De uma vida, nela vive varias. Seja qual for o seu tempo predestinado. Mesmo curta como a de uma borboleta, o quanto aproveitaria? O fim se torna ainda mais cruel quando a morte chega antes da decomposição.
O bosque parecia ser o único cenário que a angústia não quis visitar. A natureza abandonada tomava conta de si. Os responsáveis não poderiam colocar seus pés em solos distantes.
Principalmente ao amanhecer.
A prova da existência de moradores naquela região, era a sinfonia dramática que estremecia os corações sensíveis e traumatizados pela vida limitada. A verdadeira razão da inveja que sentiam. Como aquelas pobres almas condenadas desejavam a limitação que todos abominavam. Para alguns, a morte era uma certeza duvidosa e para eles, uma certeza dolorosa. Abandonados no vazio seriam se permitissem que um pequeno vestígio de luz penetrasse em suas...
"vidas"
Marta. O órgão era o seu dono. Todas as notas tocadas, no grave mais sombrio e melancólico atingia o coração de suas vitimas. O vampiro mais velho e maltratado pelo amor no passado, sabia perfeitamente como atingir os sentimentos mais profundos de frustação e decepção. Os corações apaixonados, cai ao ouvir o órgão da desilusão. Todo sonho de amor criado pelo apaixonado, se desfazia a cada nota soada ao comando de Marta.
Muricio. O carrilhão era o seu dono. O som semelhante aos sinos da catedral, abalava os sentidos daqueles que são visto com olhares de desgosto e pena. Os demais pesariam em um possível surto daquela alma atordoada e injustiçada pela sua própria raça. Muricio, o mais novo a ser largado no mundo sombrio da caça pelo sangue, nunca aceitou sua transformação, mas também nunca existiu um vestígio de revolta. Era quase uma criança com medo da morte, que não imaginava que a pior forma de morrer era interiormente. Um vampiro que carregou o diagnostico de deficiente, jamais se deixou levar pelo vazio após a morte. Com o som do carrilhão, os vivos em sua volta pediam total audição. Era um preço a pagar por nunca ter dado ouvidos para os anjos defeituosos de Deus.
Helamã. O violino era o seu dono. O aspecto de anjo era semelhante ao filho de Deus. Lucifer. As cordas do instrumento se balançava bruscamente junto ao intestino de cada vivo, estourando toda a carne que o homem narcisista possuía. O valor da estética era um pecado que servia de alimento para os imortais que não tinha direito ao reino dos céus.
Valtor. O violoncelo era o seu dono. As cordas ainda maiores permitia uma decapitação ainda mais rápida e precisa. Tiranos, verdadeiros inimigos da humanidade, tinham suas cabeças cortadas pela vibração sonora do violoncelo de Valtor. O mal é cortado pela cabeça e pelo vampiro mais justo, capaz de equilibrar a justiça divina ainda melhor que os herdeiros do criador. Mas infelizmente, não terá mais oportunidade.
Ainda que tenha o sangue tirano em suas mãos, as refeições são mais repulsivas. A alma podre de um vivo carregado de ódio, contamina o sangue e a maioria descartada. Tão repugnante que não atraia a fome dos insetos mais famintos.
Amastom. A flauta era a sua dona. Acariciava o instrumento como o corpo de uma linda mulher que ansiava pelo prazer. O agudo adentrava em cada intimo do vivo, levando a uma morte prazerosa. Aqueles que eram puros de corpo e alma não poderiam retornar, mas teriam o direito de ter o fim desejado. A grama do bosque servia como lençol que conforta cada toque dos dedos de Amastom que mesmo não estando fisicamente presente, corria pelo corpo que nunca foi tocado.
Judas. A Harpa era sua dona. As cordas deixava as feridas de suas mãos mais dolorosas, assim como a maldita lembrança. Todos os traidores são levados pelos espinhos do bosque e morriam lentamente de braços abertos em uma cruz pelo preço da traição e serão eternamente lembrados pelo seu erro, assim como Judas.
Seis homens que vivem da musica e do sangue. Não vivendo, apenas existindo e sustentado pelas más lembranças daquilo que um dia foram as suas vidas.
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Sinfonia do sangue
VampireSeis homens que vivem da musica e do sangue. Não vivendo, apenas existindo e sustentado pelas más lembranças daquilo que um dia foram as suas vidas.
