E um ponto de vista é a melhor maneira de se contar um clichê

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Procuro apenas sua pele quente, tocando-a, provavelmente provocando certas vermelhidões, marcas, dentadas, um vampiro movido por seu combustível de vida. Algo que me acostumo, não por ser bom, mas por ser Kim Taehyung.

Não sei como, mas em segundos ele se encontra sorrindo, puramente sexual, acomodado em meu colo. Suas mãos arranham meu couro cabeludo, posso até mesmo imaginar meus fios negros rodeando seus dedos, quase desenfreados. Busco seus lábios, novamente, ainda que desejo continuar observando seu rosto, mas retribuí-lo com os olhos abertos parece-me um sinal desesperador. E eu preciso ser sexy, Jeon Jeongguk, forjando minha coisa de ser bad boy.

— Eu quero cantar uma música de cavalinho... — acabo sussurrando que nem um idiota, e ao invés de continuar me beijando, Kim Taehyung se preocupa em rir da minha cara — eu não falei isso alto, foi sua imaginação que gosta de me imaginar.

— Vamos ser sinceros, o maluco aqui é você. — Não sei por qual motivo, ele bagunça meus fios e beija a ponta do meu nariz, não sei ao certo o sentido disso, mas seguimos firme tentando acalmar o coração. — Sabia que era bem complicado fingir que eu não percebia aquelas suas olhadas no corredor? Jeon Jeongguk, você não conhece a definição de ser discreto.

Pressiono minhas mãos em sua cintura, querendo apertar até virar algo só meu, e giro meu próprio hyung, já me deliciando com sua visão risonha toda aprumada em minha cama. Para minha total surpresa, antes que eu consiga — novamente e enlouquecedoramente — beijá-lo e realizar meus sonhos de menino pervertido, seu corpo exerce aquela pressão que meus sonhos tanto tentarem decifrar de algum modo, e logo, sua perna dança com as minhas, e seus lábios rosados beijam suavemente, nos poucos instantes que tentam amenizar as mordidas.

Sinceramente, não sei ao certo quanto tempo fico em um vício maluco de mordiscar meu próprio lábio, mordiscar o lábio dele, e mordiscar a minha própria consciência para dizer que sim, isso está acontecendo, e não, isso não é um sonho.

"Será que o Taehyung tem tempo para aprender a beijar?". Uma vez ouvi uma idiota perguntando no corretor. "Será que alguém vai ter um tempo para querer te beijar?". Eu respondi, sendo um belo de um idiota, mas pelo menos honrando meu papel e defendendo o amor da minha vida.

— Você não está sendo um bom nerd, Kim Taehyung.

— E você está sendo um bom bad boy, então o mundo pode respirar em paz... — Kim arrumou algum tipo de lanche natural para comermos, o que é bem a cara dele, não sei de onde ele tirou isso, mas quando demos por terminado aquela primeira ficada que já deseja se repetir, ele saiu por alguns minutos e voltou com uma mochila, e uma bandeja com coisinhas que eu não sou acostumado a ingerir. — Por que fica olhando para o tomate como se nunca o tivesse visto na vida?

— É que eu achei que tomate tinha gosto de pimenta, estou bem impressionado, ele é salgadinho... adocicado.

— Então, tecnicamente, você é um tomate, Jeon Jeongguk. — Ele parece muito focado em morder o sanduíche, acho que estou começando a querer que ele morda alguma parte da minha bunda, digo, da minha boca. — As pessoas acham que você é apimentado, quando na verdade é um ser adocicado com teor salgado.

— Sempre soube que você tem um humor selvagem...

Kim fica me encarando por uns pares de segundo, como se estivesse prestes a responder uma pergunta, tentando decodificar algo ou até terminando de resolver uma conta com uma fórmula que eu realmente estou jogando o verdadeiro do foda-se. Mesmo que curto, conseguindo ter uma visão em câmera lenta, observando à primeira o som gostoso de uma risada lenta, algo que Taehyung não parece muito acostumado a fazer.

— Sabe, que um lanche natural é a melhor alternativa para uma viagem um tanto longa? — Adoro quando ele fica tagarelando coisa que eu não entendo, é tão apaixonante. — E uma ressalva, beijar esse seu piercing foi uma das melhores experiências da minha vida. Estou até com vontade de fazer de novo, mas tenho prioridades.

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