1 - O que aconteceu?

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(Ativem a canção antes de começar a leitura)

01/01/2016

Enquanto estou dando voltas pelos corredores deste hospital, completamente silencioso e triste, 3:40 da manhã, do primeiro dia do ano,percebo o quanto meus olhos fundos e vermelhos estão assustando as enfermeiras de plantão.
            Escuto o som do relógio, cochicho em meio á risadinhas de funcionárias e só consigo pensar que estou aqui está exatamente uma semana, esperando que o amor da minha vida consiga sobreviver, que consiga responder ao tratamento do câncer, ao qual recusou por tanto tempo, negligenciou a si mesma. Está errado querer que ela sobreviva apenas para sufoca-la em um travesseiro de hospital e matá-la? Por que me ocultou a verdade, por que me impediu de ajuda-la a lutar pela vida?     
         Mas ela sempre foi louca e no fundo senti que havia um ar de suicida, MAS ISSO? QUE CARALHO! suspiro. - É melhor eu tomar um café.
         Desço a rampa, vou até uma lanchonete 24 horas do hospital, vejo os mesmos rostos de sempre, tudo muito comum, e madrugada é a hora de ver todos os acompanhantes que não dormem com suas feições tristes e olhares desesperançosos.
          Pego um café que foi recentemente tirado do fogo, quente para foder, silêncio e mais silêncio, dou uma olhada na TV. Hora de voltar.
        Subo a rampa, uma ligação, olho é o Resta, um dos PM que está me cobrindo nesse exato momento.
           - Eaí Copolla, não aguento de tédio, atendi apenas uma ocorrência de briga de casal, o cara tentou bater na mulher. ELE DA UMA RISADINHA. - Como está a Cecília? Ele não está nenhum pouco preocupado com Cecília, está tentando não dormir porque ainda não descobriu o ''poder da branca de neve''. Ele acha inútil salvar a vida de uma mulher, que esteja em perigo com o marido, se bem que depois desse chute pelas costas que Cecília me deu, eu a colocaria em perigo se estivesse ainda saudável, penso e dou uma risada, eu seria preso por você Cecília
      - Oi Resta, Cecília está estável por enquanto, ainda não reagiu ao tratamento, os médicos disseram que vão lhe dar um tratamento mais agressivo. Fez cirurgia nessa tarde para retirada de um tumor, e é só isso que sei até o momento. Obrigada por se preocupar, ok? Vou desligar.
        Não sei por que passei tanta informação, talvez seja por que Cecília não tem ninguém além de mim que se preocupe, sua ''melhor'' amiga Maria Julia, a visitou no primeiro dia, mas odeia hospitais, não se sacrificou por ela.
       Entro no corredor em direção ao quarto dela, ando calmamente e sem pressa, aliás tudo está tranquilo, e a vejo através da janela de vidro, calma tranquila em um sono pesado, devo ser louco, mas o tubo e todos os aparelhos que estão grudados nela, deixa ela ainda mais bonita e mais frágil, como um vaso perfeito de flores que pode ser quebrado a qualquer momento, dito e feito.
         - Ela esta tento uma parada cardíaca, como é que vocês não me chamaram? Disse o Dr. Rodrigo, ele entra com tanta pressa, correndo pelo quarto.
        Entro correndo logo após, e eu senti que o meu coração que tinha parado, por um segundo tudo parou e uma câmera lenta se ativou em meu cérebro. As enfermeiras entraram, e tentaram avisá-lo do grande feito de Cecìlia um pouco antes da cirurgia.     
    Nossa história juntos inteira passou pela mente nesse 13211606, pude sentir o cheiro do seu óleo corporal, que me deixava extremamente excitado, as vezes que peguei você se masturbando com nossos videos, depois que gozava, ainda me queria e tinha mais vários orgasmos. Acabou.
        - Doutor, me escuta. Cecília assinou os papéis de não reanimação, durante e após a cirurgia. Disse a enfermeira. Olho pra Cecília, olho pro doutor com um feição perturbadora e irritado por não ter checado antes. Eu paro respiro. 
           - Mas que porra é está? VOCÊS NÂO PODEM DEIXAR ELA IR. CECÍLIA NÃO FARIA ISSO. O Médico me olha com uma expressão de pêsame em quanto aquele barulho infernal da máquina está ficando cada vez mais alto em meus ouvidos, e eu não sei o que fazer.
       - Desculpe rapaz, não há nada que possamos fazer, ela escolheu.

Sem pensar nem por cinco segundos, eu arranco minha pistola, que estava encaixada em meu suporte, aponto pro médico. Ele ergue as mãos com os olhos de medo, as enfermeiras se assustam e ficam paralisadas.
        - Calma garoto, você sabe que pode acabar com sua vida, sua carreira, por conta disso.
        - Que CARALHO DE CARREIRA, reanima ela agora, por que não vai ser só ela que vai morrer nesse quarto hoje!...
Eu estou trêmulo, isso tudo acontecendo dentro de 4 minutos, 4 minutos que seu coração não está bombardeando sangue pelo seu corpo, você está morta, mas eu preciso disso. Eu preciso tentar por você, você simplesmente não pode fazer isso comigo Cecília.
      O Médico aceita o carrinho de parada, e logo começa seu trabalho, trêmulo mas eficaz... ele para novamente.
       - Você tem que aceitar garoto, ela se foi e isso foi escolha dela.... Eu não acredito que esse merda de médico parou de tentar fazer ela voltar filho de uma puta. Não estou pensando, atiro em um dos vidros do hospital. Todos se assustam. E pensando provavelmente na esposa e na amante, com quem ele não vai mais ter sexo pois estará morto, volta a tentar a reanimação.
      Oito minutos... Meus olhos que já estavam vermelhos e fundos agora estão vermelhos e inchados, lágrimas caem do meu rosto, o que é que você tem na sua mente sua vagabunda de merda. Silêncio...
     Ele para por menos de um minuto, a máquina volta a recaptar seus batimentos.

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