A misteriosa dançarina

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- Hoje tem uma apresentação com uma tal de Flecha – comentou Diego enquanto esperávamos nossa amiga Tanisa.

- Flecha?

- Não me pergunte o porquê desse nome, mano. Não tenho a mínima ideia.

- Talvez ela seja muito rápida? – falei após um tempo, enquanto curtia umas fotos no Instagram da Júlia, uma garota que eu estava afim. Maldita Friendzone.

- Ou Magrela. Até gosto de roer um ossinho, mas rápida não, poxa. Assim já acaba com a graça na hora do "vamos ver". Hahahaha.

Diego era o engraçadão da turma. Sempre com uma resposta na ponta da língua e algumas piadas sem graça. Mas ele era charmoso e sempre saía com alguma garota que conhecia na balada.

Nunca fui um santo, não me entenda mal, mas também não sou de ficar com qualquer uma. Tive alguns rolos, uns namoros, mas nada tão sério assim. Preferia curtir uma balada como aquela sem compromisso com ninguém.

- Isso porque você estava reclamando que não gostava de "abrir balada" – falou Diego acompanhando meu olhar. A fila para a entrada da U-ltra aumentava cada vez mais. Vi algumas pessoas bebendo, outras conversando animadas, outras em seus celulares; dois caras bêbados e um deles de repente colocando pra fora o jantar num líquido amarelo.

- Que nojo, meu. – reclamei. – A noite mal começou.

Diego gargalhou, chamando a atenção das pessoas mais próximas. Vergonha alheia. Atualizei minhas redes sociais enquanto aguardava na fila, que por sinal não andava de jeito nenhum. Comecei a resmungar, impaciente.

- Que foi, Breno?

- Nada, besta.

- Ainda bem. Não vou cuidar de homem barbado em porta de balada.

- Como se fosse eu que desse trabalho, né? – rebati.

- Ih, a Tanisa chegou. Ela postou agora no face – Diego respondeu, mudando de

assunto.

- Verdade – respondi, olhando minhas mensagens. – Ela falou pra gente encontrar ela ali na frente.

Tanisa era gente boa. Quando a conhecemos, fiquei afim, mas logo o encantou acabou quando saímos pela primeira vez e ela beijou outra garota na nossa frente. Pena que o lance dela era outro. Pelo menos somos amigos.

- Aqui, meninos! – chamou ela, quase próxima à hostess que checava os nomes na lista.

- Você não viu nossas mensagens? – perguntei.

- Foi mal, fiquei ocupada – respondeu ela, ajeitando sua mini saia e sua bolsinha. "Ocupada" da Tanisa significava que ela tinha encontrado seus fornecedores de drogas: Êxtase e cocaína. Em pouco tempo ela estaria com sua bolsinha cheia de dinheiro.

Finalmente liberada nossa entrada, adentramos o corredor escuro iluminado por luzes neon e chegamos na pista principal. A decoração da U-ltra estava incrível: Luzes coloridas dançavam pelas paredes, realçando as ilustrações indianas e um telão com o nome dos Dj's que iam tocar, seguido pelos dizeres "Atração especial da noite: Flecha".

- Muito lindo. – Observou Tanisa, elevando tom de voz para que a ouvíssemos. A música já estava nas alturas.

- Verdade. Vamos lá fora ver como está – chamou Diego.

A pista open air estava decorada com grafites nas paredes, postes com luzes nos cantos e um palco ao fundo. Aqueles organizadores sabiam como fazer uma festa.

- Essa noite vai ser foda.

- Também acho – concordou Tanisa, sorrindo.

- Vamos tomar alguma coisa e curtir. - Falou Diego.

Uma Flecha em meu coraçãoStories to obsess over. Discover now