com suas mentes fechadas
e os olhos vendados.
Paraíso
Todos querem um lugarzinho no céu
enquanto eu quero é estar o mais longe possível
Tememos sermos arrastados para o caos eterno
Mas e o mundo?
Não seria uma outra versão do
inferno?
Maledicência
Fracasso obtido como espetáculo
Na língua solta dos mentirosos
Poupe-me de ver outra máscara, pois
Cansei-me de seus joguinhos teatrais
Ódio rasga a sua garganta
Farpas ao invés de palavras
Poupe-me de seu lado superficial, pois
Cansei-me dessa falsidade prática
Invejosos atormentados
Mentirosos de língua solta
Tomem cuidado ao citarem o meu nome
Porque em minha defesa, há veneno
Fracasso obtido como espetáculo
Na língua solta dos mentirosos
Poupe-me de ver outra máscara, pois
Rostinho belo, não sucumbe caráter.
Pornografia
Quão divertida é a fantasia?
Mulheres de quatro
gemendo mentira
Quão divertida é uma orgia?
Agrupamento de carne
fantástica magia
Quão divertida é a pornografia?
Bater uma em frente a tela
para inúmeras vaginas
Quão divertida é a mentira?
Você é alvo fácil
mente vazia.
Devastazônia
Desflorestamento em ritmo acelerado
Preservação é papo furado
"O índio está cada vez mais civilizado"
Olha que avanço considerável!
A ideia de que
esquerda e direita
ambos lados dão a bunda
aos seu subordinados.
Vel'alma
Meras projeções
silhuetas sem expressões
se movem com o desviar do olhar
crescem sem a gente suspeitar
sopram a nossa vela interior
até todo êxtase de viver acabar.
Doce amargo
O que antes era doce
com o passar do tempo
vai se transformando
num amargo aceitável.
Catástrofe sentimental
Fruto de expressão
na minha mão vira arte
em meia a tanta rejeição.
A última farpa
O que fazer de mim?
A cada verso
sangrar assim
O que fazer de mim?
A cada verso
proclamo o meu fim.
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Cactos & Flores
PoetryHá momentos em que nos deparamos com situações desfavoráveis em nossas vidas, e que de alguma forma precisamos aprender à resistir, a superar e se adaptar como fazem os cactos. Somos na maioria das vezes, como as flores, sensíveis e delicadas, preci...
