Mamonas Assassinas, fenômeno nos anos 90

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O Estado de S. Paulo 5/3/1996

Fenômeno Mamonas. A banda nasceu em 1990 com o nome Utopia e misturava punk rock com gêneros populares, como forró e brega, mas não fez nenhum sucesso. O reconhecimento só veio em 1995, quando o grupo passou a se chamar Mamonas Assassinas.

O estilo debochado dos artistas e das músicas logo conquistou crianças e adolescentes. O inglês “very gud”, “very porreta” e as farofadas na praia com a velha Brasilia Amarela cantados por Dinho caíram no gosto popular. Foi um estrondo nacional - com apenas um álbum lançado, cujo título levava o nome da banda, os meninos humildes de Guarulhos venderam mais de 2 milhões de cópias, e se transformaram em artistas de projeção nacional. Em pouco tempo de carreira o grupo fez 182 shows e participou de muitos programas de televisão.

Assumidamente palhaços, os meninos misturavam a graça com o rock, o forró, samba e todos os tipos de ritmos. O vocalista, Dinho, conseguia ser ao mesmo tempo bonito e engraçado, um tipo de carisma que não se costuma encontrar com tanta facilidade. “É o tipo de banda colegial, classe média, e deve fazer fama e fortuna neste curcuito”, escreveu o Estadão em 1995.
  Mamonas Assassinas é o álbum de estreia e único álbum de estúdio gravado pela banda brasileira de rock cômico Mamonas Assassinas. O álbum foi lançado em 23 de junho de 1995 e vendeu mais de 2,4 milhões de cópias só no Brasil, recebendo assim uma certificação de disco de diamante, segundo a ABPD É o 12° álbum mais vendido de todos os tempos no Brasil para artistas nacionais,e o 3º álbum mais vendido da década dos anos 90. O álbum quebrou diversos recordes até então nunca vistos antes no país, permanece sendo até os dias atuais como o álbum de estreia mais vendido da história no Brasil, igualmente como o álbum mais vendido em um único dia, somando 25.000 cópias vendidas em apenas 12 horas, e um período chegou a vender 50.000 cópias por dia, 100.000 cópias a cada dois dias, que era a certificação de disco de ouro na época, somando mais de 350.000 cópias vendias em uma semana. Em menos de 100 dias, o álbum alcançou a marca de 1 milhão de cópias, e dobrou esse numero até dezembro de 1995, somando 2 milhões de cópias vendidas em apenas seis meses, tornando-se o álbum vendido mais rapidamente em todos os tempos no Brasil. Com esse disco e o seu estilo cômico, os Mamonas invadiram as rádios brasileiras e caíram nas graças do público e da crítica, eternizando sucessos de forma avassaladora.

Em relação ao mercado externo, o disco vendeu mais do que 20.000 cópias em Portugal, rendendo a certificação de ouro do país. Foi também o segundo disco mais vendido no ano de 1996 em Portugal.
   Gravação

Rick Bonadio, apelidado pela banda de "Creuzebek" (corruptela de playback) foi o nome escolhido para produzir o álbum de estreia dos Mamonas. Porém, já nos primeiros dias, um problema: a EMI queria no mínimo 10 canções para o disco e eles só tinham três. Em uma semana,Dinho e companhia escreveram as outras 12 faixas que entrariam no trabalho, mas "Não Peide Aqui Baby", uma paródia da música "Twist and Shout", dos Beatles, foi cortada por conta da grande quantidade de palavrões. A gravação aconteceu em São Paulo, no estúdio de Bonadio, e a mixagem no The Enterprise, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Capa

A banda criou o conceito da capa do álbum, um desenho em que os músicos se penduravam em uma mulher nua expondo grandes seios (evocando o trocadilho no nome da banda, de "mamona" no sentido de "mama"), inspirada na Playboy de Mari Alexandre.
  Carlos Sá fez a ilustração, com a gravadora EMI mais tarde exigindo que fotografias dos rostos dos Mamonas fossem agregados à capa.

Encarte

Agradecimentos

Irreverentes, os Mamonas Assassinas traziam piadas inclusive no encarte do álbum, que traz diversos agradecimentos divertidos feitos pelos artistas em seu encarte.

Aos nossos pais, irmãos e familiares; ao Rafael (baba-ovo cósmico; ao Zé Luis (Meteoro); aos nossos amigos (são muitos e não caberiam neste encarte); ao Arnaldo Saccomani  ao Geraldo Celestino  e a todos que ajudaram na realização deste trabalho. Ao pessoal do avião (que serviu um rango da hora na nossa viagem pros USA); ao Santos Dumont (que inventou o avião, senão a gente ainda tava indo mixar o disco a pé); ao Gonzales (mexicano clandestino que arrumava nossos quartos no hotel); ao pessoal do estúdio "The Enterprise" (que ria das nossas piadas mesmo sem entender porra nenhuma); ao Charles Miller (por ter trazido o futebol pro Brasil); ao Chaves e Chapolin ; ao Billy, Pluck, Mike, Proteus, Dick, Giully e Fluke (nossos cachorros); ao Ultraman  (que matou aquele monstro horrível); à tia da escola que dava canjica na hora do recreio; ao pessoal da EMI, que nos encontrou em cima duma ponte com uma bigorna amarrada no pescoço, e num gesto de piedade acolheu nosso trabalho (valeu mesmo, galera!!!) E a DEUS, que foi quem mais nos ajudou e esteve sempre ao nosso lado.

Os agradecimentos feitos pelo Mamonas Assassinas no encarte do álbum.

Críticas musicais

Críticas profissionaisAvaliações da críticaFonteAvaliaçãoGaleria Musical

Iule Karalkovas, do site PortalSucesso, explica o sucesso comercial do álbum. Segundo ela, "por que todo esse sucesso? Simples. De uma maneira geral, o disco dos meninos foi um “tapa na cara da sociedade”, já que o humor de suas composições traziam muitos problemas da época à tona. Musicalmente, o disco também foi uma espécie de marco. Dinho era versátil, e, por isso, o grupo fez questão de não se prender em um só ritmo. Ou seja, além de fazer duras críticas à sociedade, o projeto passeou pelo rock ao pagode e ao baião com facilidade ." O crítico musical Igor Miranda vai na mesma linha. Para ele, "vale destacar que os músicos eram muito versáteis e habilidosos naquilo que era proposto. Muitas vezes passa despercebido, mas o instrumental do único álbum dos Mamonas é muito bem feito e, mesmo que de forma cômica, passeia sem equívocos por diversos gêneros musicais, como rock, metal, samba, pagode, baião, forró, pop e por aí vai. Eles tinham competência em seus postos e deixavam isso claro, inclusive, nos shows.

Luciana Gifoni, mestre em música pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), acredita que "a performance e as letras, moldadas pela 'comicidade escrachada', foi um dos fatores primordiais para a conquista do público.
A banda Mamonas Assassinas era formada por:

 Dinho (Alecsander Alves) - era o Vocalista  principal e líder da banda Também tocava violão; Bento Hinoto  (Alberto Hinoto) - era o guitarrista  da banda.Também tocava  e fazia backing vocals;Samuel Reoli  (Samuel Reis de Oliveira) - era o baixista  da banda e também fazia backing vocals; Sérgio Rroli (Sérgio Reis de Oliveira) - era baterista  da banda e também fazia  backing vocals;Júlio Rasec (Júlio César) - era o tecladista da banda. Também fazia backing vocals e vocais.
  1996:Mamonas Assassinas: Blá, Blá, Blá- A Biografia Autorizada.
  1996:O último Vôo- Uma Investigação Sem Limites. 
  1996: Pitchulinha, Minha Vida com Dinho - Até que os Mamonas nos Separem1997: O Breve Vôo de Longas Asas2004: Mamonas Assassinas - O Show Deve Continuar...2005: Mamonas Na Chaminé.

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