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Acho que minha vida nunca foi muito interessante, mas não posso dizer que não fui feliz, quando falo em passado sei que necessariamente não preciso ter historias mirabolantes. Mas como já disse; eu sou feliz com a minha vida comum e por vezes chata de tão comum.

Depois desse discurso idiota eu preciso tomar coragem para levantar o meu lindo bracinho e desligar esse despertador que não para de tocar. 

Mas um dia para a vida sorrir sobre as minhas quedas, pois tenho quase certeza que o universo não é muito meu amigo, mas a gente tá tentando uma  aproximação de leve só pra ele para de me boicotar, já basta eu.

Bom,  nem esperem apresentações formais, eu não sou normal e isso vocês precisam entender e aceitar. Meu nome é Teresa e eu não gosto muito do meu nome, afinal Teresa é um nome um pouco venho, eu tenho 19 anos e não sou a garota mais bonita ou inteligente que você vai conhecer e posso lhe garantir que não estou sendo modesta.   

Eu estou tentando cursar psicologia numa faculdade particular, mas é aquele dilema; eu não tenho inteligencia suficiente para passar em uma faculdade publica e também não tenho dinheiro pra pagar uma faculdade particular. Então eu trabalho em todo lugar que consigo, ao contrario da Tonia (Todo mundo odeia o Cris) que  seu pai tem 2 empregos, eu sou a pessoa que não tem pai e tem 2 empregos pra tentar sobreviver e realizar um sonho.

E pra variar eu estou atrasada. Eu consegui um emprego na faculdade fazendo a limpeza e agora vou poder destrancar e cursar mais um semestre. Eu trabalho na faculdade pela manhã, estudo a tarde, dou aulas de violão a noite e aos finais de semana eu trabalho no abrigo de idosos da cidade. 

Só que nesse exato momento eu tenho que enfim tirar este corpo cansado da cama e levantar pois não posso me atrasar pra não perder esse emprego. Levanto e faço minhas higienes matinais, abro o a armário pra ver se tem alguma coisa pra comer, mas não tinha muita coisa. É o que me faz lembrar que eu tenho que arranjar dinheiro pois não quero morrer de fome mas essa é a vida de uma universitária pobre. 

Terminei de me arrumar, peguei minha bolsa já que eu só volto pra casa a noite. Quando abro a porta me deparo com a sindica. 

-- Teresa, eu preciso que você me dê uma posição sobre os alugueis que você está devendo. 

--Dona Dite me desculpa mais uma vez, mas a senhora sabe que eu agora não tenho como pagar, mas eu vou pagar. Não sou o seu Madruga.

-- Teresa eu sei suas dificuldades e estou sendo compreensiva com você, mas preciso de uma posição sua.-- diz vindo comigo até o portão.

-- Ainda esse mês eu vou receber e vou pagar. -- digo dando um beijo em seu rosto e me despedindo.

-- Eu sei que vai. -- diz sussurrando.

Corro pra o ponto de ônibus e graças a Deus é o meu dia de sorte, pois consegui pegar o ônibus certo. Cheguei na faculdade e fui direto para o setor financeiro, pois precisava assinar o contrato para começar a  trabalhar.

-- Bom dia Sônia-- antes que vocês se questionem, eu conheço muita gente.

-- Bom dia Teresa, entra na segunda sala a direita no corredor e fala com o Fabio que você quer só assinar o contrato.

-- E de lá eu já posso começar? 

-- Sim, sim. Você leu as instruções que eu te mandei no e-mail?

-- Li sim, já sei quais lugares do prédio eu limpo e os horários.

Saí da recepção e fui assinar o contrato, logo depois eu fui trocar de roupa e começar a trabalhar. Parte do meu salario vai para a faculdade e a outra parte vem pra mim o que me ajuda nas despesas. 

Limpei tudo o que consegui e quando olhei no relógio já era 13:40 e minha aula começa as 14h, troquei de roupa, peguei um lenço de papel e tirei o excesso de suor. Peguei um pacote de biscoito que estava na minha bolça pra comer, bebi um pouco de água no bebedouro e corri pra aula pois já estava 5 minutos atrasada. 

A faculdade é diferente do ensino médio, os professores não nos cobram muito pontualidade mas eu preciso ter uma  boa media ou perco o emprego, e digamos que eu não seja muito inteligente para perder minutos de aula. Então me esforço pra tentar chegar no horário, mas isso quase nunca acontece.

-- Licença, boa tarde -- digo entrando na sala.

A professora era uma senhora de idade, devia ter uns 60 anos mais o menos e parecia ser muito gentil pois me recebeu com um doce sorriso. Ela estava explicando alguma coisa sobre um projeto que vamos realizar com crianças este semestre. Eu estava tão cansada e com tanta fome que acabei dormindo na aula, quando acordei a aula já estava no fim e eu estava toda babada. 

Saí da faculdade, passei em casa para pegar o violão pois tinha uma aula pra dar e a garotinha que é minha aluna mora um pouco distante e estou sem dinheiro para ônibus, então vou ter que ir andando. 

*****

Cheguei em casa as onze da noite, aproveitei para organizar o apartamento já que este lugar estava quase sendo confundido com um chiqueiro. Tomei banho e depois fui comer, chequei minha conta e a faculdade depositou o salario desse mês, o que significa que vou consegui pagar um das parcelas atrasadas do aluguel que estou devendo e o que sobrar eu vou tentar fazer uma compra.

Fiquei um tempo na varanda observando o céu, me sinto mais calma nesses momentos em que consigo para e ver algo tão perfeito. Eu já quis desistir de tudo isso, mas não posso. Depois de alguns minutos eu fui deitar, afinal eu tenho que descansar um pouco mais para não dormir outra vez na aula. 



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⏰ Last updated: Aug 18, 2020 ⏰

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Um Amor ComumWhere stories live. Discover now