Capítulo 1

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Corro o mais rápido que as minhas pernas permitem ao metro, faltam 2 minutos para a sua chegada e eu estou atrasada. Bufo, ao sentir os pulmões arder, maldito sedentarismo. Faz 15 minutos que sai da faculdade, estou no último ano de Relações internacionais e logo hoje o professor fez uma prova surpresa, nem consigo descrever o quão despreparada eu estava para o teste e isso leva-nos e este exato momento. Não tinha feito revisão da matéria dada na aula anterior e por isso demorei mais que o tempo permitido a terminar, o professor estava a 20 minutos a convidar-me a sair.

Só mais um pouco. – Penso, quando entro na estação de metro.

O meu telemóvel começa a tocar e com uma destreza que seguramente eu não tenho consigo puxá-lo da minha bolsa, bem na hora em que ele deixou de tocar, ótimo. Luna, é o nome que aparece no histórico de chamadas não atendidas.

Assim que entro no bagão do metro, retorno a chamada.

- Gostava de saber para que queres o telemóvel, nunca atendes quando ligo. - Reclama.

- Estava numa corrida para o metro- arquejei- Tive prova surpresa com o professor carrasco.

- Bem, desculpa a interrupção, a verdade é que não consigo conter a empolgação. Adivinha quem voltou para a cidade? – A última parte falou quase aos gritos.

Ai, cá vamos nós, a Luna é a minha melhor amiga desde... sempre, crescemos juntas pois a mãe dela é minha vizinha. Ela é uma excelente pessoa, simpática, carinhosa, social e boa ouvinte e é bem aqui que está o problema, a Luna sabe tudo, tudo mesmo e ao final de tantos anos ainda tenho alguma dificuldade em lidar com isso.

- Hum, não sei. Quem? – Questiono.

- O Henry Adams, lembras-te que costumava brincar connosco? Ouvi dizer que acabou de se formar em advocacia e veio trabalhar para Campbell Tow...

- Espera – Interrompi – Henry, a tua paixão de infância? – Gargalhei – ah, isto vai se tão interessante. – Provoquei.

- Ha, ha, ha. Aposto que também te vais rir quando souberes que nós as duas vamos tomar uma cerveja hoje à noite com ele.

Merda.

- Nem penses, ainda tenho um turno de 4 horas pela frente e estou exausta. – Desabafei

- Voltaram? Acho que te vai fazer bem sair um bocado, a tua vida é só faculdade e trabalho e isso não faz bem.

Suspirei, voltaram, desde os meus 8 anos de idade que tenho pesadelos durante a noite. Acordo assutada e sem me lembrar o que sonhei, durante a minha adolescência piorou tanto que passei noites em claro, os meus pais na altura queriam-me levar a um psicólogo, mas o dinheiro era tão pouco que acabaram por desistir. Há cerca de 2 meses os pesadelos voltaram a perturbar o meu sono.

Talvez ir beber uma cerveja não seja assim tão má ideia.

- Está bem. A que horas?

- Às 22h ele passa em minha casa, não te atrases.

- Sim, sua majestade.

Desliguei, enquanto entrava na lanchonete onde fazia uma horas durante a semana. Olhei à volta e vi que todas as mesas estavam ocupadas, suspirei.

Vamos lá, quatro horas.

FallWhere stories live. Discover now