Tanto a ideia da morte quanto a da eternidade me aterrorizam.
É provavelmente por isso que tenho problemas com compromisso e essa preocupação constante de que as pessoas vão me deixar.
Não sei.
Talvez não seja tão ruim estar sozinha.
Posso ser uma romântica sem esperança. Daquelas que ninguém imaginaria. Reviro os olhos para grandes demonstrações de amor e flerto como se minha vida dependesse disso [talvez dependa]. Talvez seja só uma maneira de me salvar do tédio.
Às vezes fecho os olhos e finjo que estou em uma comédia romântica. Escrevo sobre relacionamentos, mas não invisto neles.
E, ainda assim, sonho com tudo: os primeiros beijos, as manhãs compartilhadas, até os tons de amarelo que pintariam as paredes da nossa casa.
Então conheci um garoto.
Cara, ele é incrível.
Sério.
Do tipo "uau mesmo".
Só não do tipo "uau, quero ficar com ele para sempre".
Eu não penso assim. Nunca pensei. Nada dura para sempre e finais felizes pertencem aos filmes [pelo menos é o que venho repetindo para mim mesma há tempo suficiente para quase acreditar].
Mas ele é surreal.
Eu sei que não deveria construir minha visão do amor a partir das relações que vejo ao meu redor. Mas é difícil ignorar. Talvez seja por isso que eu desconfie tanto da permanência.
Sobre o garoto: nós não somos oficiais.
E não sinto culpa nem pressão por isso.
[Meu Deus, como eu odeio ser pressionada.]
Eu sei que disse que ele não é do tipo "para sempre".
É mentira.
Ele definitivamente é.
O problema é que eu não sou.
Eu sou passageira.
Do tipo que chega e te leva aos lugares mais bonitos, que toca você como se tivesse todo o tempo do mundo, que beija como quem não pretende esquecer.
Mas passa.
Talvez porque tudo o que não consigo controlar me apavore. E permanecer significa aceitar uma possibilidade que não depende só de mim: alguém pode ficar. Alguém pode ir embora. Eu também. Por isso, às vezes, estrago as coisas antes que elas tenham a oportunidade de decidir por mim.
Mas sabe o que é estranho?
Eu confio nele. Confio que ele não vai simplesmente se cansar de mim. Consigo imaginar a gente durando. Consigo até imaginar nós dois começando alguma coisa sem imediatamente pensar em como ela termina.
Só não acho que estejamos prontos.
Nem ele.
Nem eu.
Não agora.
Mas ainda estou aqui.
Ainda não mostrei a ele todos os lugares bonitos. Ainda não o toquei de todas as maneiras possíveis. Ainda não fui embora.
Então, por enquanto,
eu ainda estou aqui.
Francielly Serra
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escrevo ?
Poésieescrevo ? é um retrato das emoções que acumulei durante a adolescência; da visão ainda ingênua de quem tinha doze anos às contradições, desilusões e tentativas de compreender o amor, as pessoas e a mim mesma aos dezoito. São textos escritos por algu...
