Passado: Capítulo 1

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STUART GHETTI

Como uma pessoa pode me fazer sentir tantas coisas ao mesmo tempo? Mas ela consegue.
Com apenas um olhar já vou pra outro mundo. Fico paralisado. Quando me toca, eu me arrepio. Ela não gosta do sorriso dela, mas é tão lindo e sincera. E é assim, com pequenas coisas que ela faz, que eu tenho a certeza que amo ela verdadeiramente.

Quem diria que, depois de inúmeros relacionamentos fracassados acharia o que estava procurando.

Eu lembro, amor. De tudo, cada passo que a gente deu para as diversas direções que já fomos. Lembro das brigas também. Lembro de pensar que o amor é perfeito, que bobeira, o amor é pura imperfeição. Lembro de já ter ficado triste por te deixar triste. Lembro de me sentir mal com isso. Lembro dos momentos em que a gente foi bobo e feliz. Lembro que sou feliz a maior parte do tempo, pelo simples fato de você existir em mim.

Lembro dos teus dedos, que sempre me fazem carinho. Lembro da tua boca, que sempre me acalma. Lembro do teu rosto de menina, que me olha como se ainda fosse aquela primeira vez. Lembro de cada coisa que descubro, manias, gestos, pensamentos.

E o amor?

O amor nem dá pra definir direito. Acho que é um desejo de abraçar forte o outro, com tudo o que ele traz: passado, sonhos, projetos, manias, defeitos, cheiros, gostos. Amor é querer pensar no que vem depois, ficar sonhando com essa coisa que a gente chama de futuro, vida a dois. Acho que amor é não saber direito o que ele é, mas sentir tudo o que ele traz. É você pensar em desistir e desistir de ter pensado em desistir ao olhar pra cara da pessoa, ao sentir a paz que só aquela presença traz. É nos melhores e piores momentos da sua vida pensar preciso-contar-isso-pra-ele.

Só não me acorda. Se for sonho, me deixa acordar só quando eu souber o que é isso que eu sinto. Que nome tem esse negócio que deixa o coração com um sorriso de orelha a orelha.

.☆♡☆.

Sinto algo quente sobre minha pele, vou abrindo os olhos lentamente me acostumando com a claridade do ambiente, olho pro relógio que se encontrava na mesa da cabeceira que marcava 10 horas. Me virei tranquilamente admirando aquela beleza deslumbrante, seus cabelos encaracolados se espalhavam pelo tecido branco.Seus lábios rosados e carnudos destacavam em sua pele, seu nariz fino e arrebitado dava-lhe um toque de charme, amava tudo que tinha naquela mulher, aos mínimos detalhes até os mais notáveis.

Não imaginaria que, a menina que tanto me evitava em esbarrar pelos corredores, evitava trocar pequenos diálogos e olhares, estaria comigo hoje.

Ela amou um idiota, mas quem nunca ?
Ela esqueceu. Doeu, e provavelmente ela pensou que não suportaria. Porque, você sabe, dói mesmo. Mesmo quando a gente sabe que não tem que ser, dói. Mas passa. E pra ela passou.
Ela sempre foi demais para ele. De verdade. Não pela beleza, embora ela fosse verdadeiramente linda. Mas é que ela nunca se vendeu pelo dinheiro que ele tinha.

O importante é que ela não deixou que ele levasse nenhum pedacinho dela embora. Ele veio e passou, como uma tempestade que ensina a gente a ser mais forte.
Ela enxugou as lágrimas e tratou de ser feliz como merecia. Foi em frente, de forma leve. Por que, além do que seus olhos poderiam ver naquele momento, havia algo - e alguém - melhor. E ela sabia. Por isso, ela venceu.

Passei os dedos delicadamente em sua pele, afastei os fios que caiam sobre seus olhos e devagarinho seus olhos foi se abrindo, a íris que tanto me fascinava brilhava por conta da luz.

— Bom dia amor... — ela disse com a voz sonolenta.

— Bom dia. — sussurrou dando lhe um beijo na testa  — vamos tomar café da manhã ?

Conectados por um fioHistórias para pegar e não largar. Descubra agora