Um brilho fraco da tela de um computador em meio à tantas janelas. Deitada de bruços sobre a cama com lençol rosa-bebê bastante desarrumado e dois travesseiros com fronhas em cores combinando. Ora cruzava os tornozelos, ora agitava-os suavemente. Como uma menina sapeca, brincante, sorria para tela. Sonhava acordada com seu amado, mesmo que virtual.
Depois de se virar pra mudar de posição, a um ponto que seu longo cabelo, pouco ondulado e bem comprido, quase enrosca no fone de ouvido, acidentalmente derruba o apetrecho. Já é bem tarde. A moça espreguiça o corpo. Estica os braços delicados, deita um pouco a cabeça e estende a ponta de seus dedos dos pés para baixo, como uma bailarina em jeté. Deitada, agora olhando para o teto, acaricia-se sobre a calcinha de pano, branquinha com desenhos de minúsculos morangos. Fecha os olhos imaginando seu príncipe.
As fotografias da família dispostas sobre a mesa, perto da cama, também a observam. Não tinham motivos para não aproveitarem da cena.
-Ai Zab, o que eu não daria pra ter você aqui comigo! –sussurra ela. Vestida ainda com seu moletom azul.
Era frio, mas a menina suava. Divertia-se sozinha, acompanhada em seu sonho erótico. Parecia perfeito.
-VAI DORMIR, MENINA! Já passou das 2 da manhã! –a voz da sua mãe do outro lado da porta, abruptamente batendo na porta.
Com o susto, ela cai da cama e bate a cabeça. Motivada pelo barulho, sua mãe chama mais intensamente:
-Manu! Tá tudo bem aí? Que barulho foi esse? Manu? Responde! – a certo ponto abre a porta.
Por causa da batida da cabeça, atordoada, demora um pouco mais do que deveria pra responder. Mas nada que não a pusesse de pé rapidamente, pra que ninguém perceba o que acontecia antes do "toc-toc". Tao rápido quanto um piscar de olhos, ela percebe que sua peça íntima parecia encharcada.
-Calma, mãe! Tô bem! Tô bem! – diz ela, tentando expulsar a mãe, passando a mão na área afetada e avermelhada – Pode sair, mãe! Eu tô bem! – repedindo a si mesma, mas indo olhar no espelho do guarda-roupa se não tem nada de mais grave do que um pequeno tombo.
Depois desse pequeno acidente, ela decide deitar pra dormir, afinal, nem tem mais clima pra nada. Não sem antes ouvir sua mãe falando na sala:
- Era Manu! Caiu da cama! Aliás, o que você ainda tá fazendo com esse vídeo game ligado! Vamos! Desliga isso agora! – Ela ainda repetiria essa ultima frase mais uma vez, antes que o eletrônico fosse de vez desligado e voltasse a reinar o silencio no apartamento!
Novamente deitada, fecha o notebook bruscamente e o arrasta da beirada até o meio da escrivaninha.
Antes de fechar os olhos e se entregar aos braços de Orfeu, ainda tira o casaco, deixando por um segundo os seios desenhados e pintados como uma porcelana e sussurra o nome dele:
- Zabdiel de Jesus! Queria que você fosse meu, por uma noite! – E quase instantaneamente, dorme.
Na manhã seguinte, o celular a desperta, mas algo parece diferente. Sua mãe não grita com seu irmão, no cômodo ao lado. O barulho de bagunça na casa é inexistente. "Seria isso ainda um sonho?". O pensamento vem com uma expressão de estranhamento ao rosto.
Deixando de lado isso, senta na beirada da cama. Da uma espreguiçada tão gostosa que seria invejada por qualquer gata. Levanta, escolhe a roupa e separa sobre a cama. Dá uma olhada rápida na tela do celular que tem uma mensagem recebida da sua mãe:
ŞİMDİ OKUDUĞUN
Entre Aspas
Hayran KurguDo alto de seus 25 anos, Manu, é uma moça muito bonita e leva sua vida normalmente. Tem uma paixão inenarrável por seu ídolo. Até que um dia ela fica perto do seu amado, mas tudo isso, entre aspas.
