Chapter 1 - Where it all begins

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Claire estava tendo um péssimo dia. Tinha acabado de voltar de sua quinta audição naquela semana e novamente fora desprezada por um diretor de casting - não muito educado - por não se encaixar no biotipo padrão: alta, super magra e loira de olhos azuis.  Aliás, ela nunca parecia ser o tipo certo. Os dias passavam e seus sonhos pareciam cada vez mais distantes, fazendo aquela voz em sua cabeça soar mais alto: "Será que você realmente nasceu pra isso?", "Talvez não seja boa o suficiente", "Devia gastar seu tempo com outras coisas, pois parece que você não vai a lugar algum", as palavras de sua mãe ecoaram em seus ouvidos. Ela chacoalhou a cabeça afastando aquelas lembranças, pois há muito tempo prometera a si mesma que provaria à todos que um dia duvidaram de sua capacidade, o quão errados estavam.

Ela suspirou exausta antes de entrar em seu pequeno apartamento na Ohio Ave -Westhollywood. Estava decidida a encher a banheira e se entupir de vinho, quando tropeçou num tênis de academia no meio do caminho. Ótimo! A voz gritou. Como se a sua semana não tivesse sido problema suficiente, ela ainda tinha que chegar em casa e lidar com a bagunça de Noah, seu atual namorado.

- Ei, você trouxe meu lanche? – Ele gritou do banheiro. Claire franziu a testa confusa, tentando se lembrar de tal pedido.

- Não - Respondeu cansada, colocando suas coisas sobre a bancada da cozinha.

- Você não recebeu minha mensagem? – Noah questionou, irritado. Claire então viu as duas mensagens que o rapaz havia mandado, porém estava extremamente exausta e queria evitar uma discussão.

- Não vi, desculpe. Meu dia não tem sido muito bom... - Ela explicou num tom chateado, esperando que ele fosse compreender. 

- Seu dia? Essa é ótima!- Caçoou Noah, sarcasticamente -  Você não se preocupa com ninguém além de você mesma! Nem pra olhar a porra do celular!

Claire o encarou desacreditada com a audácia. Não vai se estressar, a voz em sua cabeça impôs. 

- Você pode, por favor, não deixar suas coisas largadas por ai? – Claire pediu entredentes, tentando manter o fio de calma ao qual se segurava,  ao apontar o tênis largado no meio do caminho.

- Esse apartamento também é meu - Disse o rapaz olhando-a de soslaio. 

Ela estava realmente tentando não se alterar, mas Noah insistia em testar sua frágil paciência. 

- Pra esse lugar também ser seu, você teria que me ajudar a pagar o aluguel, coisa que você não faz... - observou Claire num tom sarcástico, foi o suficiente para atingir o frágil ego masculino.

- Como eu disse, só se preocupa com você mesma! Eu estou tentando levantar um negócio do zero! Não é uma coisa barata de se fazer... É pra lá que meu dinheiro esta indo... Achei que você entendesse isso, achei que tinha seu apoio.

Noah estava tentando abrir uma fábrica de cervejas artesanais há um ano, porém não obtivera qualquer sucesso. Claire falhava em ver como aquilo poderia dar certo, já que ele não levantava a bunda do sofá para apresentar o produto à possíveis investidores. 

- Eu apoio você Noah! O mínimo que eu peço é que mantenha o lugar organizado...- Disse ela, suspirando profundamente, tentando manter a calma - Não acho que eu estou pedindo muito.

- Pelo menos eu estou fazendo algo útil, não fico por ai brincando de teatro! O que você estava fazendo que era tão importante a ponto de ignorar a minha mensagem? Tava por ai com algum babaca me traindo? - Inquiriu ele, pronto para prolongar aquela briga. Aquela ultima acusação quase fora o suficiente para que Claire vomitasse todas as palavras que estavam tão enclausuradas dentro de seu coração. Qual motivo teria ela para procurar outra pessoa não é mesmo? Uma pessoa que cuidasse dela, a apoiasse e a compreendesse, pois estavam juntos há quase três anos e cada dia que passava ela conseguia enxergar claro como o dia que Noah não era tal pessoa. Porém Claire já tivera decepções suficientes por um dia e não tinha mais energias para bater boca com o rapaz, que parecia determinado a estender a discussão. 

- Eu não vou discutir com você, tive um dia pra lá de cheio, acabei de voltar de uma audição e não estou com paciência pra essa sua atitude - Ela disse exausta, arrastando-se em direção ao quarto. 

- Audição? Você ainda não desistiu disso? - questionou sarcasticamente - Quantas vezes você precisa que essa gente te diga que você não é boa o suficiente para finalmente cair na real e investir numa profissão séria? Essa merda não vai te levar à lugar nenhum - grunhiu ele, socando a parede. 

Fora a gota d'agua. Claire cerrou os pulsos, sentiu seus musculos se contraírem tentando conter o ódio que lhe subiu a espinha.  Ele mirou em uma das suas maiores inseguranças e acertou em cheio, tudo o que ela precisava era ter suas maiores inseguranças proferidas em voz alta.  Ele queria uma briga? Pois acabara de conseguir. 

Claire se voltou para ele estreitando os olhos, reunindo o resto das suas energias, agora transformadas em ódio. 

- Se você quiser a porra do seu  lanche, pega a droga do carro e vá buscar! - Disse entre dentes, avançando para cima dele ameaçadoramente - E guarda essa merda desse sapato! – Ela berrou em alto em bom tom, arremessando a chave do carro, errando a cabeça de Noah por alguns centímetros. A raiva foi tanta, que o alarme do carro se espatifou na parede da pequena sala de estar. Claire saiu batendo o pé exasperadamente em direção ao quarto, batendo a porta.

– Você está irritada porque sabe que é verdade – Ela o ouviu berrar em resposta, em seguida a porta da sala bateu violentamente. Ele havia saído.  Naquele momento não conseguiu mais reprimir suas emoções. Lentamente sentiu-se desabar, o ódio se tornando uma profunda tristeza misturada com frustração.

Ela estava exausta, cansada de batalhar todos os dias e receber não atrás de não. Dentro do peito um sentimento de que sua vida não devia estar sendo daquela forma. Claire via tantas possibilidades, mas não conseguia alcançá-las. Talvez as ideias em sua cabeça não passassem de um reflexo de seu gosto por romances literários na juventude, só isso explicaria sua inadequação e conformismo para relacionamentos amorosos.

Não é que Noah não fosse carinhoso e dissesse coisas bonitas, o problema era que ele - na maior parte do tempo - a irritava só por respirar. Sem contar que era burro feito uma porta, o que fazia Claire se perguntar se ele era realmente o cara certo para ela. Infelizmente,  essa pergunta tinha aparecido mais vezes do que ela gostaria de admitir nos últimos meses. 

Não sabia ao certo por quê se conformava com ele, talvez uma parte dela estava se punindo por ser um total e completo fracasso. A gente aceita o amor que acha que merece, A voz lembrou. Ou talvez simplesmente estava aterrorizada em ficar sozinha para o resto da vida. Não sabia se aguentaria voltar para uma casa vazia no final do dia e ser obrigada a enfrentar seus demônios, Noah era uma excelente distração. 

Claire ligou a torneira, enchendo a banheira com água quente. Preparou seu banho com todos os sais relaxantes que pode encontrar e pegou uma taça de vinho, enchendo-a até a boca. Afinal não era hora para ter classe e sim hora para esquecer os problemas.


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