No campanário
Naquela velha torre
No morro das ladeiras altas
Com os seus ladrilhos mistos
Que tem uma cruz, tem a virgem, tem o homem de fé
Berra o sino das 6
Toca. Toca. Toca.
As pontes ganham formas
De gente
Que vai agrupando-se nas barras laterais como o tecido
Que modula nas fábricas
Esquecemos estes operários inoperantes de máquina
Agora vire os olhos para os homens subterrâneos dos poços.
Aqueles caras estão lá há tanto tempo que é indefinível supor data, horas, meses, anos
A vida toda jogada na lama
Uma redoma de pedra cresce à volta de cada ser
Os tijolos emaranhados solidificam com o barro, a água escura, que às vezes é clara e salgada.
Cada qual isolado na sua casa de calcário
Que só há espaço para um
Ou dois
Porque os homens na lama se partem muitas vezes
Por que jaz inerte?
Por que não olhas a luz no céu?
Por que não sobe um degrau da escada?
Que estorvo para esses homens
Que mártir
Dirigem-se ao oposto
Indo mais fundo e fundo
Cava aqui e ali
Nao escala, mas cava
Afundando-se mais ainda
Na lama
São tantos
E já se foram tantos
Alguns lembrados
Por sua arte
Outros são memórias esquecidas
Uma pena.
