A vida é bela, não é isso que sempre dizem?
Não para mim, aprendi da pior forma que esse ditado não se encaixa na minha vida, porém, não me vitimizo pelas coisas que passei, pelo contrário, uso de experiência e encaro como aprendizado para um próximo acontecimento.
Moro em um trailer em uma parte precária da cidade, onde divido momentos difíceis com minha mãe, sempre estivemos nessa composição; eu, ela e mais ninguém. Esse ano minha mãe decidiu que tenho que voltar a estudar, então começo em fevereiro em uma escola onde não conheço exatamente ninguém, exceto Tânia minha melhor amiga que mora no último trailer da viela onde moro, e que possui um gosto bem peculiar por músicas country.
Tânia é aquele tipo de pessoa que posso recorrer em qualquer situação - seja no momentos complicados, seja nos momentos tranquilos ela sempre da um jeitinho de está comigo.
Uma verdade incontestável sobre mim: sou uma pessoa racional, ou pelo menos tento ser ao máximo, minha mãe diz que no fundo sou uma jovem sonhadora com pensamentos dramáticos dignos de novela mexicana.
- Bianca acho melhor você levantar dessa cama, e parar de ficar olhando por essa janela - me assusto e tiro os fones de ouvido para ouvir com clareza oque minha mãe que dizer.
- Oque foi dessa vez mãe - falo analisando cada traço da minha mãe que reconheço em mim mesma ao me olhar no espelho. Os mesmo olhos castanhos claros, a mesma estátura mignon, os mesmos cabelos ruivos e por vezes o mesmo esgar de sobrancelha.
- Está um dia lindo lá fora e não vou admitir que você fique o tempo todo dentro desse trailer - se direcionando a porta minha mãe faz um gesto para mim sair - é hora de se encantar com as maravilhas que o inesperado guarda para você.
Saio revirando os olhos e antes de fechar a porta digo - ok senhorita carpe diem, vou logo avisando que o meu inesperado não é tão inesperado assim pois tem um nome e se chama Tânia, e é pra lá que vou nesse exato instante - fecho a porta bem na hora que minha mãe joga um pano de prato em minha direção.
Talvez eu esteja apenas melancólica hoje ou talvez seja o fato de que estou ansiosa pois daqui a duas semanas minha vida vai mudar de uma forma irreversível ao atravessar os portões da escola São Tomás, mas sinto uma euforia tremenda ao andar até a casa de Tânia, ao chegar me deparo com um som muito alto e a voz da minha melhor amiga cantando uma música que eu conheço bem, two black cadillacs da Carrie Wonderwood toca a todo vapor dentro do trailer.
Entro sem bater e me deparo com minha amiga em posse do controle remoto cantando a plenos pulmões. Ao virar abruptamente em minha direção Tânia da um grito desajeitado e rapidamente baixa o volume do som.
- Vamos lá continue, eu já estava virando a cadeira pra você.
- Vai se ferra Bianca - com um sorriso de canto de boca a mesma me mostra o dedo médio - não venha estragar meu momento de glória garota.
- Jamais ousaria tão feito vossa majestade - faço uma reverência.
- Já que sou sua majestade quero que faça uma massagem bem relaxante em mim - se dirigindo ao sofá cama Tânia senta e me lança um olhar sarcástico.
- Vai sonhando fofa - sento do seu lado - como anda o coração, já superou o Gustavo?
- Não foi fácil porém superei, a única parte difícil foi ter que dividir o mesmo ambiente com ele.
Para Tânia foi muito angustiante descobrir que seu namorado a estava traindo e ter que dividir o espaço de trabalho com ele, ela trabalha como caixa em um supermercado a três quadras daqui e dizer que foi um pouco frustrante toda essa situação é usar de um mero eufemismo.
- Porém até que você tirou a coisa toda de letra - confirmo segurando sua mão com força - Espero que você já estaja com o coração recuperado, porque a vida é assim, um cai e levantar constante.
- Acontece que eu cansei do cair, agora só quero saber do levantar - ela me diz sorrindo.
Rio de sua constatação, seria tão fácil se pudéssemos definir cada sentimento que sentimos com um simples estala de dedos, seria tão mais simples se pudéssemos manejar como uma coreografia sutil e bem executada cada consequência atreladas a esses sentimentos.
- então você vai ou não lá pra fora fumar - fala Tânia me tirando dos meus devaneios se dirigindo a porta.
- É pra já - me dirijo a saída do trailer.
- Como você está em relação a escola - me pergunta Tânia
- Tou tentando não pensar muito sobre isso, quando paro pra pensar o desespero vem a tona.
- Ihh garota não pega pilha com isso não - Tânia acende o cigarro e da uma tragada profunda - menina mais isso é muito bom, sinto exatamente o momento que a nicotina entra no meu sistema.
Reviro o olhos pegando o cigarro de sua mão
- Me passa logo isso sua viciada de merda - falo rindo a plenos pulmões.
- Você viu o garoto que está morando na rua detrás?
- Não - viro para ela dando uma última baforada no cigarro e jogando a guimba fora.
- Percebir que ele gosta bastante de divas pops pelo que ele escuta, e mora sozinho. Eu só fico me perguntando oque levou um adolescente a morar sozinho, porque sim observei ele durante toda essa semana e não vi ninguém no trailer exceto o mesmo.
- Então quer dizer que tenho uma amiga stalker e não tinha me dado conta ainda.
- Falando no sujeito olha quem vem ali - desconversa Tânia apontando discretamente para o garoto.
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Imperfeitos
RomanceBianca mora com sua mãe em um trailer, a jovem sempre estudou em casa porém esse ano será diferente pois sua mãe decidiu que estava na hora de conhecer a escola. Prestes a cursar o último ano em uma escola a garota está ansiosa . Otávio mora em uma...
