-Tripulação, o dia de hoje é especial pois o navio de mar e guerra, Maria Quitéria, comemora 1 ano de operação. E sendo o primeiro de 5 dos navios de megaoperações do Brasil. - Falou o Contra-Almirante Alexandre Richter. Todos vibraram, gritaram e aplaudiram.
O Quitéria é o primeiro dos 5 navios de guerra com tecnologia mais avançada. Aqui temos 5 canhões de longo alcance na parte proa, uma cabine de torre anti-aérea, ao longo de todo o casco temos mais canhões, um morteiro altamente eficaz e calibrado, e na popa temos 3 canhões e 5 metralhadoras caso os nossos 100 barcos de apoio não consigam dar fim nos perseguidores. Contamos com uma frota de 300 barcos de apoio de rápida locomoção do tipo corveta, 100 lanchas, 5 helicópteros classe seahawk, 10 helicópteros super cougar, 2 caças skyhawk e 3 mil tripulantes. E nossa arma secreta um submarino que poderemos lançar a qualquer momento. Todo esse contingente precisaria de um gigantesco tanque para alimentar. Mas o nosso maior segredo é contar com toda a superfície do navio e uma plataforma lateral que podemos abrir para aumentar a captação da energia solar. Essa energia é captada e armazenadas em baterias onde usamos para todos os veículos. E podemos ficar 15 anos sem ir as docas somente com manutenções próprias.
-Atenção todos preciso de 5 voluntários para ir ao litoral da cidadezinha para análise da situação por lá e a exploração, a lista de objetivos vou dar mais a frente. Os interessados comparecer a sala do almirante. -Falou o capitão de mar e guerra que está no comando da operação, Joaquim Neto. O capitão é um homem com pouco mais de 50 anos e está no comando do super navio desde que o almirante de esquadra está acamado, com um porte esbelto e elegante, o andar traz respeito e notoriedade onde passa. Ao chegar em um local é respeitado até pelos superiores, desde que deixou a barba crescer trouxe um ar mais sábio a ele, o olhar sereno e cheio de poder, dotado de um tom sério e as vezes amedrontador.
-Já que todos estão aqui vou falar a real situação e não tem como voltar atrás: não se sabe ao certo quando, mas começou uma pandemia que assolou os continentes. Sim eu sei que é uma péssima notícia para dar assim, mas não há outro jeito. Pandemia essa que fez mutações genéticas nos infectados, a maioria não sobrevive, mas aqueles agraciados em continuar vivendo tem algumas aptidões melhoradas e o que antes era hobbie acaba virando o diferencial. E a missão de vocês é verificar se o Porto está liberada para docarmos e fazer uma descarbonização do motor principal. Vocês terão uma pistola, 3 pentes cada um, uma bússola e um mapa. Boa sorte e cuidado, o ponto de extração está marcado.
Após a saída da equipe, Neto falou aos demais homens da tripulação e a sua subalterna, e próxima na hierarquia, a capitã de fragata Marcela Richter. Uma gaúcha de descendência alemã, pele clara e cabelos loiros, olhos castanhos escuros, única característica herdada da mãe, o pai, acamado e indefeso Alex Richter o contra-almirante, o responsável pela embarcação que residiam neste momento. Sempre ao ver o pai naquele estado, frágil e piedoso era difícil imaginar as feições quando nos momentos de saúde: um homenzarrão de porte forte, alto, cabelo escuro e olhar penetrante, sempre sorrindo e feliz quando em casa, mas no trabalho um verdadeiro alemão. Só sabe o que pensa quando é tarde demais.
-O senhor acha que eles vão conseguir? –Perguntou ela baixinho.
-Não, mas precisamos tentar. Nunca deixe seus subordinados saberem o que está pensando, seja sempre sem expressão e nunca deixe que entrem em sua cabeça.
Justo no dia que os tripulantes mais gostavam e comemoravam o aniversário da embarcação que agora era sua casa e sua vida, não houve nada a se comemorar como estaria os familiares? As cidades de onde vieram? Por que o governo nada falou a eles? Porém eles ainda tinham o amor pelo mar, pela Quitéria. O sentimento de orgulho e pátria aumentava a cada vitória em guerra, a cada patrulha bem-sucedida (que nos últimos meses não acontecia) e a cada dia que passava.
A noite se aproximara e o toque de recolher foi imposto para que haja uma economia nos combustíveis e manter a sanidade, já que o pronunciamento da situação foi aberta a todos os tripulantes.
Marcela Richter estava entrando em sua cabine para descansar e esperar o alarme das 6 horas da manhã que avisava que um novo dia ia começar (cabine era simples para uma capitã de fragata mesmo que em treinamento como ela, mas a cabine mais luxuosa estava ocupada com material médico de seu pai), porém ao fechar a portar ela sentiu que algo impedia o fechamento da mesma, e olhando para a porta sem saber o que estava acontecendo viu uma bota no canto inferior. Ela imediatamente tomada de fúria abriu a porta e se espantou ao ver o rosto familiar do segundo-tenente Augusto Assis.
-O que faz aqui Augusto? O toque de recolher já foi acionado.-
-Estou aqui para uma simples conversa capitã, aliás estamos aqui.- Ao falar isso mais 4 tripulantes surgiram atrás dele. Todos eram suboficiais que ela já conhecia e odiava, pelo simples fato de todos os 5 desafiarem constantemente seu pai na liderança da Maria Quitéria.
-O que vocês querem? Já está na hora de irem para as cabines, se querem conversar que seja amanhã.- Mesmo com o tom rude e a porta sendo fechada os soldados insistiram:
-Uma conversa na calada da noite não vai fazer mal.-
-Saiam daqui!.- Gritou Marcela e levando a mão ao coldre no lado direito da cintura, mas desistiu ao perceber que haviam 2 pistolas apontadas para ela.
-Bem já que fomos tão bem recebidos, melhor fechar a porta para ficarmos mais a vontade. E não adianta gritar pois qualquer grito seu, o barulho da cabeça do seu pai explodindo lá em cima vai ser maior. E além do mais você sabe o quanto amo o seu pai e seria trágico chegar lá e ver ele morto, fora que você vai virar comida de marinheiro.
-Você não escaparia disso, saiam daqui. Isso é uma ordem.- Exigiu Marcela.
-Desculpe, mas não está em posição de exigir nada. Aliás vamos fazer várias posições hoje.- Falou Augusto ao abrir sua calça bem enfrente a Marcela.
Ela estava apavorada, mas não demonstrava, seguindo o conselho que recebera no dia anterior. Diante de seus olhos ela viu os 5 homens, que deviam mostrar respeito a ela, se transformarem em monstros, o olhar maldoso e de desejo deixavam ainda mais cegos. O 3 primeiros homens estavam já seminus, os outros 2 que seguravam as armas serão os próximos no rodízio do crime que estavam acontecendo. Apesar da dor, humilhação, vontade de chorar, socos, chutes, e armas em seu órgão genital. Ela não emitiu som algum, não mudou a expressão de ódio que sentira e não adiantava debater ou demonstrar submissa pois assim aumentava o desejo e a agressividade deles. Depois de 5 horas de puro horror, os criminosos foram embora e ela foi cambaleando e segurando nas paredes do corredor, para o chuveiro
horrorizada pelo o que acabou de acontecer. Chegando no banheiro na ala feminina não aguentou mais e caiu no choro, chorava, gritava e deixava apenas o barulho das ondas acalmá-la, desde quando era criança somente o mar era capaz de acalmá-la.
Não percebeu que a hora passou e o dia amanheceu, ainda estava sentada em posição fetal no chão do banheiro. Os hematomas, a dor não importava mais, era passado, um passado sombrio que nada e nem ninguém pode apagar da sua vida. Dias se passaram e todos se perguntavam o que tinha acontecido à capitã que antes sempre era vista sorrindo e bem-humorada, nem quando o pai adoecera ela se abalou. Mas ela tinha mudado isso todos sabiam. E sabiam também que ela não dormia mais na cabine e sim no salão do almirante que agora mais parecia um leito de UTI na única cadeira do salão, ao lado do pai e sempre com a arma em punho.
-Marcela? Posso entrar?- Falou Joaquim Neto.
-Pode sim, senhor.- Falou secamente.
Mas Neto não se surpreendeu com o jeito rude que ela respondeu, pois a mais ou menos uma semana, a sua querida capitã (que por muitas vezes ele chamava de filha com orgulho) havia mudado: só respondia o que era perguntado e nunca mais esboçou o sorriso largo, mostrando os dentes brancos e perfeitos. A criança que ele vira crescer com seu parceiro e amigo Alex, não existia mais e ele precisava saber o motivo. Mas qualquer que fossem suas perguntas a resposta era a mesma ou nem isso ela se dava o trabalho de fazer.
-Marcela eu preciso saber o que houve com você, por que está tão mudada? –
-Não aconteceu nada senhor.-
-Se não quer falar com seu amigo, fale com seu superior. Capitã de fragata Marcela Richter eu EXIJO uma explicação agora e já.- Falou ele com um tom sério que em muitos colocariam medo, mas não aquela mulher que não sentia mais nada,e nada podia perder, nada era mais importante que seu pai.
-Não aconteceu nada, SENHOR.- Falou ela.
-Se não me contar eu vou lhe suspender por 3 dias e irá presa por desacato e descumprimento de hierarquia e perderá o seu posto. É isso que você quer?-Ameaçou ele.
Ela não queria passar um momento se quer longe do seu pai e nem ficar na cadeia da embarcação onde os marginais, escondidos de militares estariam esperando o momento para atacar de novo. E ela não aguentaria novamente. Ela precisava contar ao Neto, pois ele era amigo de seu pai e a tratava como filha, mas Marcela não sabia quem estava por dentro do que aconteceu com ela e nem quem que aquele filho de uma puta do Augusto tinha se aliado. Será que o capitão sabia e iria abusá-la também? Será que a ovelha se transformaria em um lobo? Ela não tinha certeza, e decidiu usar a desculpa mais simples e eficiente que uma mulher pode dar ao homem, quando este insiste em descobrir o que houve:
-Quer a verdade? Eu lhe digo, estou naqueles dias. Não falei antes pois tinha vergonha, pois eu sou uma entre as mil mulheres desse navio e ainda assim, compondo um terço da tripulação, não tenho o direito de menstruar? O senhor quer ver meu período menstrual?- Falou ela em tom rude e forte, esperando que funcione para que ele saísse dali sem fazer mais perguntas.
-Desculpa, podia falar apenas que era coisas de mulher que entenderia. Tenho mulher e filha em casa, ou melhor tinha. –Ao recordar de sua esposa e filha, possivelmente mortos pela pandemia, lembrou como a filha ficava ao sentir interrogada por ele. –Bem, passar bem, e trate de dormir.
-Joaquim, desculpa mas sabe como é né.- Falou Marcela mantendo assim a personagem que criara.
CURIOSIDADES NAVAIS (Fontes: site oficial da Marinha)
O primeiro comandante naval brasileiro foi Jerônimo de Albuquerque, mestiço e ídolo dos indígenas, que, chefiando uma esquadrilha de navios, foi o primeiro brasileiro nato a comandar forças em combate, na defesa do território em 1615.
Capa feita por EstrelaForaDeOrbita
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Super Navio
Science FictionApós um misterioso vírus se alastrar pelos continentes, cabe aos tripulantes do majestoso navio da marinha brasileira: Maria Quitéria, descobrir o que é e como sobreviver a essa doença e os perigos de viver enlatado no meio do oceano. Só o que sabem...
