— Kyu. Eu... Gosto de você. – O garoto a minha frente permanecia com cara de assustado, como se o que eu estava dizendo fosse um feitiço. Coçou a cabeça e começou a rir.
— Desculpa, o que você disse? – Suspirei recuperando o fôlego para dizer novamente, e quando finalmente abri a boca para dizer algo. — Não! Não precisa repetir, eu só estou caçoando de com você. Eu não quero saber. – Seus amigos riam sem parar, agora que pude perceber que havia mais gente ali, do que a qualquer hora.
— O que? Mas... – Continuou rindo. Se aproximou de mim com um sorriso sarcástico.
— O que? Acha que só por que eu fui legal com você aquela vez, acha que eu gosto de você? Há! Só utilizei a simpatia pois não tinha alternativa. – Meus olhos estavam fixados no mesmo, escutava todos rirem, mas continuava ali. Por que continuo aqui? Eu sei por que, ainda espero que o que ele esteja falando seja apenas uma brincadeira, mas, não parece ser. — Você acha mesmo que eu iria gostar de uma garota como você? Se enxerga! Você não passa de uma Nerd. Além disso, é toda desastrada. Não sabe nem andar de salto, onde já se viu uma mulher não saber andar de salto. Feia, eu nunca iria gostar de alguém como você. – Enquanto ele ria, eu me segurava para não chorar, aquelas palavras foram como facadas. – Vaza. – O encarei pela última vez e sai correndo. — Otária.
Vocês provavelmente já ouviram, leram ou presenciaram, aquela famosa história de uma garota ou garoto ser rejeitada (o) pela pessoa que gosta e mudar drasticamente. Alguns mudam a aparência, outros a aparência e o jeito de ser. Basicamente, alguns se tornam ignorantes, outros se fecham para o mundo, alguns nem se importam e outros. Bom, outros, fingem esquecer o passado e segue o futuro. No meu caso, eu me tornei um pouco de tudo, e pior, me tornei alguém que não gosto de me gabar. Alguém, como se diz. Sombrio. Eu sei, extremamente clichê.
Brasil, 2019. Bom, foi então que tudo começou. Dia 23/09/2019 foi quando fui rejeitada de uma maneira que não foi saudável, então como todos, resolvi mudar. E quem me dera aquela mudança brusca de filmes. Sabe? Comprar aquele monte de roupa, dar uma mega arrumada no cabelo, fazer as unhas e entre outras coisas. Mas não. Minha renda é curta para tudo isso. Quando digo mudar, específico mais a forma de pensar, aquela coisa de ver o mundo com outros olhos.
Andava pelas ruas lentamente, ruas pavimentadas ao extremo. Eu já estava atrasada para a escola, mas quem se importa? Depois de tudo, a escola é um lugar que sim, você aprende muita coisa, é incrível. Mas, outros adolescentes conseguem estragar essa escola, com suas brincadeiras de mal gosto. Cheguei ao portão da escola que estava fechado, permanecia ali, até Marcos andar em minha direção. Marcos, era basicamente o porteiro da escola, ele demostrava ter um carinho grande pelos alunos. Sorriu balançando a cabeça negativamente quando seu olhar encontrou o meu.
— Ruby, atrasada novamente, hum.
— Pois é, Marcos. Ocorreu uns imprevistos, sabe.
— Entendo, não estava fumando novamente e esqueceu o horário, não, né?
— Não, não. - Sim, de novo. Esse é um caso a parte que lhes conto mais para a frente.
— Mas, você sabe que não posso deixar entrar depois do horário, não é?
— Eu sei, mas quebra esse galho para mim, por favor. Hoje tenho prova. – Suspirou.
— Okay, dessa vez a senhorita pode entrar, já que não perdeu o horário com besteiras. – Sorri fraco, na verdade, era exatamente o que eu estava fazendo. Entrei pelo portão já aberto e comecei a andar em direção a porta da escola.
— Você está fedendo cigarro, estava fumando mesmo, né, Ruby?!
— Sim, obrigada, Marcos. – Sorri e fui para minha sala.
Entrei a minha sala, já na segunda aula e ali permanecia até o horário de intervalo. É incrível perceber que passei da Nerd com amigos, mas não era amigos, eram na realidade pessoas interesseiras que só estavam comigo pelas minhas notas. Para a garota que não tinha nenhum amigo e mesmo assim, tirava as melhores notas. Mas como diz o ditado, Melhor só do que mal acompanhado.
Depois de um dia cheio na escola, abri a porta de casa entrando, e comecei a andar em direção ao meu quarto, a casa estava barulhenta, e isso não era algo raro.
— Ruby, venha aqui um momento. – Suspirei andando em direção a cozinha.
— Sim, mãe? – Minha mãe parecia mais irritada que o normal.
— Faça suas malas, agora!
— O que? Como assim? – Fitei ela surpresa.
— Vamos embora.
— Como assim? Não estou entendo. Fomos despejados?
— Não. Você SIMPLESMENTE, vai embora com a gente. – Meu pai me encarou, aquele olhar revoltado, o que sempre me irritou.
— Que, como assim? Do que você está falando? Aconteceu algo?
— Ruby, por favor, apenas suba e faça sua mala.
— Vocês não vão nem me explicar o que está acontecendo?
— Explicamos no caminho. – Escutei meu pai dizer autoritário, não era de discutir com eles, sempre mantive um certo respeito por eles, então apenas suspirei sem retrucar e fui para meu quarto.
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Cognition
FantasySeria errado você aparecer em um local errado, em um momento errado e em um dia errado? Independente de sua resposta, Ruby acabou fazendo isso. Apareceu onde não devia, e foi onde tudo começou. "Criaturas? não existem, são ficção" Será mesmo? São...
