A chuva cai vagarosa lá fora, enquanto observo uma gotícula de água descer através da vidraça. Estou encolhida em um estofado perto da janela do abrigo que estava, com algumas ataduras em meus braços, por conta de alguns ferimentos que sofri em uma batalha sangrenta, onde minha casa foi totalmente destruída e minha mãe...
- Uzumaki Kui, Mito-sama escolheu sua filha para treiná-la e torná-la a próxima jinchuuriki da Kiuubi. - ouço as vozes dos ninjas de Konoha na sala próxima ao quarto que estou.
Me levanto e vou até a porta entreaberta, para ouvir melhor sua conversa com meu pai.
- Graças ao chakra especial de Kushina-san, revelado durante o atentado à Vila do Redemoinho, Mito-sama decidiu que ela deveria ser a próxima a servir o país do fogo, sendo receptáculo da Kiuubi. O que acha, Kui-sama? - pergunta o ninja ao meu pai e o mesmo fica em silêncio.
Não sabia o que significava ser a próxima "jinchuuriki". Nunca ouvi nada do tipo. Mas, por que essa tal de Mito-sama me escolheu? Por que manifestei a especialidade dos Uzumakis? Não sabia. Ouvi meu pai suspirar.
- Posso pensar? É uma responsabilidade enorme para uma criança de 6 anos. Sem falar que, Kushina e eu ainda estamos tristes por causa do que houve na nossa aldeia. - responde meu pai e sinto meu estômago gelar. O papai ia pensar?
- Tudo bem. Te daremos três dias para pensar no assunto, mas devo informá-lo que Mito-sama não tem muito mais tempo. Ela já atingiu uma idade avançada e não pode esperar. Então, peço que pense no bem do País do Fogo, porque caso Mito-sama morra antes de acharmos alguém para sucedê-la, perderemos nossa besta de caudas e estaremos em desvantagem em relação a outras nações. Por isso, peço que seja breve. - informa outro ninja e vejo pela fresta da porta eles se despedirem e irem embora.
Naquela noite, enquanto jantávamos, pergunto ao meu pai:
- Papai, o que aqueles ninjas de Konoha queriam? - indago e meu pai fica quieto, parecendo pensar.
- Creio que você ouviu. O que quer perguntar? - questiona meu pai, me fitando.
- O que significa ser uma jinchuuriki? - pergunto, curiosa.
Meu pai coloca as mãos na frente do rosto, pensativo.
- Um jinchuuriki é uma espécie de receptáculo de uma besta de caudas.
Tremo ao ouvir isso. Olho para papai, confusa.
- O que são bestas de caudas? E por que precisam de receptáculos?
- Bestas de caudas são monstros que todos os países tem como uma espécie de arma que podem usar. Para controlar esses monstros, eles os selam em pessoas aptas, a fim de que as bestas não causem destruição em sua aldeia. - explica meu pai, e para, ao ver minha cara de espanto. - Bom, não precisa se preocupar. Eu disse que ia pensar. Você não precisa ficar assustada. Não vou fazer nada que não queira.
Meu pai dá um sorriso fraco e isso me deixa mais confortável. Depois do jantar, retiro os pratos da mesa, enquanto meu pai lava as louças. Vou para o quarto, pensando sobre a proposta que os ninjas apresentaram. Me sento no estofado de antes e observo crianças brincarem lá fora. Algumas estavam com ataduras, devido ao incidente de dias atrás.
Alguns ninjas estrangeiros invadiram nossa aldeia e mataram muitos de nós, sendo uma das vítimas, minha mãe. Fiquei desolada, tanto que nem tinha vontade de brincar. Estávamos em um abrigo temporário muito limitado, e muitos dos habitantes da minha antiga aldeia foram dispersados pelos países. Todos os dias, eu via pessoas sofrendo e não demoraria muito a meu pai e eu termos que procurar outro lugar. Ficar ali, significava morrer de miséria. Contudo, se fôssemos para Konoha, teríamos uma chance de sobreviver.
Me lembro do que minha mãe disse, um pouco antes de morrer, sobre cuidar do meu pai. Eu tenho que fazer alguma coisa. Não posso deixar meu pai ficar aqui, assim como também não quero ficar. Quero um lugar para chamar de lar. Quero uma nova casa. "Seja feliz!", falou minha mãe, em seu último suspiro.
Fico pensando no assunto. Crianças como eu, não se podem dar o luxo de serem crianças. Aprendem desde cedo a tomar decisões difíceis e agir como adultos. Era isso que tinha que fazer. Pensar no bem-estar do meu pai e no bem-estar do meu país. É isso. Já tomei minha decisão.
Me levanto e corro até a cozinha, onde meu pai está. Encontro-o secando os pratos, quando falo:
- Papai, eu aceito ser jinchuuriki, desde que o senhor e eu tenhamos uma nova casa e que possamos morar em Konoha!
Meu pai toma um susto, com minha afirmação repentina.
- O que está dizendo, Kushina? Quer ser mesmo uma jinchuuriki? Não vai ser fácil, minha filha, e não posso fazer isso com voc...
- Mesmo assim, eu quero ser! Para que a gente possa sair daqui! Iremos morrer, se ficarmos aqui! Se para ter um novo lar, terei que ser jinchuuriki, então serei! - afirmo e meu pai fica surpreso com minha resposta.
Ele coloca o prato sobre a mesa e se senta na cadeira, com as mãos em frente ao rosto. Seus cabelos vermelhos, caindo sobre sua face.
- Eu posso fazer isso, Papai! Mamãe disse que eu poderia ser o que quisesse! E eu quero cuidar do senhor! Prometi isso a ela! E não volto atrás com minha palavra! - digo, sentindo lágrimas brotarem em meus olhos.
Papai continua quieto e enxuga as lágrimas que escorrem do meu rosto.
- Você é igualzinha a sua mãe! Sempre colocando o bem do próximo acima do seu, e cuidando de mim. E eu... Eu não consegui proteger vocês... Eu sou um fracasso de pai! Falhei com sua mãe e falhei com você! Me desculpe, Kushina... - diz papai, e noto que lágrimas escorrem de seu rosto. Abraço-o e choro mais ainda.
- N-Não é verdade, papai! O-O senhor sempre cuidou d-de nós! Não se c-culpe pelo o que houve! - balbucio, entre soluços.
- Minha menina está crescendo! Estou orgulhoso de você, Kushina! Mesmo sendo tão nova, já pensa como uma adulta! Sua mãe estaria orgulhosa de você também! - comenta papai, entre lágrimas.
Ele segura meu rosto e enxuga algumas lágrimas que desciam, insistentemente.
- Se é isso que quer, então tudo bem. Darei a resposta a eles. - responde meu pai, dando um sorriso doce entre lágrimas.
Abraço-o novamente, com mais força, e novas lágrimas nascem. Não de tristeza, mas sim, de satisfação, por saber que estarei ajudando meu pai e cuidando dele, como prometi a mamãe, dando um novo lar a nós dois.
Não sabia que tipo de dificuldades teria de passar, mas estava disposta a enfrentar o que viesse para proteger meu pai. Faria isso por mim, por meu pai e por minha mãe. E ficarei forte, custe o que custar.
#NOTA DA AUTORA
Essa foi a introdução, e tentarei o máximo trazer novos capítulos toda semana. Desculpe qualquer erro, essa é minha segunda história e ainda estou me acostumando a escrever. Fiz essa história porque sempre amei a Kushina e ninguém sabe muito sobre ela e sobre os Uzumakis, então resolvi escrever uma fanfic sobre ela e o minato. Mais dela do que dele. :)
Obrigado por lerem! Votem e deixem seu ponto de vista sobre a história! Valeu! :)
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O Fio Vermelho do Destino
FanfictionOdiava meu cabelo. Por causa dele, os garotos da academia zombava de mim todos os dias. Eu batia e gritava com eles, porém suas implicâncias persistiam. Me apelidaram de "Pimenta Ardente Sanguinária", por causa do meu temperamento. E foi assim, desd...
