3. A verdade sobre aptidão e realização
Tente imaginar Thomas Edison da maneira mais vívida possível. Pense no lugar em que ele está e no que
está fazendo. Estará sozinho? Fiz essas perguntas a várias pessoas, e elas sempre diziam coisas assim:
"Está em sua oficina rodeado por vários aparelhos. Trabalha no fonógrafo, fazendo experiências.
Conseguiu! [Está sozinho?] Sim, está fazendo tudo sozinho, porque só ele sabe o que está buscando".
"Está em Nova Jersey. Está numa sala parecida com um laboratório, vestindo um jaleco branco. Está
curvado sobre uma lâmpada. De repente, a lâmpada funciona! [Está sozinho?] Sim. É um sujeito meio
arredio, que gosta de fazer suas experiências sozinho".
Na verdade, os registros mostram uma pessoa bastante diferente, que trabalhava de maneira diversa.
Edison não era um homem solitário.1 Para a invenção da lâmpada, empregou trinta assistentes, inclusive
cientistas competentes, muitas vezes trabalhando dia e noite num laboratório moderníssimo,
financiado por uma empresa!
As coisas não aconteceram de repente. A lâmpada elétrica se tornou o símbolo daquele momento único
em que aparece a solução brilhante, mas não houve um momento singular de invenção. Na verdade, a
lâmpada não constitui um único invento, ela representa todo um conjunto de invenções que exigiram muito
tempo, cada qual a cargo de um ou mais químicos, matemáticos, físicos, engenheiros e sopradores de
vidro.
Edison não era um amador engenhoso nem um sábio do outro mundo. O chamado "Feiticeiro de Menlo
Park" era um empresário sagaz, que tinha perfeita consciência do potencial comercial de suas invenções.
Também sabia lidar com a imprensa, e às vezes passava à frente de outros ao se apresentar como o
inventor de alguma coisa, porque sabia como se promover.
Claro, Edison era um gênio. Mas nem sempre era genial. Seu biógrafo, Paul Israel, investigando todas
as informações disponíveis, acredita que ele tenha sido uma pessoa mais ou menos comum de seu tempo
e lugar. Quando jovem, interessava-se por experiências e aparelhos mecânicos (talvez com mais avidez
do que a maioria das pessoas), mas as máquinas e a tecnologia faziam parte da experiência comum dos
rapazes normais do Meio-Oeste norte-americano.
O que acabou por distingui-lo foram seu mindset e sua tenacidade. Ele nunca deixou de ser um menino
curioso que gostava de mecânica e procurava novos desafios. Muito depois que outros jovens já haviam
adotado os papéis que desempenhariam na sociedade, ele viajava de trem de cidade em cidade para
aprender tudo o que pudesse sobre telegrafia, tornando-se cada vez mais capacitado entre os telegrafistas
por meio de incessante autodidatismo e invenção. Mais tarde, para grande decepção de suas esposas, o
autodesenvolvimento e as invenções continuaram a ser seu grande amor, porém unicamente em seu campode atuação.
