capítulo 1 - O começo

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Esta história, começa como qualquer história, mas a menina desta história é diferente, porque todas as meninas são diferentes umas das outras.
   Este bebé foi gerado sem amor, apenas por conveniência, não soube o que era o verdadeiro amor fraternal, esta criança vivia num fazenda com o pai, a mãe, a bisavó, e o bisavô, eram estes bisavós que lhe davam o carinho e o amor que os pais não tinham capacidade de lhe dar.
   Ainda era bem pequena, antes de fazer 2 anos, nasceu o irmão, e outro e mais outro... no final existia ela, única menina e mais 6 irmãos todos meninos.
   Muito cedo começou a tomar responsabilidades, soube o que era cuidar de um recém nascido desde que se lembrava de ser gente.
   Aos 6 anos foi para a escola, ia sempre só, era vítima de bullyng, mas pelo caminho fez amizade com um grande e lindo cão alaranjado, todos os dias o cão esperava por ela, antes de ir para a escola e depois quando saia das aulas, era companheiro de bricadeiras, defendia-a dos meninos que lhe faziam mal.
   Aos 7 anos, foi entregue à tia-avó, saiu da fazenda para a cidade, para uma nova escola, onde se sentia muito só, nesta altura estava à espera do 4°irmão, ainda por nascer, queria estar presente quando o novo irmãozinho chegasse a casa, era ela que tratava das roupas do bebé, fazia a mala para a mãe levar para o hospital, também sentia muitas saudades dos outros irmãos, era ela que cuidava, brincava, que os ensinava a andar, a comer e mais importante, lhes dava os mimos e o amor que os pais eram incapazes de dar, e claro tinha muitas saudades do seu amigo peludo como ela carinhosamente lhe chamava.
   Em casa da tia-avó, teve muitas dificuldades de adaptação, não fazia nada nas aulas, não falava, não brincava. Ninguém tentou entender o que se passava com a Pequena Joanne, tão fechada e reservada, ela não gostava de falar, não só por ter saudades de casa, de não poder estar com irmãos, mas porque dentro dela estava um segredo guardado, que ela guardava com muita dor e receio...
   Todas as manhãs a tia-avó ia à praça, comprar legumes, peixe e carne frecos, e a Joanne ficava entregue ao marido da tia-avó, pois ela só tinha aulas de tarde. Essas manhãs eram o maior pesadelo que qualquer criança poderia passar, a menina tentava passar desperciba, escondia-se debaixo da cama, desejando que a tia se apressas-se na praça. Mas todas as manhãs, era puxada pelas suas pernitas pequenas e magras para sair debaixo da cama, o homem da casa gostava demasiado dela, dizia ele, que ele gostava tanto dela que tinha de demontrar o quanto, então  despia-a dos pés à cabeça, e ele fazia o mesmo, o tio fazia coisas que a deixavam desconfortável, e obrigava-a a fazer o mesmo a ele. É um segredo nosso dizia o tio, eu gosto muito de ti pequena, amo-te muito, tanto que ninguém pode saber o quanto eu te amo. A menina sentia-se triste, suja, indigna de ter amor e amigos, tinha medo de se relacionar com outras crianças, de falar nas aulas, ou até mesmo de falar com o professor ou as senhoras do recreio. Mesmo ali na escola nova e sem amigos, havia meninos que lhe chamavam burra, lerda e outros nomes mais, em casa a tia colocava-a de castigo por ela passar os dias na sala de aula sem pegar num lápis, marcador, livro ou caderno, obrigava-a a estar o tempo todo a estudar na mesa da cozinha, e se não fizesse os trabalhos ainda levava umas valentes chineladas no rabo.
   O único alívio, eram os fins-de-semana, que passava em casa dos pais, que mesmo sem receber amor, podia estar com os irmãos, receber os mimos e o carinho dos bisavós, eram nestes dias que se sentia livre, feliz e se tranformava. Mas quando chegavam os Domingos à noite o humor ia mudando à medida que chegava a hora de o tio a ir buscar, ai, ela voltava a ser novamente a menina presa, sofrida, fechada. O tio lá chegava na sua velha bicicleta para a ir buscar. No caminho até à cidade, ia-lhe dizendo que o fim-de-semana tinha sido muito solitário sem ela, que tinha tido muitas saudades, mas que no dia seguinte iriam matar as saudades um do outro, cheia de medo e pesar a menina fazia chichi na roupa, todos os Domingos assim que chegava a casa da tia tinha de tomar banho, a tia nunca se zangou com ela por causa desta situação, dizia que eram muitas horas para uma criança aguentar o chichi até chegar a casa, e ralhava com o marido por não ter feito uma paragem para a ela descansar e ir a uma casa de banho.

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⏰ Last updated: May 02, 2020 ⏰

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