Sr. Wayne

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Jogou água no rosto pela segunda vez desde que entrará no banheiro e se encarou novamente no espelho segurando os fios rebeldes pra trás. Procurava por algo em seus próprios olhos. Coragem? Paciência? Força? Suspirou e terminou de ajeitar o cabelo pra trás alinhando o penteado. Se demorasse mais atrasaria a reunião. Secou o rosto e saiu pegando os papéis que tinha lido na noite anterior seguindo em direção à sala que se encontrava cheia de conversa e risadas até o momento que ele cruzou a porta. O grande senhor Wayne tinha chegado e todos tinham o mínimo de prudência de se calar e seguir até seu devido lugar na presença dos olhos verdes e frios do presidente das indústrias. Assim que todos se acomodaram ele jogou os papeis que espalharam sobre a mesa.
- Não foi o que pedi. -Fuzilou as nove cabeças brancas presentes. – Quem defecou esse projeto?
O silêncio pesou a sala por alguns segundos. Ninguém se atreveria a falar contra. Nem a questionar. Aliás, estavam apenas esperando o culpado tomar coragem e levantar as mãos.
- Senhor Damian, com todo o respeito – Todos olharam espantados para os cachos ruivos que balbuciavam quebrando o silêncio. O próprio moreno levantou uma sobrancelha questionadora. – O projeto que o senhor pediu é... É impossível. O projeto que apresentei é o que dá pra fazer. O comissário Wilkes negou e—
- Eu – Damian cortou com o tom mais frio e intimidador que tinha. – Nem sei quem é você e o que está fazendo aqui.
- É Erick Dicter, senhor. - Um dos homens de meia idade que sentava perto da cabeceira cochichou sem jeito. – Ele é o novato que pegou o lugar do sr.Everfree depois que ele... Faleceu.
Como se não tivesse esquecido a morte de um de seus assessores, o árabe ajeitou a postura e encarou o novato. Ruivo, sardento. Bochechas coradas, suor nervoso, gritava e tinha aqueles olhos cheios de energia típicos de quem não é de Gotham. Talvez 23 anos, acabou de sair da faculdade de... Economia? Damian segurou um riso enquanto andava calmamente até o lugar do garoto e quando finalmente chegou descansou as mãos em seus ombros.
- Senhor Dicter -Começou o forçando a voltar a se sentar. – É natural que um novato não esteja acostumado com como as coisas funcionam em Gotham então permita-me explicar. Wilkes é um corrupto, um desgraçado filho da puta que não faz o trabalho dele e ainda fica empacando o trabalho dos outros. O prefeito me deve mais favores do que pode pagar em única vida. – Conforme ia falando ia apertando os ombros do ruivo que tentava não demostrar dor ou insegurança mas tremia enquanto sentia os olhos verdes lhe fuzilarem pelas costas - Eu não pedi pela porcaria de um ponto de distribuição de sopa. Quero um centro de acolhimento e moradia pras famílias sem teto. Mande o Wilkes enfiar a permissão dele bem fundo na gaveta. Ele sabe que não pode brigar comigo.
Quando finalmente soltou o novato, Damian andou novamente até seu lugar e voltou a olhar o pobre garoto.
-Bem vindo a Gotham, Sr. Dicter. – Falou pegando um dos papeis que jogou que por um acaso era a autorização do comissário e amassando. – Não é nada glorioso como Metrópolis onde uma tenda com sopa é o suficiente pra ser chamado de caridade. – E saiu, fazendo um suspiro coletivo ecoar pela sala.
Um dos mais velhos na empresa foi até o ruivo, que se encontrava a beira do choro, pra acalma-lo.
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Damian saiu andando furioso. Odiava o povo de Metropolis com seus sorrisos largos e olhos brilhantes. Até parece que o mundo tinha jeito. Andou apressadamente até sua sala ouvindo o salto da secretaria atrás de si enquanto ela lhe passava informações.
- Hoje tiveram 5 ligações da delegacia de Gotham, sr. Ford também ligou pra Informar sobre o andamento do caso do seu pai e Sr. Grayson mandou mensagem novamente. – Damian parou fazendo a secretária trombar em suas costas. O olhando feio em seguida e arrumando os papéis que saiam da agenda que levava consigo – Ele pediu pra lhe informar a data de seu casamento e que confirmasse sua presença.

Damian suspirou fundo e voltou a andar.

-Certo, obrigada senhorita Mallot. – Agradeceu seco antes de se fechar em sua sala.

“Finalmente...” – Agradeceu enquanto se afundava na cadeira. Ficou parado estático por exatos cinco segundos, antes do barulho estridente do telefone preencher a sala. Damian rapidamente o atendeu.

-Damian Wayne, boa tarde. - Falou sem nem olhar o número logo ouvindo uma risada fraca do outro lado.
-Boa tarde, Sr. Wayne. – Falou a voz rouca e feminina. – Conto com sua presença no evento de livro?
- Não sei, Rachel. Estou exausto e tenho uma reunião com sr.Ford amanhã cedo.
- Eu sei.. Mas preciso da você lá. – Respondeu depois de um longo suspiro.
-Certo. Estarei lá. – Finalizou desligando. Suspirou se afundando mais em sua cadeira. O telefone toca de novo. “Grayson”. Damian desliga e se ajeita pra começar a conferir os projetos e as finanças da empresa. – Ligue pra Wilkes. – Ordena esperando o celular entender a ordem.
-Ligando para o comissário Wilkes.
A voz robótica responde sendo logo substituída pelo barulho da chamada.
- Damian. – Atende o ruivo do outro lado da linha.
-Wilkes. – Responde com o tom frio de sempre.
- Precisamos conversar. Sobre Ford e seu pai.
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Erick chegou em casa vermelho. Parecia um pimentão. Abriu e fechou a porta com força fazendo um barulho estrondoso enquanto resmungava baixinho.
-Acho que seu primeiro dia não foi muito bom. – A voz vinha do banheiro, mas seria ouvida em qualquer canto do minúsculo apartamento que eles dividiam. – Damian Wayne faz jus a fama?
- Há, jus...- Reclamou o ruivo alto. – Ele é um mauricinho de metido! Faz mais do que jus! Também com um pai daqueles!
-Ei, Erick... – O garoto alto de olhos azuis saiu do banheiro terminando de tentar arrumar a lgravata e falhando miseravelmente fazendo o ruivo soltar um suspiro e ir ajudar o amigo. – Não sei se é justo falar assim sobre o pai dele. Dizem que nunca tiveram provas suficientes pra acusar e que o próprio garoto retirou a queixa.
- Não seja ingênuo, Jon. – O ruivo terminou de ajeitar a gravata mesmo com pressa saiu perfeita.- Você vai ver ele hoje. Tire suas próprias conclusões. Pelo que eu vi é bem capaz deles terem comprado o pobre garoto.
-Hm, não sei.. – Jon murchou um pouco, mas logo se recompôs. – E então, como que eu to pro meu primeiro evento de jornalismo em Gotham?
Erick riu. E fingiu inspecionar o amigo.
-Ta lindo. O típico padrão de beleza americano!
-Esse é o Gar, hahaha.
- Não, o Gar é baixinho. Você é o homem mais gato e gente boa que eu já vi! Os solteiros de Gotham que se cuidem!
Jon riu mais um pouco e foi pegar suas coisas. Erick e Jon eram amigos desde a escola e sempre se apoiaram em tudo. Quando Jon se assumiu pansexual pra família, Erick estava lá por ele. Quando começou o primeiro namoro com um garoto, Erick estava com ele. Assim como quando Erick teve seu coração partido pela primeira vez, Jon estava lá com ele. Nunca sentiram nenhum outro tipo de amor sem ser um fraternal. Até por que Erick era hetero, mas mesmo que não fosse eles se viam como irmãos. Durante a faculdade, Jon conheceu Garfield Logan, aspirante à fotógrafo, loiro de olhos azuis, 25 anos e 1,72 de altura. Bi. Porém ele e Jon também nunca foram um casal.
- Eu vou indo, Erick. Me deseje sorte. – Despediu-se já saindo de casa. –  Amanhã te faço um café da manhã reforçado pra você ir pra empresa. Por enquanto, não desista por causa de um babaca, você sabe que esse emprego é importante pra você.

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⏰ Last updated: Jul 10, 2020 ⏰

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