~~A Marca~~

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Eu achava que quando me assumi gay para os meus pais já tinha sido um grande escândalo. Mas agora... ter sido marcado por um rastreador poucos dias depois foi muito além do que eu poderia imaginar (Ou gostaria que acontecesse)

Até que minha mãe tentou aceitar bem — mesmo depois de desmaiar com a ideia de que o "bebezinho dela" (obviamente ignorando meu lado gay) teria que ir para um "Internato de Sanguessugas". Claro que ela ainda fingia que eu era só bi, ou que era apenas uma fase. Por isso ainda me trata como o filhinho dela, mesmo depois de todo o escândalo, choro, velas e promessas pra santo.

E foi assim que acabamos vindo parar na Morada da Noite.

Agora estou aqui, sentado na minha cama com lençóis pesados do enxoval que ela fez questão de preparar antes de virmos e com um gato frajola de meio bigode me encarando no pé da cama.

Com os olhos ainda meio fechados, eu apreciava a escuridão do quarto. As poucas velas iluminavam as paredes de pedra, e no teto as chamas dançavam num ritmo hipnótico. Meus ombros estavam pesados, a cabeça latejava, e o corpo inteiro gritava para continuar deitado. Mas eu já estava mais do que atrasado para as tarefas noturnas. Aqui não tem moleza principalmente para os novatos. Eles querem extrair da gente o máximo, para garantir que ninguém desista da transformação.

Antes de continuar, deixa eu te situar um pouco: depois do caos nas escolas dos Estados Unidos — perseguições, comoção na mídia e uma reestruturação geral — agora existem sedes da Morada da Noite espalhadas pelo mundo. No Brasil, só temos duas: eu estudo na Sede Baixa, que abriga alunos de Minas até o Sul do país.

Ah, e prazer: Gael Machado.

Sim, sou eu quem está falando com você.

E antes que pergunte "Como assim o personagem tá interagindo comigo?", eu também não sei. Só sei que sei. Talvez eu não te conheça daí, mas vocês vão me conhecer daqui para a frente... e nem sempre vão perceber quando eu estiver falando com vocês. Mas eu saberei.

Enquanto pegava minha mochila e saía pelo corredor dos dormitórios, pensei em como seria ter um colega de quarto. Sério, já é horrível ser o aluno novo semanas depois das aulas ja terem começado — no mínimo eu queria alguém para jogar conversa fora até altas horas. Mas enquanto o sonho de ter companhia (e o de ser devidamente aceito pela minha família) não se realizava, eu me contentava em tentar tirar boas notas — e, quem sabe, usar minhas novas habilidades como um Vampiro para conquistar corações pelo campus.

Descendo as escadas, quase caí de cara no chão quando trombei com Túlio.

— Aí, minha Deusa, desculpa! — ele disse, pegando meu caderno que tinha caído.

— Tudo bem, eu que devia ter prestado mais atenção — respondi, aproveitando para apreciar enquanto ele se abaixava. O cabelo tinha um ondulado perfeito, seu perfume é doce e é capaz de acabar com qualquer psicológico de uma Gay emocionada na adolescência. A gente se conheceu/ Conversamos na aula de História Vampírica, alguém que não posso negar, faria....

— Bom dia Sr Felipo! — ele disse sorrindo, me dando um abraço rápido (bem que podia demorar mais um pouco). — O Falcon falou sobre algum trabalho de história aula passada não?

— Sim, ele passou o roteiro na aula. Acho que é para proxima segunda ja.

— Você tem o roteiro? Acho que perdi o meu em algum lugar... — disse ele, revirando a mochila parecendo uma criança desesperada por um doce.

— Calma! Claro que tenho! — tirei da minha bolsa rindo de seu desespero

— Ai, muito obrigado! Você é incrível. - Ele se despediu de mim e voltou a correr pelos corredores adentro.

Filho da Noite Where stories live. Discover now