Capítulo Único - Motivação

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Mei Shijima segurava um de seus pincéis em sua mão, encarando a tela em branco que estava a sua frente. Ela não pensava em nada. Seu lábio inferior tremia. Havia passado pela mesma situação a semana inteira. Sentia-se desanimada e estressada.

É claro, dias assim são normais — e não há problema algum sentir-se assim às vezes. Mas, por mais que momentos assim sempre acontecessem, Mei ainda achava aquilo um tanto inusitado e estressante. Pensar que poucos dias atrás estava animada e inspirada deixava-a ainda mais desencorajada.

Foi tão de repente. Semana passada desenhou todos os dias, sem falta. Pintou flores, pássaros e até pessoas, tudo que viera a sua mente. Entretanto, nada passava por sua cabeça agora. Para onde fora sua inspiração?

Guardou seus pincéis demoradamente. Olhou a janela. O dia estava com o clima melancólico, havia várias nuvens enegrecidas indicando que em não muito tempo choveria. Suspirou. Não tinha o que fazer. Vestiu seu casaco e saiu, sem saber ao certo aonde iria.

Lentamente, gotas de água caíram. O céu chorava. Shijima andava pelos arredores de sua casa, tinha um semblante pensativo. Mesmo com a chuva, sentou-se em um banco e passou a apreciar a vista. Poucas pessoas caminhavam pelo lugar. Algumas corriam, provavelmente da chuva, por não terem consigo um guarda-chuva. As que possuíam um, andavam tranquilamente. Apesar disso, estava agradável. Não chovia tão forte como imaginara.

Mei supôs que um tempo para si mesma seria bom. Mas começava a se cansar. Para se distrair, apanhou uma pequena flor azul que estava ao lado de seu assento e a encarou. Era muito bela. Brincou com ela, girando-a delicadamente, enquanto refletia sobre o que lhe ocorria.

Desânimo e falta de inspiração podem acontecer com qualquer pessoa, especialmente com artistas. Já esteve assim diversas vezes, mas nunca se habituou. Mei gostava de desenhar, a sensação de pincelar para ela é a melhor. Não tê-la por um tempo era estranho.

Shijima se considerava uma pessoa com muita criatividade — mesmo que esta lhe faltasse às vezes, como acontecia agora. Talvez recriar um cenário que viesse a sua mente seria uma ótima ideia. Ou então desenhar algo que visse em suas proximidades. Ao pensar nisso, olhou ao seu redor. Via lojas, árvores e poucas pessoas. Uma paisagem digna de ser recriada. Ela piscou, suspirando em seguida. Não estava animada. Sentia apenas cansaço e desgaste.

Estava cansada de se esforçar tanto por algo que quase não era reconhecido. Passar horas colorindo uma tela em branco era prazeroso, porém também lhe causava desgaste emocional. Ver que poucas pessoas apreciavam suas obras que demoravam tanto tempo para serem feitas a deixava um tanto infeliz. Para ela, aquilo era como se quase ninguém tivesse gostado do que havia feito com tanto esforço. Mas isso era algo que não contava a ninguém, receava ser vista como alguém inconveniente. Mordeu o lábio inferior.

No entanto a artista adorava pintar. Não desistiria disso. Ela pintaria até que chegasse o dia em que as pessoas apreciarão suas obras. Até lá, irá se esforçar ao máximo, enfrentando dias de desânimo como este, mesmo que isso fosse difícil.

Saindo de seus pensamentos, olhou para a pequena flor azul que ainda estava em suas mãos. Colocou-a no lugar onde a achara. Seus olhos brilhavam. Logo em seguida levantou-se, um tanto determinada. Iria para casa. Dava passos cada vez mais rápidos — a chuva tornava-se mais forte. Talvez não teria encontrado a inspiração que partira sem mais, nem menos. Mas achara sua motivação. A motivação que lhe faltava para continuar com sua arte. Ela partiu para seu lar correndo na chuva. A pequena flor azul ia se distanciando cada vez mais. 

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