Certa noite, há muito tempo atrás, numa tribo nômade perdida nas florestas geladas de Argonn, o uivo de um animal acordou bruscamente os habitantes da aldeia. Todos sabiam o que era aquilo. E o que significava. Mas, ninguém queria acreditar que fosse real.
Nem muito menos, abandonar suas tendas de pele de urso em meio àquele sereno de congelar os ossos e sair à procura da origem do diabólico som.
Mas, foi o que tiveram de fazer.
Naquela madrugada de inverno, o ar foi tomado por algo mais do que a neve trazida pelos gélidos ventos do norte. A fogueira da noite passada foi reacesa e todos os homens adultos se reuniram à sua volta, ficando apenas as mulheres, velhos e crianças nos abrigos.
Gritos, passos em correria e sons de metal desembainhado quebravam o silêncio, até então reinante na clareira. Não mais do que poucas palavras foram proferidas pelo líder da tribo, e uma expedição foi imediatamente formada, no intuito de adentrar a mata, à procura do dono daquele uivo de instantes atrás.
Vários grupos se separaram, em diferentes direções. As instruções do líder da tribo eram que cada grupo ocupasse um ponto estratégico ao redor da aldeia, de modo a formar um círculo de proteção em volta dela. Uma rede onde nada poderia penetrar e pôr em risco a segurança dos demais habitantes, seus pais, filhos e esposas. Uma vez lá dentro, qualquer ameaça os deixaria à própria sorte.
No entanto, numa certa cabana, a situação era diferente. Qualquer criatura, natural ou sobrenatural, que ousasse invadir seu interior, intencionando fazer algum mal aos que ali se encontravam, certamente conheceria seu trágico fim.
Pelo menos, era assim que pensava o pequeno Diktor, cujos cinco anos de idade não o impediam de achar-se um guerreiro forte e poderoso, capaz de enfrentar qualquer batalha e derrotar qualquer inimigo, por mais temível que este fosse. Mas, naquele momento, ele era tudo o que tinham sua mãe doente e avó idosa. Ele era o seu guardião.
Antes de deixar a tenda, para se reunir aos outros guerreiros, seu pai o incumbira pessoalmente da guarda pessoal de sua esposa e de sua mãe. Durante sua ausência, Diktor seria o responsável pelo bem-estar e pela segurança da família. Seria o "homem". O que só fez aumentar ainda mais dentro dele o sentimento de independência, o seu senso de "maioridade".
Sua avó balbuciava antigos cânticos religiosos. Sua mãe, deitada sobre uma velha esteira de couro, tinha o sono conturbado pela febre e atormentado por pesadelos. A postos, o menino guardava a entrada da barraca, atento ao mais leve tremular do tecido ao vento, alerta ao menor ruído que pudesse vir lá de fora. Vigilante a qualquer eventualidade por mais repentina e inesperada que pudesse ser.
Por longos minutos, que mais pareceram horas, foi assim.
Um silêncio impenetrável. Nada parecia acontecer. O tempo parara.
Na quietude e escuridão da tenda, assim como em toda a aldeia, o garoto esperava. Seus olhos e ouvidos perscrutavam as trevas, na tentativa de identificar alguma coisa. Uma luz, uma voz, um som. Nada. Na solidão do cantinho de chão em que se achava sentado, a angústia e a ansiedade pareciam querer devorá-lo.
Nada se ouvia, nem se movia, à exceção de um coraçãozinho batendo cada vez mais rápido em seu peito. E que, mesmo assim, parecia cada vez mais distante ao seu ouvido, engolido lentamente pelo vazio que "preenchia" sua alma. Em seguida, tudo pareceu acontecer ao mesmo tempo.
De repente, gritos alarmantes ecoaram na pequena aldeia. Ele levantou-se num sobressalto. Correu à porta da tenda, para olhar para fora. O clarão cegante das tochas feriu seus pequeninos olhos negros, já acostumados ao breu.
Com esforço, o menino então pôde identificar um grupo de guerreiros que acabara de chegar ao centro da vila, vindos das negras e geladas profundezas da floresta. Apressados, alguns corriam às suas barracas, enquanto outros esperavam ao redor da fogueira, acesa novamente, pois fora apagada na partida da expedição. Podia-se notar que nem todos estavam ali. Alguns deviam ter se atrasado ou então ficaram montando guarda.
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Diktor, O Aventureiro
FantasyBárbaros. Espadas. Feitiçaria. Monstros. Demônios. Piratas. Todos os ingredientes de qualquer história no melhor estilo Conan que se preze. É justamente num mundo assim que Diktor, o Argonniano, vai tentar forjar sua própria lenda.
