CAPÍTULO I - THE END ... OR JUST THE BEGINNING

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O mundo havia parado... ruas desertas, lojas vazias. Apenas o medo poderia ser encontrado atrás de cada porta fechada. Eu observei a tela do computador. Na janela do meu Instagram não se viam mais fotos requintadas de pratos estilizados ou selfs em lugares inacreditáveis. Tudo havia se torando apenas o vírus...

Há quanto tempo eu estava trancada em casa? Esperando por um milagre...

Mas mesmo antes de tudo acontecer essa não tinha sido sempre a minha espera? A de um milagre acontecer?

Um emprego melhor, um salário melhor, alguém que me amasse melhor do que eu mesma me amava (se é que se pode dizer que eu me amava) ...

O diferencial é que agora essa espera era geral. Todos estavam parados, esperando, e assim como eu, sofriam com a quarentena que já passara dos dois meses aguardados... aliás, passara dos dois, três, cinco meses... chegara a passar dos 365 dias e nos deixara com essa sensação de que o fim finalmente chegara.

Vi e revi seriados, li filmes, estudei, comi, chorei, tive crises de pânico por não saber lidar com meus pensamentos...

Desejei ter aquelas lentes que tinha visto em Supergirl, onde poderíamos ter uma vida virtual. Gostaria que elas fossem reais pois assim, mesmo presos em casa, poderíamos ter acesso ao mundo, as pessoas. poderíamos viver fora de nossas quatro paredes num momento onde elas eram tudo o que nos era permitido ter.

Infelizmente elas não existiam e eu comecei a entrar mais profundamente dentro de mim mesma, conhecendo e me perdendo em lugares dentro da minha mente onde antes só tinha apenas pequenos vislumbres.

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."

Eu sempre tivera um pé fora de mim, uma sensação de que algo estava fora do lugar, mas então com a quarentena e o tempo prologado coexistindo com meus pensamentos, tudo piorou.

O que antes era apenas uma fuga momentânea aos poucos, sem eu perceber, se tornara uma rotina.

Me sentar na frente do pc, colocar o fone de ouvido e digitar por horas a fio, sem parar escutando a mesma música até que algo me fazia mudar a música ou ir dormir, exausta.

Minhas filhas apenas deixavam a comida ao meu lado e esporadicamente eu me alimentava automaticamente, como se algo dentro de mim dissesse: "Hey, saia da bolha, precisamos de alimentos... coma"

Eu comia, mas se alguém me perguntasse o que tinha sido eu nem saberia dizer pois não estava prestando atenção. Minha mente voava junto com meus dedos que habilmente também voavam junto ao teclado. (Eu sempre soubera que meu curso de datilografia não teria sido em vão pois digitar sem olhar para o teclado era algo que me proporcionava uma liberdade criativa exorbitante...) As palavras saiam de mim, junto com meus sentimentos não resolvidos, como se eu estivesse me analisando e expondo minhas feridas. Abrindo-as eu me tornava uma neurocirurgiã operando meu próprio cérebro, tentando arrumar anos de autossabotagem e traumas depositados no fundo da minha mente, que agora emergiam e me afogavam.

Tudo estava tão confuso e ao mesmo tempo tão claro, como num sonho que a princípio você não sabe que está sonhando.

E assim eu me vi imersa nesse mundo cheio de vida, de dor, de prazer... e indo cada vez mais longe nessa estrada que poderia não ter volta, me deixei levar por tudo o que ela me proporcionava, como um náufrago agarrado a seu salva vidas, perdido no meio do oceano apenas sendo levado pela correnteza sem saber ao certo o que o futuro lhe reservaria...

Deveria, eu, esperar a salvação? Ou aquele seria finalmente meu fim? Presa dentro de minha própria mente?

IN DARKNESS TIMEWhere stories live. Discover now