Todos nós um dia morreremos, e desta vida não levaremos nem os trapos que nos cobrem já diz a filosofia popular acerca da morte.
Uma oração no jantar. O terço ao lado da cama. Era tudo que eu precisava depois de um dia cheio. Eu me esqueci da hora e do dia,mas, estava ensolarado, e nuvens pairavam no céu. Suspensas por cordas invisíveis, com textura de algodão e forma de animais. Naquela época, lembro-me de minha mente conceber mil formas às coisas que hoje já não têm formas.
Era verão, e eu estava apaixonado pelo funcionário de uma empresa que funcionava ao lado. Para mim ele era bonito e charmoso. Concebia em mim mil pensamentos de aventuras com aquele rapaz. Contudo, eu era jovem na época, tinha meus quinze anos de idade. Provavelmente o auge das descobertas. Mas jurei nunca dizer a ninguém sobre aquela paixão. Não conhecia o amor.
Certo dia eu resolvi escrever uma carta, nada inconveniente ao que seria a primeira declaração de amor da minha vida. O peso da tinta era em tudo semelhante ao peso do suor frio que descia pelo rosto. Havia tantas coisas ali, um mundo pra ser exato. A palavra amor se repetia com doçura, mas eu não sabia que essas coisas cobravam um preço tão alto. A carta anônima foi rasgada em tantos pedaços que não consegui juntar as falhas que agora existiam em meu coração. Duvidei da razão, e a razão me humilhou naquele dia. Chovia, e chovia. Mal sabia eu que como uma sinuosa chuva de verão algo pior estava se desenvolvendo dentro de mim. Desperto talvez por uma fúria incontrolável da frustação? Talvez, talvez ela já estava ali aguardando o momento certo. Foi a primeira vez que chorei de verdade. A partir de então passei a entender o real propósito da oração e do terço ao lado da cama.
YOU ARE READING
Suicida
RomanceJoão, apesar de aparentar ser um jovem adulto normal torna-se mais um entre tantos que tiram sua própria vida sem deixar qualquer carta de despedida. Ele narra sua própria vida cheia cheia de turbulência até o momento da despedida. Uma aventura mela...
