Mimimi

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Meu corpo tem fuligem do corpo das bruxas queimadas. As minhas blusas foram feitas pelo fio de algodão do lençol que você apertava enquanto sentia seu corpo violado. Minhas digitais sentem o toque da mão pesada que arroxeava o seu corpo. Subo na balança e sinto o peso do seu ventre sem escolha.  Meu corpo tem marcas de bala da moça da Favela da Maré. O nó do meu all star azul não consegue ser mais forte que nó na garganta pelo silêncio imposto. Escuto a melodia estridente que é traduzida em meus tímpanos: "puta", "carne", "fraca". Tenho em cada pulso o latejar do seu sangue derramado. Meu corpo tem a inocência da criança fêmea violada. Cada vitrine me desperta o seu querer não ser o que era ali exporto. O bolo servido no café seguiu a receita que você queria rejeitar. O passo que eu dou é impulsionado por suas asas que me permitiram desmitificar o caminhar. Meu corpo tem marcas do sutiã que elas queimaram. A lente que envolve os meus olhos têm resquícios da viseira que te impedia de ver o mundo. O som da minha voz tem o timbre da sua voz muda. Os poros da minha pele exalam o seu medo por abrigar um útero. Meu corpo balança e eu sinto o remexer do seu corpo imóvel. Meu reflexo no espelho é um leviatã FÊMEO formado por cada parte sua, que impedida de existir, resistiu e se ressignificou em mim.

O leviatã solitário Stories to obsess over. Discover now