Capítulo 1 - Principia

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O dia estava calmo na cidade de Yosh, as planícies do leste, antes depredadas pelas guerras se transformaram em uma grande e poderosa civilização, o continente de Pang estava vivendo dias calmos, mesmo a tensão que pairava sobre o ar não era suficiente para amedrontar os felizes moradores do Reino de Ether.

Há muitas histórias, estórias e canções que são disseminadas pela população sobre o triunfo de Ether sobre seu irmão, cujo seu nome é proibido de ser pronunciado por todos do reino, as crianças e jovens nem sabem seu nome, e se por um acaso algum recém-nascido for nomeado com a sequência maldita, independente de seus pais saberem ou não, eles são imediatamente levados e interrogados pelos soldados da Custodea, muitas vezes desaparecendo, se tornando um "cidadão que nunca existiu", e a criança entregue ao orfanato do palácio, inclusive muitas famílias pobres pagam, utilizando tudo o que tem à algum ancião para saberem o nome do irmão de Ether e se sacrificam para dar a esperança de uma vida digna para seu filho, tentam até dar o nome dele para meninas, porém neste caso os pais não são apenas mortos, mas sim torturados até o resto de suas vidas, sendo o pior crime a ser cometido, acima até mesmo de homicídios e estupros.

Algumas histórias dizem que Ether matou seu irmão em um duelo isolado, no topo de seu castelo, sem armaduras, apenas utilizando uma espada e técnicas ensinadas pelo seu pai, outras dizem que ele foi morto no campo de guerra por um soldado indigente, outras até mesmo dizem que ele morreu após ser envenenado por algum infiltrado, mas a mais aceita e ensinada nos reinos do leste, é que ao ver suas tropas serem dizimadas pelo exército de sua irmã, ele se matou, como um covarde, deixando seu povo, seu exército, o tornando um homem sem honra.

Ninguém além de Ellie, ou talvez nem ela saiba o que aconteceu naquela fatídica noite, que mudou para sempre o continente de Pang, mas de uma coisa é certa, sua morte deu a paz para todos os cidadãos do continente, porém os moradores do Reino do Sul, com a perda de seu Rei, tiveram que reinventar e se reerguerem, recusaram a oferta de se juntarem á Etheria e juraram vingança, porém sem recursos nem um líder, a maior preocupação dos habitantes do sul é sobreviver.

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O sol estava nascendo quando a população de Yosh começou a acordar, os comércios começaram a se abrir, os mercadores pegaram seus cavalos e foram buscar novas mercadorias ou revender o que já tinha em suas cestas, era pra ser mais um dia normal e calmo na Cidade Abençoada.

Porém na casa de Heidi, ao sul da cidade, onde o Sol custa para iluminar e os lagos são mais vazios que os pratos dos habitantes desta esquecida região, havia um homem falido, faminto, uma esposa que acabara de entrar em trabalho de parto e uma velha curandeira exilada do sul, de forma milagrosa a criança nasceu viva, chorando desesperadamente, assim como seu pai quando olhou para sua esposa e percebeu que ela não teve a mesma sorte que seu filho, seu corpo imóvel foi um sacrifício para colocar uma criança na terra, um sacrifício grande demais para que esse recém-nascido se tornasse um bastardo, faminto, que necessita comer insetos e folhas para sobreviver.

Aos prantos, Heidi pegou o corpo da sua falecida mulher e colocou em um lençol de pano com detalhes de ouro, outrora roubado por ela de um rico comerciante da região, sendo o bem mais precioso da família, ele a cobriu delicadamente com o lençol, deu um beijo em sua testa, e com uma velha pá abriu uma cova rasa nos fundos de sua cabana e a enterrou.

Logo em seguida, pegou seu filho e correu para o centro da cidade, no meio de cavalos, comerciantes, viajantes, guardas, políticos, tirou seu filho da cesta que carregava em suas mãos, o levantou para o céu e gritou:

- "EM HOMENAGEM AO HOMEM QUE NUNCA ERROU E FOI MORTO INJUSTAMENTE POR UM GOVERNO TIRANO, NUMA GUERRA POR INVEJA NA QUAL MILHARES DE PESSOAS INOCENTES SOFRERAM, FORAM MORTAS E OUTRAS SOFREM ATÉ HOJE NO RELENTO DO ÁRIDO, TORCENDO PARA QUE O DESTINO OS GUIE PARA UMA TERRA SEM TEMOR, EU NOMEIO MEU FILHO DE ETHOS."

Rapidamente os guardas da Custodea que estavam em uma taberna próxima, foram para cima de Heidi, das torres da Muralha da Ascenção um guarda acertou seu peito, os que estavam em terra cobriram sua face com um saco e o agrediram com socos, cortaram uma de suas pernas com o gume de uma espada, e como se fosse mercadoria, o amarraram à um cavalo, e o levaram para o palácio.

Heidi tentava buscar o ar mas não conseguia, tentava gritar mas o pano em sua boca o impedia, pelos pequenos orifícios no saco sobre sua cabeça conseguia ver apenas vultos e um jogo de luzes, que em um movimento súbito do cavalo se apagaram, ficou tudo escuro, porém ao longe havia um lampião aceso, Heidi achou que estava vendo a última luz, a luz que para todos aqueles que creem nos deuses que estão além dos céus significa um lugar no Reino Sagrado, mas para seu sofrimento era apenas o subsolo do palácio.

Soldados anunciaram a chegada de um novo prisioneiro, Walkos, o chefe da Alta Guarda do Palácio, foi, como de praxe, anunciar a chegada de um novo prisioneiro para Ether, ao longo das dezenas de andares, cegado pela luz do sol que entrava rasgando as janelas, pensou se deveria mencionar o nome do mais novo prisioneiro, por algum motivo esse pensamento veio em sua cabeça, pois não era comum dar nome aos pecadores, mas algo em Heidi chamou a atenção de Walkos, não sabia ao certo o que era, o que significava.

Ao fim da quase infindável escadaria, passou por um longo corredor cheio de soldados, armaduras, espadas, molduras, enfim chegou aos aposentos de sua rainha, questionou aos guardas que estavam em frente à gigantesca porta de madeira que separava os mortais dos eternos, se Ether estava disponível para recebe-lo, porém nem deu tempo para que seu questionamento fosse respondido, as gigantescas portas começaram a se abrir, e do ouro lado estava ela, utilizando uma calça fina de tecido marrom e uma veste superior prateada cravejada com os mais raros minérios do continente, uma dualidade entre uma simples plebéia e uma figura tratada como suprema por seus súditos, seus longos cabelos loiros se misturavam quase que homogeneamente com a luz vinda dos céus, que entrava pela grande janela ao lado de sua cama, em uma de suas mãos estava uma espada de madeira, a qual era comumente utilizada para treinos e ensaios, na outra estava um escudo velho de Irión, o metal mais raro e resistente já encontrado, cujo valor desse escudo era suficiente para abastecer a mesa da população de toda Yosh por décadas.

- Olá Walk, o que tem pra mim hoje? Não me diga que outros rebeldes vindos do sul tentaram atacar a fronteira, pois se for isso novamente eu mesma trato de combater esses vermes insolentes, acham que com uma armadura enferrujada e uma espada velha conseguem ser reconhecidos, coitados.

Walkos com um semblante sério, por um momento se distraiu com o brilho que emanava de Ether, era incrível como a natureza a destacava, como as luzes e as sombras se arranjavam perto dela, mas infelizmente haviam assuntos mais importantes a serem tratados do que a beleza de sua rainha.

- "Olá vossa majestade, me perdoe por atrapalhar seu trein..."

Ether em uma fração de segundo apontou a inofensiva espada de madeira para o pescoço de Walkos, esboçou um sorriso irônico em seu rosto.

- "Pare com essas futilidades, nos conhecemos desde criança, já te avisei várias vezes, se continuar com essa formalidade a próxima espada em seu pescoço será uma de verdade."

Assustado, porém feliz e por um breve momento relembrando os tempos que passaram correndo nas planícies de Yosh, Walkos foi logo dizer o que era realmente importante.

- "Então Et, houve a chegada de um novo prisioneiro, ele nomeou seu filho, no centro da cidade, para todos ouvirem, utilizando a sequência maldita."

- "Ele tinha um filho?"

- "Sim, recém-nascido, sua esposa morreu após dar a luz, pelo que foi dito ele morava no sul da cidade."

- "Que os deuses tenham piedade, deixem a criança com as cuidadoras, junto das outras do orfanato, elas devem estar no gramado, podem executá-lo, aliás, pode deixar que eu mesma faço isso, depois coloquem seu corpo próximo ao mercado central, para mostrar o que acontece com criminosos, tem algumas crianças roubando os mercadores durante a noite, vamos dar uma lição neles."

- "Os guardas já estão o amarrando, tem uma perna separada do corpo caso queira assustar algumas crianças, o nome do prisioneiro é Heidi."

O riso dado por Ether foi subitamente cortado pelo final da frase de Walkos, seu semblante mudou totalmente, sua expressãoalegre, feliz deu lugar ao medo e preocupação, imediatamente pediu para quefosse levada ao encontro do prisioneiro, e que nenhum guarda participasse da execução, nem mesmo observando.

Reino de Etheria: Crônicas do LesteStories to obsess over. Discover now