Sentada sobre a mesa, Clarisse pensava sobre sua fuga. A mulher, que lutou durante anos no deserto da Síria, se encontrava encurralada em seu prédio abandonado em Los Angeles. Havia anos que trabalhava para o FBI em LA. Era uma agente habilidosa, estava em combate desde os dezoito anos e agora, com vinte e cinco, se encontrava na pior das situações: os bandidos haviam descoberto sua identidade. Alguém a havia entregado. Alguém estava tentando matá-la.
Clarisse ponderou suas possibilidades: a primeira era sair pela escada de incêndio; a segunda, tentar metralhar o máximo de pessoas possível; e a terceira opção... fazer do jeito Clarisse de ser. Pensar nessa possibilidade a fez rir. Clarisse riu de si mesma. Sua impulsividade era sempre julgada, mas hoje, poderia salvar sua pele.
Rapidamente, Clarisse fez inúmeras bombas caseiras e, em seguida, colocou todas em seu apartamento. Despediu-se rapidamente, o que a fez rir novamente. Ela nunca teve um lar antes e agora estava se despedindo... e nem se sentia mal por isso. Ela entendia que era parte de seu trabalho — e gostava disso: não ter um lar.
Contou até três e pulou do quinto andar, caindo em cima de um latão de lixo que, para seu azar, estava com as duas tampas fechadas. Depois de um minuto, ouviu a porta de seu apartamento sendo arrombada. Isso a fez correr para longe do prédio abandonado. Seu corpo não doía. Ela sabia que a adrenalina corria por suas veias. Depois de alguns segundos, ela ouviu seu prédio desabando.
Ela viu todos os seus inimigos sendo soterrados por concreto e riu. Era a adrenalina. Sua respiração estava desregulada, sua visão foi se tornando preta, e agora, ela se encontrava no chão.
Clarisse
Que merda. Eu tô no hospital. Eu não acredito que desmaiei. Não acredito. Sempre fui tão boa. Agora Jeremy vai me perturbar, falando que eu deveria ter um parceiro, que eu não posso bancar a Kim Possible, que eu preciso me cuidar... Minha nossa, já posso ouvir a ladainha.
Aperto o botão e vejo a enfermeira entrando no quarto. Ela sorri para mim e mede minha pressão.
— Você pode me informar a minha situação? — pergunto.
— Ah, posso chamar o médico. Eu cheguei no plantão agora — ela sorri, meio sem graça.
— Tudo bem, não precisa se preocupar — sorrio.
Ela sai, e, alguns minutos depois, vejo o médico, Jeremy e um rapaz passando pelo corredor. O homem se senta lá fora. Já Jeremy e o médico adentram o cômodo.
— Dr. Morales, saudades de você — cumprimento, sorrindo.
— Não vem com essa de Dr. Morales. Eu tô revoltado com a senhorita — o senhor de sessenta anos briga comigo.
— Que isso, doutor, tá tudo bem comigo — me defendo, fingindo tristeza.
— Você pulou do quinto andar — ele reclama — podia ter morrido.
— É que não tinha mais um.
— Garota, eu juro que um dia desses largo o FBI.
— Sr. Ray, como está? — Jeremy pergunta.
— Tô bem. Alguém me entregou, mas fora isso, tô bem — rio nervosa enquanto ele me fita.
— Que bom, Clarisse. Eu não me perdoaria se algo acontecesse — ele diz, com um pouco de tristeza na voz. Por alguns segundos, encara seu relógio e me fita.
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Do Meu Jeito
RomanceApós se jogar do quinto andar, para fugir dos bandidos, a agente Clarisse, que trabalha para o FBI, é selecionada para uma nova missão, uma que não exiga dela pular de prédios, ou atirar em pessoas, ela se infiltrará no Upper East Side, e se tornará...
