I. The Man I Love

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                                  I.

Andando em meio a uma rua deserta, eu escutava apenas o barulho do meu tênis contra o concreto em uma caminhada ritmada. A escuridão engolia o local e eu apenas não queria correr o risco de me meter em mais problemas do que o usual. O cigarro preso entre meus dedos estava praticamente apagado devido à baixa temperatura. As noites de primavera naquela cidadezinha costumavam ser frias e não era diferente naquele dia. Mesmo assim, eu era teimoso o bastante para usar apenas uma jaqueta sobre a blusa preta, sem acrescentar um moletom ou algum cardigã para complementar, sim, eu era teimoso e pensar no moletom cobrindo a minha blusa favorita do the clash não me agradava. Minhas pernas grossas cobertas pelo jeans claro esquentaram enquanto desfilavam sobre a luz natural da noite. Apertei a jaqueta sobre mim em um abraço individual e um ruído baixo de insatisfação saiu da minha boca por ser obrigado a ir andando até meu destino nesse frio.

   Niall e eu dividíamos além de um apartamento, um tesla. Sendo que em um evento raro, ele tinha um encontro marcado e eu não quis fazê-lo pedir um uber ou pegar algum transporte público para chegar até o extremo sul do condado, onde se localizava o restaurante em que marcaram o encontro. Sabia como aquilo não era rotineiro dele, então apenas o deixei ir e me contentei em ir andando para o centro, já que ficava apenas a algumas quadras dali. Apertei os passos e virei à esquina logo vendo no final da larga rua, as luzes dos bares no centro daquela pequena cidade.

Continuou andando pelas ruas decidido, logo se perdendo nos próprios pensamentos.

   Louis catou o isqueiro no bolso de sua jaqueta e acendeu o cigarro já gasto, deu alguns poucos tragos e logo jogou a guimba no chão, pisando em seguida. Passou a mão sobre seus cabelos, os jogando para trás e questionando a si mesmo o motivo de ainda não ter cortado as madeixas castanhas. Andava meio ocupado com a mente no trabalho que consumia boa parte de seu tempo, então o pouco tempo livre que sobrava era preenchido por um cenário já conhecido por Louis e que ele não iria abrir mão. Estar em casa, cercado por caixas de comida chinesa e latas de cerveja vendo alguma série qualquer na tv e nossa, aquilo parecia tentador demais.

   A realidade era que eram raras as vezes que saia de casa para algo que não fosse seu trabalho ou ao mercado comprar suprimentos para casa, coisa que o Niall, seu companheiro de apartamento poderia fazer com facilidade, mas não fazia. Não o incomodava, na verdade, poucas coisas incomodavam genuinamente Louis e ele poderia as listar facilmente, se fosse um hobbie. Talvez estivesse um pouco esgotado de sua rotina cansativa e entediante e quisesse beber algo, podendo se esquecer das preocupações do dia a dia. Talvez. Ou até mesmo sair para paquerar alguém, visto que sua vida amorosa estava em uma queda considerável há alguns anos visto o ultimo frustrante relacionamento que teve muitos anos atrás, não podia reclamar, ele que tinha fodido tudo.

  Ele era solitário, era um fato. Porém, isso não o fazia ranzinza ou tímido, seu humor ácido permanecia afiado em sua língua e seu sarcasmo ainda causava reações nas pessoas, sejam essas positivas ou negativas. O problema era sua dificuldade de aprofundar sentimentos em relações. Era muita responsabilidade e Louis não queria ter que lidar com toda a burocracia que vinha acompanhada quando conhecia alguém, então ele simplesmente evitava. Incluindo no pacote o fator de maior influencia para essa retração, sua sexualidade. Coisa que ele ainda não havia definido e nem pretendia. Seus pensamentos sempre o traíram desde a infância e eram teimosos, eles não iam embora.
 
Louis não queria se sentir atraído por caras!

  Não conseguia compreender o porquê daquilo permanecer vivo em sua cabeça. Ele não queria pensar no fato de que limpava seu histórico todos os dias antes de dormir, com medo. Mesmo que o notebook tivesse senha e o pertencesse. Ele não queria pensar nos inúmeros banhos mais longos que o normal que tomava quando via algum cara que ativavam o seu senso imaginativo na rua ou no futebol de toda quarta feira com os caras do trabalho.
Ele se recusava a aceitar o peso do significado por tras de todos aqueles fatos. Daquilo que ele continuava a tentar esconder a 28 anos. Era um pequeno lado de Louis que sempre se martirizava pelo lado paterno polonês de sua família ser tão homofóbico com ele quando criança quando dizia que ser gay era uma doença. Ele não iria confessar que aquilo ainda abalava seu psicológico de uma forma traumatizante.

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⏰ Dernière mise à jour : May 03, 2020 ⏰

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