Doce Diálogo

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Capítulo 1

Manha chuvosa de março, barulho ensurdecedor dos carros e ônibus a cruzarem aquela avenida principal.
Capital. Conhecida capital, movimento frenético, rotina,
asfalto, espigões...
Pessoas tão cedo cruzando por ali, baratinadas, buscando muitas vezes um objetivo tao insignificante. Buzinas nervosas, guardas em atividade, distancia, relógio de ponto...
E o calor começa com o primeiro raio de sol que chega por ali. As faces daqueles seres (sobreviventes) es-
tão inchadas. O cansaço do dia anterior ainda impera,
invadindo cada organismo daquele.
Trabalhar, estudar, viver correr contra o tempo, o tempo todo. Senti-lo passando e perceber tristemente que nós não podemos freá-lo.
Christopher, estudante do curso de Direito da universidade
federal, envolvido em toda a parafernália que forma essa
capital.
Tudo era muito novo para esse jovem de dezenove anos que ingressara há duas semanas numa vida tão diferente da que levara.
Saíra de um período de treze anos em um conceituado colégio particular da cidade e de repente se viu dono de seus próprios passos, numa universidade federal...
Entrou ainda atordoado dentro do ónibus. Será que esse passa pela universidade? Teve que se arriscar, pois misturado ao calor insuportável, começavam a cair uns
pingos de chuva. A hora já estava bem avançada e no ponto do ônibus não havia espaço para abrigar mas ninguém...

Pelo menos, para amenizar as agonias, encontrou
uma vaga junto a uma garota, perto do cobrador.
Tentou se enxugar com as mãos, sacolejou os cabelos e tirou os pingos de chuva que caíram no caderno.
Mas a duvida permanecia. Aquele ônibus passa pela universidade?
Christopher era um jovem tranquilo, mas ja estava sendo
influenciado pelo estresse instalado em qualquer cidade
grande. Perdera a mordomia de ir no banco do carona do
carro de seu pai para alguns lugares, pois o combustivel
estava aumentando muito e para uma familia de classe
média não estava cabendo no orçamento sair de um extremo a outro da cidade, só para deixá-lo na universidade
ou na casa de algum amigo.
Ônibus. Essa era a nova realidade de Christopher Pegar
onibus como inúmeros universitários. Mas ele tinha em
mente que tudo mudaria, era hora de pensar em algo
mais concreto, ser um bom advogado ou juiz, quem sabe.
Chega de pensar no lindo cabelinho preto escorrido ensopado de gel, na malhação de horas na academia, no
tempo perdido em frente ao espelho. Era preciso encarar
a vida real, era hora de se enterrar definitivamente nos
Iivros, e..

CONTINUA ou NÃO??

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