a faculdade

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    O ensino médio acabou. Confesso que todo ele - em exceto o último ano- foi memorável. A escola tinha pessoas de todos os tipos, era conhecida por isso: os descolados - saíam para rua dos barzinhos todas as sextas à noite-, as patricinhas - tinham 500 canetas e só estudavam, passavam o final de semana vendo série, eram soberbas e padrões-, os maconheiros, os gays, os nerds, um colégio diverso mesmo.
    Mas isso não se trata de um diário do ensino médio. Eu estou na faculdade. As aulas começam amanhã e eu   me mexo nessa cama de 5 em 5 segundos por conta da  ansiedade. Minha história com a ansiedade vem desde sempre, eu não lembro de um passeio da escola, no qual eu não sentisse um incômodo no estômago ou não  tivesse arrumado a mesma mochila infinitas vezes. Remédios. Psicológos. Olhares estranhos. O que hoje em dia - finalmente- é visto como algo comum entre crianças e jovens, o transtorno de ansiedade vem ganhando voz e atenção. Eu sou uma futura bióloga, então não se irrite quando eu citar uma barata na contagem dos fatos e aleatoriamente escrever seu nome científico, Periplaneta americana, mas vamos focar no meu dilema do momento, amanhã eu vou pra FACULDADE.
     A Izzie de 8 anos assume. São 3:07, vou levantar às 6:30. Sou bem pontual, e quem demonstra ser o contrário disso, me irrita. Demoro 3 horas p me arrumar, meus cabelos são pretos e longos e eu não permito pisar na padaria sem que eles estejam perfeitos. É oficial, não consigo dormir. Levanto, checo   meu twitter, Whatsapp, todos estão dormindo. Levanto  e caminho pelo quarto tentando lembrar se esqueci de algo: jaleco, tênis branco, sutiã, carteira, ident...
- IDENTIDADE!
Como eu não pensei nisso antes? - digo enquanto dou um pulo da cama de casal em que eu dormia sozinha.
Desbloquiei meu telefone e abri o Twitter, um do meus aplicativos favoritos - era um costume meu, toda vez que eu mudasse de escola, ou curso, colocar o nome da instituição na lupa e ver o que está sendo falado sobre ela, e o mais importante, quem está falando: um aluno, inspetor, vai que é um professor gostoso né. -
     " Passar pra medicina em SquareTown e só querer ficar no quarto ou andando de skate é normal? Seja lá o que for, to de saco cheio de tudo"
- Por qual motivo esse tal de Pedro - que era pra estar feliz por ter passado em medicina- ta reclamando?
Espero não cruzar com esse provável filhinho de papai que fez cursinho de 20.000 mil por mês e que mesmo se não produzir um centavo, é milionário, lutemos.
    Me deu sono, agora são quatro 4 da manhã e eu resolvo finalmente descansar para o próximo dia. Tudo precisa ser perfeito, desde meu look: composto por uma saia jeans clara, uma blusa social preta - transparente para aparecer meu sutiã de renda que comprei na liquidação da Renner-, melissas papete, até mesmo o horário que vou chegar lá e como vou demonstrar segurança desde minha entrada no campus da faculdade.
- TRIIIIIIMMMMM!!!! - Pulei da cama no susto pois estava sonhando muito.-
     Ocorreu tudo bem em casa, mamãe conversou com lily, minha irmã mais nova e conseguiu fazer a pimentinha entender que era um dia super especial pra mim, a mesma me entregou uma papel feito a próprio punho que dizia " izzzzz, mamãe e eu chegamos a um acordo, aproveite seu dia sem minhas travessuras, hoje é um dia livre, te amo."
    Meu padrasto, Cole, trabalha como engenheiro em uma refinaria, ele passa muitos dias no trabalho e vai revezando em casa, ele ama o que faz e isso é perceptível. Ele é como um pai pra mim, ja que meus pais se separaram quando eu ainda era um feto, minha mãe e Cole se conheceram em uma churrascaria com alguns amigos em comum. Ela sempre diz que ele a conquistou pela gentileza e por ser muito engraçado. Juntos tiveram a lily mas somos todos iguais, sério, sem distinções.
    Mamãe me deixou há 2 minutos da entrada do campus, não era muito legal ter 17 anos e ser vista saindo do carro dos pais, não é mesmo?
Eu caminhava MUITO ansiosa a caminho do portão principal enquanto ouvia High Hopes, do Panic! At the discoPanic e confesso que estava muito tensa. Por mais  que eu tivesse muita facilidade em fazer amigos e interagir com as pessoas, aquilo ali mudaria minha vida. O ensino médio é uma folha em branco, mas ela se escreve com caneta, e não, aqui não tem liquid paper, o que você faz, fica marcado pelos três anos ou eternamente. Daí você entra pra faculdade e é literalmente sua última chance. A maioria dos cursos dura 5 anos, então eu espero que você, leitor, entenda o quão importante é pra mim ser bem vista e popular. Você me entende ?

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