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O Início

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OBS: Escrevi esse primeiro relato quando ganhei um caderninho de escrita aos 17 anos.

  

    10/05/2018

  "Estrelando este caderninho, não sei exatamente o que dizer sobre mim. Mas sei sobre uma história que realmente mexeu comigo recen temente.

A pessoa que me deu este presente é uma boa amiga para mim. Bondosa, alegre e cara, desenha muito bem. Sério.

Mas o pai dela é um idiota. Um porco nojento, na minha sincera opinião. Surrou ela por uma fase rebelde que teve no passado, me  contou.
 
E ontem achando que ela poderia estar sendo de novo aquela pessoa, o pai a chamou de biscate. Isso mesmo, disse para a própria filha de dezesseis anos.

  Na hora que ela me contou, com lágrimas no rosto e olhos vermelhos, senti  vontade de xingar seu pai. De nada adiantaria no momento, pensei.
 
  Me contentei em acariciar suas costas. E foi aí, foi quando sei choro aumentou.

  Eu perguntei: " E a sua mãe?"

  "Não quis se intrometer".

  E no fundo senti que não só a filha, como a mãe, sentiam medo dele.

  Uma outra menina, uma amiga dela há mais tempo do que eu, lhe disse que talvez ele fosse assim devido a sua criação.
 
  E talvez fosse.

  Ou repetimos o passado ou mudamos o presente.

  No caso, escolheu o ciclo.

  E em algum momento, o machismo entrou na conversa.

  A outra garota, então me disse: " o mundo é machista. Os grandes cargos, em sua maioria são ocupados por homens! Sabe o motivo?

  "Porque eles acham que a gente não dá conta, que o nosso papel é ser empregada doméstica e uma vacina ambulante".

  Eu fiquei chocada. Até então, eu não saberia responder se eu era feminista. Me considerava neutra. Nunca havia me deparado com o machismo de tão perto.

  Ele é feio e dá medo.

  Mas acima de tudo, causa raiva.

  E minha raiva é maior do que qualquer coleira que eles querem me impor ou a qualquer outra mulher.






  Quis começar com esse texto, pois me inspira. Foi algo que escrevi faz três anos e foi a partir dali que não parei mais.
  
  Escrever é expressar a verdade por vezes com um toque de imaginação, ter um compromisso consigo mesmo e com o leitor. E por isso, aprendi que a neutralidade pode significar ser cúmplice.

  Espero que tenham gostado e me acompanhem para os próximos textos e poemas.

 
 

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