O terminal de ônibus já havia fechado, a única luz que iluminava Samantha, era da fachada da loja de doces, do outro lado da rua. No relógio do poste, apontava 4:47 da madrugada, significava que ela estava a duas horas esperando a sua carona. Nem Louis, um simples morador de rua, aguentou esperar e acabou cochilando sentado. O céu já não estava tão escuro, desde a hora que ela havia chegado, mas também não estava a ponto dela conseguir ver os primeiros raios de sol.
A decisão da dispensa do exército, veio do Sargento McHall e do médico da base que ela servia. Pois nos últimos 7 meses, ela acabou tomando dois tiros quase fatais e sofrendo 3 acidentes de percurso. Então, o Sargento, decidiu, que assim seria melhor para Samantha.
Samantha respirou fundo, sentindo aquela sensação de nostalgia entrar em seu corpo, aquela sensação que ela tinha toda vez que pensava em rever sua família e amigos novamente. Essa era a quarta vez que ela voltava para casa, depois de um serviço, mas agora ela não teria que voltar para o exercito. Dessa vez, as únicas pessoas que sabia de seu retorno definitivo era Michael, seu cunhado e sua mãe, Darla.
Longe, mas não tão distante, Samantha pôde escutar o ronco, do Camaro 1967, se aproximando. Com uma cor preta, e faixas cinzas, que de longe poderia se identificar, era o carro dela. Aquele carro, que um dia foi de seu avô, foi deixado de herança para ela, quando a mesma era muito nova. Se fosse em outra ocasião, Samantha ficaria nervosa e ameaçaria seu cunhado, por estar dirigindo seu carro, mas hoje era um motivo especial.
Michael, estacionou na frente do terminal, e quando saiu do carro, Samantha notou que o rosto dele ainda estava inchado. Provavelmente ele havia errado a hora, ela poderia apostar que ele havia acordado fazia pouco tempo.
— Quando for marcar uma chegada triunfal, marque um horário onde o sol já está presente. Eu, quase, não consegui fugir da sua irmã. — Ele se aproximou, com os olhos vermelhos e um cabelo bagunçado, uma calça de pijama com uma blusa qualquer, e envolveu Samantha em um forte abraço. — Bom te ver Sam, seja bem-vinda de volta!
Samantha retribuiu o abraço na mesma intensidade e riu do comentário do cunhado.
— Obrigada Mike, me desculpa. — Samantha disse se afastando dele, e colocou as malas no banco de trás do carro, através do vidro do passageiro, deu a volta e se sentou no banco do motorista. — Entra, eu deixo você cochilar no caminho.
— Por isso você é a melhor cunhada do mundo. — Ele riu entrando no carro, se escorou na porta e fechou os olhos, a facilidade de Michael para dormir era surpreendente.
Michael e Samantha, se conheceram a caminho do alistamento do exército, ele era o mais extrovertido da fila de exames, sempre contando piadinhas. Ele acreditava já estar aprovado, mas não foi o que aconteceu. Ele nunca nos disse o que deu errado, mas a decepção em seu rosto foi visível a todos que estavam ali. Depois do processo, Samantha o chamou para um bar, onde encontraria sua irmã, Jane, e foi assim que o destino agiu. Samantha teve que ficar no salão de alistamento, para resolver umas questões, enquanto Michael e Jane, acabaram se encontrando sozinhos.
O caminho até a casa da mãe de Samantha foi tranquilo, tirando o fato que Michael roncou um pouco. A casa se destacava na rua, pois havia um design único e pelo jardim bem cuidado. Samantha sorriu de lado ao perceber que sua mãe, estava cuidando melhor do jardim, desde o acidente.
Antes mesmo de estacionar o carro em sua garagem, Samantha notou uma figura parada na porta de sua casa, era sua mãe, Darla. A mulher já estava na porta os esperando. Samantha, notou, que pelas suas mãos trêmulas de sua mãe, notava-se que ela estava ansiosa. E quando Samantha estacionou o carro, a mulher mais velha foi correndo em direção a filha, Samantha só teve tempo de sair do carro, e abrir os braços para receber o abraço acalorado de sua mãe.
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Marcas da Guerra {REESCREVENDO}
Storie d'amoreUns pensam na família, outros pensam nos amigos. Uns pensam em seu futuro, outros pensam em seus amores deixados pra trás. Mas arriscar a própria vida pelo país, não é escolha, é missão. É isso que Samantha foi ensinada. Após acidentes de percurso...
