Abençoado pela Lua
Boatos diziam que se um alfa valente o suficiente para cruzar a China, ao fazê-lo, iria encontrar, em um reino do nordeste chinês, o ômega mais bonito do oriente. Diziam que seus lábios eram os mais vermelhos, as maçãs do rosto eram as mais rosadas, assim como pêssegos, diziam (também) que os cabelos eram os mais longos e pertenciam a um ébano tão negro quanto a noite e que sua pele, tão, tão, pálida era a mais abençoada pela Lua.
Sua voz talvez fosse o maior de seus dotes.
O mais novo de quinze filhos, o único ômega da quarta geração da dinastia Zhang, era de fato o ômega mais primoroso que já foi visto no oriente, e só poderia ser concebido em matrimônio pelo mais forte e importante dos imperadores, contudo, por nascer frágil como uma flor-da-meia-noite, foi superprotegido por toda família e, vivia confinado em seu quarto, perdendo até mesmo o convívio com os irmãos alfa.
O mais novo dos Zhang tinha a graça de YiXing, era completamente imaculado, nunca tocado pelas mãos de um alfa, nem mesmo o próprio pai, mantendo junto de si toda a inocência e pureza tão estimada pelos pretendentes.
Os festivais no reino eram feitos apenas ao levantar da noite, poucas eram as vezes que YiXing comparecia, mas quando comparecia, alfas se desvencilhavam de seus ômegas, para desesperadamente pedir a mão do príncipe em matrimônio. A lista de pretendentes apenas aumentava, contudo, YiXing não demonstrava interesse, e nenhum dos alfas daquele reino seria bom o suficiente para prover e cuidar de si (dele) , na visão do rei.
O único ser que lhe cativava, nunca poderia alcançar.
"Senhor, (se) banhará hoje?" A voz macia de seu criado de companhia lhe despertou do sono, seu quarto, de tão escuro, não permitia que o visse, mas sabia que SeHun -um coreano filho de prisioneiros de guerra- logo iria abrir as janelas e acender lanternas. Seu quarto era o único que permanecia iluminado durante toda a noite, o Sol lhe odiava, por isso, apenas presenciava a Lua.
YiXing bocejou e então sorriu quando os tecidos que cobriam sua janela caíram, os raios lunares entraram abundantes e aos poucos todas as lanternas e velas daquele quarto eram acessas. Achava engraçado como SeHun tinha medo do fogo.
"Eu devo?" O chinês respondeu brincalhão, se desfazendo dos lençóis que embalavam seu corpo, os olhos de SeHun escorreram pelas pernas pálidas com cobiça, um pouco de desejo e inveja. Como ômega, o Oh pensava que era errado desejar um semelhante, mas até mesmo sentia-se privilegiado por poder ser tão próximo do Zhang.
"Deve, senhor. Vossa alteza tem algo importante para dizer-lhe hoje, sabe como ele gosta de ver-te impecável." O criado andou até o amo, ajudando-o a se livrar dos lençóis e ficar em sua completa glória nua.
"Algo importante a dizer?" As sobrancelhas do chinês franziram, vendo SeHun concordar com a cabeça, e por alguns segundos ficou nervoso, raramente o imperador conversava consigo. Então, encarando a Lua pela janela, um azedume tomou sua boca, como um aviso do que estava por vir. "Um dia chegaria a minha vez, não?" Sussurrou, tendo ciência do que ter nascido ômega significava.
Os mãos do mais alto desceram carinhosamente pelas costas largas e pálidas por demais, dedilhando cada centímetro de pele, cada pintinha, apreciando a anatomia e, por mais que sentisse inveja, acomodou-se contra o torso, sendo atraído como por um imã.
SeHun sabia do que tratava-se. Suspirou ruidosamente, preocupado, pois agora YiXing não seria apenas seu, não seria o único a desbravar o corpo dele com os dedos, e entendia que com um marido, o descobrimento daquele corpo iria ser muito mais profundo, muito mais do qualquer coisa que já tivessem feito, até porque não tinham feito nada significativo.
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Blessed by the Moon
FanfictionBoatos diziam que se um alfa valente o suficiente para cruzar a China, ao fazê-lo, iria encontrar, em um reino do nordeste chinês, o ômega mais bonito do oriente. Diziam que seus lábios eram os mais vermelhos, as maçãs do rosto eram as mais rosadas...
