CAPÍTULO 1

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Era mais um dia comum em minha vida patética e simplória, –que eu jurava ter importância, que ignorância a minha aquela época. Mas, eu era só uma criança tola e ignorante.–  a manhã estava nublada, estranhamente nublada e silenciosa e minha mãe biológica havia me dado a ordem de não sair de casa insistindo que era dia do mau rodear as terras de gordnyar, nosso pequeno vilarejo. Eu disse que iria, e mesmo com a sua insistência em me prender, eu sai pela porta da frente e segui rumo a cachoeira onde iria  me deleitar de longos mergulhos. E assim eu fiz, parti rumo ao grande lago e mal podia saber que seria meu último mergulho como humana.

O caminho que segui, o mesmo que sempre traçava ao ir para a cachoeira, desta vez estava mais sombrio, silencioso... De mais. E, era tão assustador caminhar e ouvir o barulho dos meus pés ao tocar e levantar do chão de terra da trilha que cortava a floresta que se iniciava nos fundos de minha casa e num traço reto ligava minha casa ao enorme lago da cachoeira que eu amava desfrutar.

Mas, ao invés de ouvir meu coração que batia acelerado, – ao ponto de eu poder ouvir nitidamente suas pulsações – ou o suor frio descendo pelas minhas têmporas e até mesmo o tremor dos meus músculos frágeis se contorcendo a cada passo que eh dava, eu resolvi ignorar a todos os meus instintos e continuei adiante. Apenas apressei os passos a fim de chegar o mais rápido possível na cachoeira. E quão grande foi o meu alívio ao chegar nela, ah o barulho das águas caindo fluidamente do rio corrente direto na enorme poça cristalina do lago, numa cascata perfeita. Aquele lugar me trás paz até as noites atuais. Era meu refúgio, meu porto seguro. Sempre que eu queria ficar só com meus pensamentos era para lá que eu corria, eu tinha uma ligação profunda com aquele lugar, ainda tenho.

Eu logo que cheguei ali me despi de minhas vestes, por completo. E então as deixei reservadas sobre uma pedra e mergulhei nas águas geladas e revigorantes da lagoa da cachoeira. Eu logo me esqueci da sensação estranha que senti durante todo o trajeto até o lugar, a cada imersão e emersão eu parecia esquecer mais e mais da sensação de aperto no peito e calafrios que me cercaram em toda a trilha. Mas, a sensação de paz logo se desfez quando ao emergir de um de meus mergulhos, tive a sensação de estar sendo observada e isso me deixou paralisada.

Eu olhei atenta, de um lado para o outro, movendo minha cabeça devagar, mas, nada eu consegui ver. E isso me fez gelar a espinha, entretanto eu era teimosa demais para poder fugir assim que meu sangue gelou dentro das veias e meu cérebro gritou para eu fugir dali o mais rápido possível, ao invés disto, eu fiquei e continuei a me deleitar das águas – como eu disse, eu era uma criança tola. – E então, foi quando eu o ouvi pela primeira vez. Me chamando insistentemente, ele sabia meu nome e também sabia os meus desejos mais obscuros e então ele me chamava e recitava os meus desejos e isto foi me perturbando, tanto, que eu saí das águas e então comecei a correr descalça e desnuda pela mata  tentando estranhamente encontrar o caminho de casa. Caminho esse que eu sabia de có, mas, não conseguia encontrar.

Após correr inúmeras e inúmeras vezes em círculos eu, por fim, cansei de correr e então escorei meu corpo numa árvore e busquei voltar a razão que eu já havia perdido depois de horas percorrendo  um caminho que não me deixava sair do lugar. Eu era uma presa fácil e, ele era um caçador feroz, voraz e ávido por matar e ele estava brincando comigo, eu senti nos nós de minha espinha que eu iria morrer, aquela noite.

Ele se divertia comigo e as minhas custas, eu podia sentir que ele estava jogando, me cansando e me coagindo. Mas eu estava cansada, eu estava esgotada de correr em vão e de adentrar mais a floresta ao invés de sair dela. Eu devia ter ouvido a minha mãe aquela tarde, sim, eu deveria... Mas, eu não fiz. Se eu me arrependo disso? De forma alguma. Hoje eu sei que era meu destino ir a cachoeira, já era Ele me chamando, me induzindo e conduzindo até seu braços frios e seus dentes ardentes carregados de veneno.

Eu resolvi então que voltaria a correr, e meu suposto erro foi relutar, hoje eu sei que este foi o motivo de eu ter sido caçada. O medo e a dor motivam essas criaturas, um clã em específico...

Eu corri, novamente corri desesperada e, mais uma vez o ouvi me chamar e, desta vez, a voz estava mais perto, mais alta e parecia vir de trás de mim e então eu me virei por instinto, mas ele não estava ali. E então, num ato desesperado eu gritei: –"Quem é você! O que você quer! " e eu então ouvi sua resposta : –" Eu sou a sua liberdade, o seu passaporte para fora desse lugar decreto, lhe darei um reino... Venha comigo, criança."

Eu congelei, engoli a seco e então senti aqueles dedos frios repousando sobre meu ombro direito e os lábios em meu ouvido e sussurrar mais uma vez –" venha comigo, criança." E então tudo a minha volta escureceu, e uma dor imensa tomou conta de mim e eu urrei de dor, sentindo minha carne ser dilacerada além de ouvir o barulho dela sendo arrancada de meu corpo.

Quanto mais eu gritava, mais ele me mutilava e parecia se deliciar com isso, pois, eu podia ouvir as suas risadas enquanto mastigava pedaços de meu corpo. Enquanto eu entrava em choque hipovolêmico devido a perda de sangue intensa, eu estava morrendo e nem se quer consegui ver o rosto do meu algoz.

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⏰ Last updated: Dec 23, 2019 ⏰

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