Prólogo

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Christopher




Houve alguns momentos em minha vida nos quais gostaria muito de ter poderes para apagá-los! Situações em que quando paro para pensar percebo o quão tolo fui, o quanto tomei decisões erradas que acabaram por ferir e magoar pessoas, principalmente, a mim mesmo! Infelizmente, como não posso apagá-los, me resta usá-los como lições que me fizeram crescer e amadurecer para que hoje eu não cometa os mesmos erros do passado.

Lembro-me com muito pesar de um desses momentos, onde agi por impulso, raiva e ciúme, sentimentos que me deixaram cego e que trouxeram consequências que doeram demais. Fecho os olhos e me vejo novamente naquele conturbado dia na cafeteria, reflito em como agi, como deveria ter agido e que se fosse hoje essa situação nunca aconteceria!

Ah! Essa lembrança:

­­— Stella! — gritei quando a vi conversando com um colega do trabalho e a puxei fortemente pelo braço questionando-a —, você pode me explicar o que está acontecendo aqui?! Saio um minuto para atender uma ligação e quando volto encontro minha namorada de conversinha fiada com esse... babaca!

— Christopher! Se acalme, por favor! Não há motivos para reagir assim! É o Richard, você sabe que ele é só um colega do trabalho, estava passando perto da nossa mesa e parou para me cumprimentar, somente isso — respondeu ela bem chateada com a minha atitude.

— Faça-me o favor! Você pode até achar isso, mas sei a verdadeira intenção dele... ele quer você! — berrei.

— Permita-me dizer que você está muito enganado com essa sua dedução! Eu realmente só vim cumprimentá-la e como ela mesmo disse, somos colegas de trabalho. Além do mais, sou um homem casado — disse Richard se defendendo da acusação que fiz.

Ao ouvir a voz dele, fiquei furioso! Soltei o braço de Stella com a mesma força com que o tinha puxado, avancei para cima dele agarrando-o pelo colarinho da sua camisa, o empurrei e o insultei:

— Acha mesmo que vou acreditar nas suas desculpas e papo furado?! Casado, hein... você é pior que imaginei e...

Agora, Stella se colocava entre nós tentando fazer-me soltá-lo e desesperada suplicou:

— Christopher, pare! Solta ele, por favor! Está fora de si, é melhor irmos embora!

— Não! Só depois que socar a cara dele!

Então, Stella puxou-me fortemente fazendo com que eu soltasse bruscamente o colarinho da camisa de Richard, continuei a encará-lo e percebi que ele suava frio e estava apavorado. Ela continuou a puxar meu braço com toda força que conseguia, demos alguns passos em direção à porta, mas ainda com a cabeça quente, parei bruscamente e... virei-me de supetão acertando um forte soco no rosto de Richard derrubando-o no chão. Stella levou as mãos à boca e arregalou os olhos ao observar a cena, ficou horrorizada com a atitude que tive. Todos na cafeteria onde estávamos, olhavam pasmos e assustados para nós, mas logo a solidariedade falou mais alto e alguém se prontificou para ir socorrer Richard que permanecia caído no chão.

Olhei para Stella e vi que ela estava nervosa, constrangida e chorando; percebi então, que novamente vacilei e agi impulsivamente, mas não podia dar o braço a torcer nesse momento, não depois de toda a cena que fiz! Ao invés de me desculpar com todos, continuei a agir como se eu estivesse com toda a razão, aproximei-me dela e lhe disse:

— Meu amor, agora podemos ir! Ele já aprendeu a lição, não vai mais dar em cima de você!

— Você está louco! Por que fez isso?!

— Porque te amo!

— Não Christopher, você não ama! Este ciúme exagerado não é amor, é... obsessão doentia! Desconheço este tipo de amor que você diz sentir. O amor não é apenas um simples sentimento que você fala ao outro a qualquer hora, mas sim demonstrado nas atitudes. Infelizmente, não o vejo mais em você!

O meu coração gelou e o desespero tomou conta de mim quando a ouvi dizer essas palavras. Sabia que novamente a tinha magoado com a minha atitude e que desta vez talvez ela não me perdoasse! A minha primeira reação foi tentar me desculpar:

— Me desculpe, não foi minha intenção te chatear. Fico louco quando vejo alguma ameaça em potencial ao nosso relacionamento, não posso nem pensar em te perder!

— Isso não justifica o que você fez!

— Vai largar de mim? — perguntei com a voz trêmula, baixa e receosa.

— Eu...

O Florescer do AmorWhere stories live. Discover now