PRÓLOGO

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Era madrugada de terça-feira, o silêncio pairava aos quatro cantos da parede do quarto, várias velas pretas estavam acessas, à frente da porta tinha um espelho, a única clareza vinha das velas. Uma jovem mestiça estava sentada a recitar palavras estranhas, palavras que os seres humanos não pronunciam, a jovem estava vestida de vermelho, parecia uma pomba gira, rainha das sete encruzilhadas, o tom de voz da jovem tornava-se mais ameno :

-Olá, só quis dizer um olá para você! fale comigo, eu sei que estás aqui, será que podemos conversar um pouco?

A jovem tinha a esperança de ser respondida pela entidade que evocava.

-Olá, apenas quero um olá.

A única voz era dela, a entidade não se manifestava.

-Só quero um olá, eu sei que vocês existem, eu não te acho ruim.

Essas palavras despertaram a atenção da entidade misteriosa, o ser das trevas decidiu se comunicar:

-Quem és? qual é o seu nome? por que sempre me evocas?-questionou a entidade das trevas, sua voz era bastante grossa e audível.

-Olá, eu sou a Miriana Lopes, sou uma jovem psicóloga, estudante e cristã.

-Tu és cristã? como pode isso?

-Sim, sou.

-Interessante! o que queres comigo?

-Quero conhecer você, eu sei que vocês foram anjos, eu sei que vocês têm um lado bom, eu sei que vocês têm bom coração.

-Coração? -a entidade questionou de uma maneira desagradável.

-Sim, deixa-me te conhecer, eu sou psicóloga.

-Demónios não têm corações, não possuímos nada que os humanos possuem.

-Só o facto de estares a me responder, isso prova que você tem voz, boca, corpo, alma, coração. -Essas palavras penetraram fortemente na entidade das trevas.

-Miriana Lopes, é assim que você se chama? os teus pensamentos são interessantes. -disse a entidade, desaparecendo do local.

A entidade percebeu que Miriana Lopes não era como as outras jovens, ela era inteligente, educada, simpática e sincera. Essas qualidades fazia a entidade estar admirada.

-Sim, sou a Miriana Lopes. -Infelizmente, a entidade já tinha ido embora.

Miriana percebeu que já estava sozinha de novo, a entidade das trevas nem se quer se despediu.

-Pelo menos, disseste um olá, isso já é muito bom para nós.

De repente, as velas apagaram-se, a escuridão abraçou as quatro paredes do quarto.

-Voltaste de novo? -Miriana questionava, sem enxergar nada.

-Sim! -a entidade respondeu.

- Apagaste as velas por quê?

-Para não me enxergares.

-Você possuí um corpo físico? não és só espírito?

-Eu tenho um corpo físico, perdi a minha verdadeira beleza, quando ajudei Lúcifer a se rebelar contra Yahweh. Sou também espírito, quando sou invocado para estar dentro de um corpo.

-Certos demónios possuem corpos humanos?

-Queres saber demais, não achas? eu nunca possuí um corpo, não sou como os outros demónios, que gostam da vida humana, prejudicam e matam.

-Mais uma vez, isso só prova que você possui um coração dentro de si.

Ouvindo isso, a entidade queria ir embora de novo, mas preferiu ficar à contemplar à beleza da jovem, Miriana era uma linda mestiça de morrer, seus olhos pretos pareciam-se como as trevas, por isso, atraía a entidade das trevas de uma maneira ingénua.

KAMIKAZEStories to obsess over. Discover now