As lágrimas caem no chão, o barulho ensurdecedor não para, sentimentos alcançam um alto nível, paredes caindo, pedaços de casas sendo arremedados, a vontade de gritar e o desespero de não conseguir, o coração saltitando no peito, um grito alto:
-Thomas, Thomas!
Tem certeza que é sua mãe lhe chamando, mas não consegue ver, não consegue distinguir a direção dos gritos, pois se misturam a longa e densa névoa negra. Sentimentos daquele momento são forjados em sua alma por um ardente fogo do medo, o desejo de querer estar próximo de seu irmão logo é substituído pelo medo de nunca mais vê-lo. Uma forte luz vem em sua direção, sem muito tempo o cega, uma forte dor em suas costas o derruba e ali fica desacordado.
Quando tudo esta mais calmo, a névoa negra é dispersada, não se ouve nada, apenas um voz interrompe o silencio desesperador:
-Aqui vejo um garoto, rápido!
Sentindo algo pegar em seus braços sem conseguir abrir direito os olhos, percebe um homem de barba ruiva, levando-o e o deixando em uma maca hospitalar, assim distancia-se lentamente daquele lugar e com ânimo o homem falar:
-Rápido, levem-no!
Sentindo uma leve picada em seu braço, volta a dormecer.
Algum tempo se passa, quando acorda vê um quarto branco com uma leve luz do sol entrando por uma pequena abertura na janela, pássaros cantam e uma árvore ali pertinho. A porta de abre e ali entra uma mulher com uma prancheta em sua mão e com uma voz tão simpática, doce e leve quanto o cantar dos pássaros la fora, diz:
-Olá, tudo bem? espero que esteja, após 3 longos dias adormecido.
Assustado, ele pergunta!
-Quem é a senhora?
Com toda a calma, ela responde:
-Sou a Dr. Lucy, cuidei de você dois dias atrás.
Thomas pergunta:
-E a minha mãe?
-Não tenho essa informação, espero que você me diga. Bom vamos ver como você está.
Então pegando o braço de Thomas, inicia uma sério e procedimentos, até que Thomas demonstra um pequeno sorriso em seu rosto. Pouco tempo de passa, duas enfermeiras entram em seu quarto e começam à vesti-lo, ele curioso, pergunta:
-Porque estão me vestindo?
Uma das enfermeiras, tão simpática, responde:
Há uma pessoa lá em baixo, acredito que veio te buscar.
Thomas demonstrando uma alegria imensa, começa a imaginar sua mãe com aquele belo vestido vermelho que gostava de usar lhe esperando para um belo abraço acolhedor, mas quando chega à recepção do hospital, não encontrou ninguém como sua mãe, apenas seu avô lhe esperando e com um gesto triste lhe abraçou fortemente, naquele momento Thomas interrompe o silêncio:
-Vovô, cade a mamãe?
Seu avô com um enorme aperto em seu peito, responde:
-Sua mãe, Thomas, esta em uma lonja jornada...
Thomas não entendeu as pensadas palavras de seu avô, então acredita que irá encontra-la em breve. Seu avô pega suas malas que estavam ao lado do garoto e diz:
-Vamos Thomas, não podemos perder o trem.
Pouco tempo depois, chegam ã uma estação de trem, Thomas fica maravilhado com tantas máquinas enormes, com seus estrondosos sons e buzinas, logo observa um enorme trem que se distinguia dos demais pelo seu considerável tamanho, o qual não conseguia ver o fim de seus vagões, uma porta de ferro se abre e um homem de barba ruiva desce do trem, Thomas logo lembrou do certo homem que o salvou dos escombros à alguns dias atrás, o homem ao perceber sua presença, sorri e se aproxima:
-Olá garotinho, lembra de mim?
Thomas desconfiado, responde:
-Acho que sim, sua barba é a única que conheço.
Sem dar tempo ao homem de rir, Thomas pergunta:
-Esse trem é seu?
O homem rindo responde:
-Sim, sou quem o guia.
Seu avô apanhando as malas no chão, diz:
-Vamos Thomas, não podemos perder a hora!
Thomas, despedindo-se do maquinista segue seu avô, juntos entram no trem, sem muito tempo, Thomas ouve uma buzina longa e alta, assustado ele pergunta:
-Vovô o que é isso?
Com calma, seu avô responde:
-É apenas o trem anunciando sua partida, Thomas.
O trem começa a se mover, logo começa a observar muitas paisagens, maravilhado ele pergunta:
-Vovô, como é ser maquinista?
Seu avô responde;
-Ser maquinista, é estar disposto a ter em suas mãos muitas vidas e sonhos, leva-los aos seus destinos.
Thomas não entendeu muito bem a colocação de seu avô, então ele decidiu que quando o trem parasse ele iria direto procurar e perguntar ao maquinista. Algumas horas se passam, até que o trem parou, Thomas rapidamente desceu do trem e foi ao encontro do homem, quando o encontrou, perguntou:
-Senhor, como é ser maquinista?
O homem rindo fala:
-Primeiro você deve aprender muita coisa, cadê seu avô garoto?
Sem dar tempo à Thomas responder, seu avô aparece:
-Thomas, não saia mais de perto de mim dessa maneira, vamos!
Nesse momento o maquinista chamou o avô de Thomas e diz:
-Senhor, posso ter uma conversa com o senhor?
O avô gentilmente, responde:
-É claro.
Ambos se distanciam um pouco de Thomas e o deixam tomando conta das bagagens, logo o homem fala:
-Senhor, seu sei que vocês perderam tudo com o bombardeio naquela cidade, principalmente Thomas, eu perdi e sei a dor que o senhor deve estar sentindo, assim como sei a dor que ele sentiria se soubesse sobre sua mãe, perdi minha família.
O avô desconfiado, fala:
-Vá direto ao assunto.
O maquinista nervoso, responde:
-Tudo bem, senhor deixe-me cuidar de Thomas, eu lhe darei todo o amor que daria ao meu filho, quando o encontrei em meio aos escombros, senti que Deus estava nos dando uma segunda chance, chance de sermos melhores, isso se concretizou quando nos encontramos na estação.
O velho gentil, fala:
-Não posso apenas confia-lo a você, mal lhe conheço.
Entusiasmado, o maquinista responde:
-Sim, o senhor deve vir junto, seria uma crueldade afasta-lo do garoto.
O avô de Thomas pensa um pouco e responde:
-Está bem, podemos experimentar por um tempo, mas se Thomas não quiser, não insistiremos!
-Sem problemas senhor, não os desapontarei!
O velho e o maquinista se aproximam de Thomas e o homem pega o garoto no colo:
-Bom garoto, então quer saber tudo de como é ser maquinista?
O garoto responde:
-É claro, o senhor irá me ensinar?
O homem feliz, responde:
-Tudo bem, te ensinarei tudo, pois teremos muito tempo juntos.
