"Querido Diário.
Hoje o dia foi tão estranho. Quer dizer, todos os meus dias são estranhos, mas hoje foi é... Acho que a palavra certa seria, diferente. Na escola, esbarrei com o John e ele me disse "oi". Sabe, como isso é estranho? Há três anos, ninguém naquela escola se dirige a mim. Eles dizem que tem medo de pegar a "doença da esquisitice". É até engraçado dizer.
Acho que é só coisa da minha cabeça, ele nem vai se lembrar. E foi só um oi. Por que o menino mais popular da escola se lembraria? Quer saber, esquece."
Lia fecha seu diário e o guarda-o em seu lugar secreto.
Depois de tomar banho e ter jantado resolveu ir pra cama, mas não antes de ler um capítulo do seu livro preferido. Um livro de terror que ela adorava. Drácula. Como ela amava aquele livro, já o tinha lido muitas vezes, mas não se cansava.
Ela olha ao redor, admirando a cor preta em seu quarto. Estava em todos os lugares. Na parede, no chão, e até no teto. A cor preta predominava em sua vida. Com seu livro na mão, ela enfim adormeceu.
O despertador toca, anunciando que já são ser horas. Lia levanta cambaleando, e vai se vestir, pra ir pro que ela chama de "tortura diária".
-Bom dia Lia. -O seu pai fala assim que ela adentra a enorme cozinha.
Ela apenas assente com a cabeça, mas não diz uma palavra.
-Parece que ela acordou com o pé esquerdo. -Sua mãe diz sorrindo.
-O estado natural dela. -O pai rebate novamente e Lia o encara já estressada.
-Eduardo, deixe-a em paz. -Sua mãe fala em um tom sério.
-Ok, dá pra pararem de agir como se eu não tivesse aqui? -Lia fala e se levanta da mesa, indo pegar a sua mochila. Mas não havia se quer tocado na comida.
Suzi e Eduardo se entreolharam confusos. A verdade é que eles já não sabiam mais o que fazer com a filha. Eles não entendiam o motivo pra tanta ignorância e rebeldia. Eles tinham gastado um fortuna com psicólogos e até mesmo psiquiatras, mas nada havia adiantado. A filha havia se trancado mais e agora ela havia desistido.
Lia anda pelos corredores da escola. Mas é como se ela não estivesse lá. Ninguém via e ninguém falava com ela.
-Que droga! -Lia fala quando abre seu armário e todos os livros caem no chão.
Ela realmente devia dar um jeito naquela bagunça. Ela fecha a porta com força e se assusta quando vê uma garota encostada no armário ao lado.
-Desculpa. -Ela fala sem graça. -Não queria te assustar.
-Você tá falando comigo? -Lia fala perplexa e a garota assente. -É nova não é?
-Sim, você é Liana Williams? -Pergunta e Lia assente. -Ótimo, eu sou Isabella Jones e você é minha guia estudantil.
-O que? -Lia arregalou os olhos.
Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, a garota entrelaçou o braço no dela e a puxou.
Por essa Lia não esperava, nem em um milhão de anos.
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A garota de Preto
RomantizmAquela garota fechada. Aquela garota sozinha. Rica, mas sem amigos. Amante dos livros. Não permite apaixonar-se. O coração fechado e de pedra. Ninguém a vê, e nem ouve. Exceto, ele. Depois de trombar com ela no corredor, ele está disposto a conhecê...
