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Perfeição corrompida

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" Era como estar nas nuvens. Me sentia leve. Cada salto me fazia alcançar um patamar ainda mais alto. Minha própria vitória. a patinação era como respirar. Não podia viver sem. Não me imaginava sem. Se eu parasse, era como, estar me afogando. Mas tudo mudou. É incrível como um simples levantar de braços pode destruir a vida. Foi tudo tão rápido. Eu era perfeita, até deixar de ser." - Kat Baker 

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- Kat Baker

Patinar é como estar nas nuvens, mesmo não sabendo voar. É como tocar o céu, mesmo sem ser  alta demais. É como respirar, uma necessidade para se viver.

Eu vivi a patinação artística. Por anos isso foi tudo o que eu soube fazer, tudo o que eu podia fazer. Só tinha forças para fazer isso. Estar  no ringue e deslizar por horas e horas. Coreógrafa e músicas e mais músicas. Saltar. Dançar. Criar novos movimentos. Fazer do meu corpo e do patins um só. 

Era apenas eu. Eu contra o mundo. Eu contra as exigências de minha mãe. Eu contra as mães que observavam todos os patinadores pensando o que poderiam fazer para que seus filhos e filhas subissem no pódio. Eu contra as crises de perfeição da minha irmã. Apenas eu. Eu e a patinação.

Já faziam 20 anos que Eu estava neste meio. Eu senti que não deveria fazer aquilo. Sabia que levantar os braços seria muito arriscado. Eu não havia treinado para aquilo. Mesmo assim deixei que minha treinadora me convencesse de que era a melhor escolha, de que aquilo me renderia pontos extras. Logo eu, a pessoa que faria de tudo para estar mais perto das Olimpíadas. Logo eu.

Estava tudo perfeito, até que deixou de estar. Em um momento eu estava no ar fazendo o triple toe, no outro tudo ficou preto, é eu apaguei. Só me lembro de acordar no hospital, com uma cicatriz na cabeça, eu literalmente havia partido meu cranio.

Os meses seguintes foram doloridos. Levei meses até voltar para o ringue. Mas aquilo era minha vida, o ar que me faltava todos os dias, só que desta vez, saltos nunca mais. Perdi a coragem.  Perdi a confiança em mim mesma. Não estava com medo, estava apavorada. Eu sabia que a queda me custaria algo, só não sabia que me custaria tudo.

Pelo medo parei com os saltos. Com isso perdi as chances da classificação olímpica, mas, eu ainda podia ser treinadora, pelo menos era o que eu pensava, até que por medo, perdi isso também. Minhas técnicas não valiam de nada se eu não pudesse fazer os saltos. Fui desclassificada e considerada insuficiente para ser treinadora.

Minha vida na patinação artística estava acabada. 21 anos fazendo apenas isso, para que após um momento, tudo fosse por água abaixo.

A prática realmente levá a perfeição. Mas quando vc não está perfeita, a prática não te leva a lugar nenhum. 

Eu estava quebrada. Tudo tinha sucumbido. 

Era isso que eu pensava, até ser convidada por Dasha, incentivada por Mady, a patinar em dupla com Justin Davis. 

A mesma pessoa que eu tentava esquecer a todo custo após termos dormido juntos no ano passado. Mas eu estava em uma das minhas crises de bipolaridade, mas fazia sentido.

Dormir com Justin foi marcante, a maior conexão da minha até então vida. Estar com ele fez com que eu me sentisse única. Quem eu quero enganar, dormir com ele foi a melhor coisa que me aconteceu naquele momento. Mas todo mundo conhecia o método Davis. 

Mesmo na crise, na manhã seguinte ao ocorrido me dei conta do que aconteceu. Não demorei nada para pegar minhas coisas e sair daquele quarto o mais rápido possível. Só voltei a ve-lo no ringe, 3 semanas depois.

E agora vejam só, eu havia sido convidada para ser a nova parceira do mimado, egocêntrico, galinha, gostoso, do mesmo Justin Davis. Melhor patinador no ringue. E literalmente, o desejado de todas as Nações.

Aparentemente, quanto mais eu o afastava, mais sua órbita me atraia

Maldito Davis.

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Conexão - Duas pessoas perdidas em si mesmas e em seus próprios mundosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora