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Drame exposé

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Quando de manhã, repreendemos o tempo na cama
e contamos as horas restantes com dedos que não bastam
condenamos os minutos que paramos para apreciar
enquanto os sonhos da vida real parecem os sonhos dos olhos fechados
distantes, abstratos, bolhas que estouram a qualquer momento
muitos jamais serão lembrados

É do drama, o planejamento

Quando transformamos em carne o amor e num formato tão delicado
e acreditamos que ele sangra, cicatriza, uma rocha para as flechas
condenamos ao ódio, a matéria prima da humanidade
uma ostentação, obras de arte, o advogado da traição
perfumes jamais esquecidos

É do drama, o coração

E quando nos rendemos aos prazeres venenosos, 
pois a vida curta tem momentos insuportavelmente longos
e viramos a cara para o espelho, zombamos de quem fica demais
devastados por quem nos deixa cedo, seja com ou sem despedida
sempre dependemos da ciência, da fé ou da sorte
o único fim possível, ainda o fim mais surpreendente

É do drama, a morte

Numa grande tenda, nenhum artista sem trabalho
o mais popular espetáculo, os orgasmos do talento
o espaço mais democrático; corredores e salões, placas que não precisam de nomes
Sem códigos para estilos, idade, gênero ou local de nascimento
transformado constantemente, influenciados pela nossa reação
a variação de luz e toques para todos os lados
o idioma universal em forma de canção

É do drama, a exposição



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